Publicado em: 29/01/2019 às 08h36

Implantes curtos: pequenos que vão longe

Os implantes curtos vão de encontro às necessidades de clínicos e pacientes, tornando-se a primeira opção quando o assunto é resultado previsível com o menor trauma possível.

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Implantes curtos

Nossas escolhas impactam diretamente no sucesso clínico de qualquer tratamento. Quando nos deparamos com um caso clínico de difícil resolução, traçamos um planejamento levando em consideração as mais diversas variáveis, que vão desde o conforto do paciente durante todo o processo terapêutico até a finalização previsível.

Nessa caminhada, é fundamental ter como aliadas soluções pensadas e desenvolvidas para oferecer o melhor resultado, como acontece com os implantes curtos que, ao longo do tempo, passaram por um aperfeiçoamento para chegar ao patamar atual de sucesso.

Nessa edição da série Boas escolhas com a Implacil De Bortoli, vamos falar sobre os protocolos de uso dos implantes curtos e saber por que esse recurso se tornou indispensável para implantodontistas que primam por oferecer as melhores opções de tratamento aos seus pacientes.

Nilton De Bortoli Jr.
Diretor científico da Implacil De Bortoli


Pequenos que vão longe

Os implantes curtos vão de encontro às necessidades de clínicos e pacientes. Não à toa, tornaram-se a primeira opção quando o assunto é resultado previsível com o menor trauma possível.


Embora ainda não exista um consenso na literatura sobre a definição de implantes curtos, aceita-se essa nomenclatura para as peças que tenham comprimento menor ou igual a 8 mm. A partir do desenvolvimento de implantes com essa característica, a reabilitação em áreas com rebordo alveolar muito reabsorvido tornou-se menos complexa, onerosa e traumática. Isso porque a redução óssea horizontal e vertical após a remoção dos dentes pode incorrer na necessidade de utilizar técnicas reconstrutivas, como elevação do seio maxilar, procedimentos de regeneração óssea guiada e enxertos ósseos, que possuem alto custo, aumentam o tempo de tratamento, a morbidade pós-operatória e o risco de complicações. Ao optar pelo uso de implantes curtos, é possível evitar esses procedimentos mais invasivos. “Essa é uma escolha segura no tratamento de áreas edêntulas com limitações de altura e volume ósseo. Suas vantagens são a dispensa de cirurgias para enxerto ósseo, menor custo, menos dor e diminuição do tempo de tratamento, simplificando o preparo do leito ósseo e a inserção do implante curto”, explica Ulisses Dayube, doutorando em Implantodontia.

O uso de implantes curtos é indicado em casos de volume ósseo restrito, como aqueles associados a estruturas anatômicas inevitáveis, a exemplo de concavidades linguais, seio maxilar e nervo alveolar inferior. Ricardo Falcão Tuler, doutor em Biologia Oral, adiciona que esse recurso é uma alternativa viável para regiões com grande reabsorção óssea na maxila e mandíbula, quando há altura e espessura ósseas mínimas de 6 mm a 7 mm. “Caso tenha altura e não tenha espessura, ou se tiver espessura mas não altura, os implantes curtos são contraindicados”, diz. Esses recursos ainda são recomendados para próteses implantossuportadas unidas ou unitárias, desde que sejam respeitados os ajustes oclusais e que as parafunções diagnosticadas sejam tratadas.

Márcio Zaffalon Casati, doutor em Clínica Odontológica, lembra que é preciso usá-los em osso de qualidade favorável, possuir tratamento de superfície, não realizar carregamento imediato e o paciente precisa apresentar oclusão estável não traumatizante.

Ulisses Dayube adiciona ainda a indicação de implantes curtos para próteses múltiplas ferulizadas. “Conciliar implantes curtos com os longos, através das coroas protéticas ferulizadas, amplia a resistência contra as forças oclusais, diminuindo o estresse e a tensão na interface óssea. A utilização de implantes curtos em áreas atróficas pode ter como consequência uma restauração protética longa, apresentando uma razão coroa-implante desfavorável, estética insatisfatória e desconforto para o paciente durante a higienização. Para a fresagem e instalação desses implantes, foi criado um kit específico com fresas em formato cônico e curtas. É muito importante realizar a fresagem com irrigação abundante, pois as regiões com pouca altura óssea geralmente são muito corticais”, elucida.

Em resumo, um bom planejamento cirúrgico e protético é fundamental para a obtenção de êxito nos trabalhos com implantes curtos. Paulo Cesar da Cruz, especialista em Implantodontia, destaca que exames de imagem, como tomografias, são necessários para planejar e executar a cirurgia de forma confi ável. O sistema de implantes escolhido deverá ser prático e preciso, com escalonamento de brocas, brocas com stop ou com fácil leitura de marcação. “O formato do implante deve ser cônico com espiras mais espaçadas, proporcionando boa estabilidade mesmo em osso tipo III ou IV. É fundamental ter atenção com o posicionamento da perfuração, pois implantes inclinados em região de alta carga mastigatória poderão comprometer o sucesso da reabilitação”, aponta.

Ao comparar a previsibilidade do implante curto ao implante padrão, observam-se números muito próximos. Diversos trabalhos publicados ajudam a entender o motivo desses resultados. “A maior magnitude da dissipação de carga mastigatória se dá nos primeiros 5 mm do osso crestal, segundo Carl Misch (2006), enquanto Franck Renouard (2005) relatou que grande parte da carga mastigatória se dissipa nos primeiros 3 mm do osso crestal. Por isso, há vários relatos com alto índice de sucesso de reabilitações com implantes curtos – por exemplo, um trabalho recente de Eduardo Anitua (2018) que revela uma taxa de sobrevivência de 93,3% no acompanhamento de 15 anos”, justifica Paulo Cruz.



COMPROVAÇÃO CLÍNICA E CIENTÍFICA

Escolher bons materiais para a instalação de implantes curtos é de extrema importância para obter sucesso no tratamento de reconstruções de rebordos total ou parcialmente desdentados. Segundo Márcio Casati, a técnica cirúrgica é muito sensível e, devido à pequena dimensão do implante, o contato osso-implante deve ser maximizado pelo uso de superfícies modificadas com comprovado potencial de integração, como acontece nos produtos da Implacil De Bortoli. “Os implantes hexógono externo e interno podem ser trabalhados na porção usinada supracrestal, resultando em menor perda óssea no longo prazo. Já o cone-morse conta com uma conexão cônica estável e bom selamento bacteriano do componente protético, permitindo maior estabilidade óssea marