Publicado em: 29/01/2019 às 08h05

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti e Ana Lívia Fileto Mazzonetto fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Infecções pós-operatórias depois da colocação de implantes: variáveis associadas ao aumento de risco de falha

Camps-Font O, Martín-Fatás P, Clé-Ovejero A, Figueiredo R, Gay-Escoda C, Valmaseda-Castellón E. Postoperative infections after dental implant placement: variables associated with increased risk of failure. J Periodontol 2018;89(10):1165-73.

Por que é interessante: determina os fatores que podem aumentar a taxa de falha de implantes dentários que apresentaram infecção pós-operatória durante o período de osseointegração.

Desenho experimental: estudo de coorte retrospectivo definiu as infecções pós-operatórias como presença de pus ou fístula na área cirúrgica, com dor ou sensibilidade, inchaço, vermelhidão e calor ou febre, antes da carga protética. Uma análise bivariada e multivariada dos dados usando a regressão de riscos proporcionais de Cox foi realizada para detectar fatores prognósticos que contribuem para a falha do implante em pacientes que sofrem infecções.

Os achados: a prevalência baseada em pacientes com infecções pós-operatórias após a colocação de implantes foi de 2,80% (intervalo de confiança de 95% ou IC 95%: 2,04% para 3,83%). Também, 33 entre 37 pacientes (89,19%) com infecções tiveram que ser cirurgicamente retratados por insuficiência antibiótica, e 65% dos implantes infectados foram removidos. A análise bivariada mostrou uma associação significativa entre a falha do implante e a superfície do colar. A regressão de riscos proporcionais de Cox indicou que os colares de superfície áspera aumentaram 2,35 vezes a probabilidade de falha.

Conclusão: a sobrevivência dos implantes colocados na maxila, com colar liso e início tardio da infecção, foi maior do que a dos colocados na mandíbula, com colar rugoso e início precoce da infecção. Em geral, sinais de infecção após a instalação do implante dentário comprometem a taxa de sobrevivência dos componentes afetados.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2Pettb2.

 

 

Periodontite crônica está associada à disfunção erétil. Um estudo caso-controle na população europeia

Martín A, Bravo M, Arrabal M, Magán-Fernández A, Mesa F. Chronic periodontitis is associated with erectile dysfunction. A case-control study in European population. J Clin Periodontol 2018;45(7):791-8.

Por que é interessante: uma vez que a periodontite crônica (PC) e a disfunção erétil (DE) compartilham uma série de fatores de risco e comorbidades (tais como idade, tabagismo, diabetes e doenças cardiovasculares), os autores visaram determinar a associação entre essas duas condições em um estudo caso-controle na população europeia.

Desenho experimental: 158 pacientes do sexo masculino, sendo 80 casos de DE e 78 controles. Foram coletados dados sociodemográficos, realizados exames periodontais de cada indivíduo e avaliados testosterona, perfil lipídico, proteína C-reativa e parâmetros glicêmicos. Todas as variáveis foram comparadas entre os grupos, além de ter sido feita a análise de regressão logística.

Os achados: 74% dos casos foram diagnosticados com periodontite crônica. O número de sítios com profundidade de sondagem (PS) de 4 mm a 6 mm (p=0,05) e perda do nível clínico de inserção > 3 mm (p < 0,01) foi maior nos indivíduos com DE. Triglicerídeos (< 0,01), proteína C-reativa (p=0,02) e hemoglobina glicosilada (p=0,04) também foram maiores nesses indivíduos. A regressão logística mostrou que pacientes com periodontite crônica foram mais propensos a ter DE [OR=2,17; 95% CI (1,06–4,43); p=0,03].

Conclusão: pacientes com DE apresentaram piores condições periodontais. A PC parece atuar como um fator de risco na patogênese da DE, independentemente de outras morbidades. Assim, a periodontite deve ser considerada um importante parâmetro para urologistas, sendo que o tratamento periodontal pode ajudar na prevenção e tratamento da DE.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2CVh8Tx.

 

 

Associação entre asma e doença periodontal: uma revisão sistemática e metanálise

Moraschini V, Calasans-Maia JA, Calasans-Maia MD. Association between asthma and periodontal disease: a systematic review and meta-analysis. J Periodontol 2018;89(4):440-55.

Por que é interessante: visa estabelecer relação entre asma e doença periodontal, através de revisão sistemática com metanálise.

Desenho experimental: busca eletrônica sem restrição de data ou língua nas bases de dados PubMed/Medline, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Web of Science e Lilacs, com início em maio de 2016, além de buscas manuais e na literatura cinzenta. O processo de busca, análise dos dados e avaliação da qualidade foi realizado por dois autores revisores independentes. Nos critérios de elegibilidade, foram incluídos estudos prospectivos e retrospectivos de coorte, relatos de casos e estudos clínicos randomizados.

Os achados: a busca e o processo de seleção incluíram 21 estudos publicados entre 1979 e 2017. A metanálise mostrou uma diferença estatisticamente significante para os parâmetros de sangramento gengival, índice de placa e índice gengival para os participantes com asma (p < 0,001). Os níveis mais elevados de inflamação gengival em pacientes asmáticos parecem ser justificados pelo maior acúmulo de placa, ao invés da presença de doença periodontal destrutiva mais grave. Além disso, os dados sugerem que inaladores de asma e respiração bucal podem levar à diminuição da produção de saliva, alterações no pH e aumento do risco de placa bacteriana e cárie.

Conclusão: há uma forte associação entre a asma e doença periodontal.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2OAtO8G.

 

 

Estudo retrospectivo de uma técnica alternativa para reposicionamento de implante na região estética da maxila

Osterne RLV, Nogueira RLM, Abreu RT, Cavalcante RB, Medeiros EA, Mello MJR. A retrospective study of an alternative technique for implant repositioning in the maxillary esthetic region. Clin Implant Dent Relat Res 2018;1-8.

Por que é interessante: preconiza o reposicionamento vertical ósseo em bloco de implantes na zona estética.

Desenho experimental: estudo retrospectivo com nove implantes e 25 pacientes, nos quais também foram avaliados índice de papila, faixa de mucosa queratinizada e satisfação do paciente.

Os achados: durante o período de follow up, houve falha de apenas um implante. O aumento ósseo obtido variou entre 3 mm e 8,4 mm. O índice de papila melhorou significativamente (p < 0,01), melhorando também os resultados estéticos. Seis pacientes (66,6%) tiveram mais que 2 mm de mucosa queratinizada e todos (100%) ficaram satisfeitos com o tratamento.

Conclusão: esta técnica é benéfica em áreas de atrofia óssea vertical, pelo impacto positivo em pouco tempo e melhora na estética gengival.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2VPXMFB.

 

 

Titânio como um modificador da estrutura do microbioma peri-implantar

Daubert D, Pozhitkov A, McLean J, Kotsakis G. Titanium as a modifier of the peri-implant microbiome structure. Clin Implant Dent Relat Res 2018;1-9.

Por que é interessante: verifica a relação entre o microbioma peri-implantar, o grau de peri-implantite e os níveis dissolvidos de titânio.

Desenho experimental: dados clínicos, microbioma e titânio foram coletados de uma população periodontal com 15 implantes em função por mais de dez anos. Foram realizados exames clínicos e coleta de amostras de placa submucosa, divididas para análise por 16SrRNA e espectrometria de massa.

Os achados: seis implantes com peri-implantite e nove saudáveis. Os níveis dissolvidos de titânio estiveram associados com a composição da microbiota. A presença de titânio foi associada ao grau de peri-implantite (p=0,02). Titânio dissolvido foi encontrado em 40% dos sítios.

Conclusão: o titânio dissolvido em casos de peri-implantite pode modificar a estrutura e a diversidade do microbioma peri-implantar.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2HaEO9x.

 

 

Expressão gênica associada ao implante no osso maxilar de fumantes e não fumantes: um estudo em humanos utilizando qPCR quantitativo

Sayardoust S, Omar O, Norderyd O, Thomsen P. Implant‐associated gene expression in the jaw bone of smokers and nonsmokers: a human study using quantitative qPCR. Clin Oral Implants Res 2018;29:937-53.

Por que é interessante: compara os eventos moleculares em células aderidas aos implantes e do osso peri-implantar.

Desenho experimental: pacientes fumantes e não fumantes já tratados de doença periodontal, recebendo mini-implantes usinados e com superfície tratada. Os implantes foram removidos por torque reverso após um, sete e 28 dias de colocação. O osso peri-implantar foi coletado com trefina. Foi realizada análise da expressão gênica de fatores de inflamação, formação, remodelação, de crescimento e transcrição.

Os achados: implantes usinados tiveram mais expressão de fatores inflamatórios. Os implantes oxidados tiveram mais expressão dos genes formadores de ossos. Pacientes fumantes tiveram maior retardo na cicatrização, especialmente nos implantes usinados.

Conclusão: superfícies oxidadas conseguem mitigar os efeitos negativos induzidos pelo tabagismo.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2AI6ooE.

 

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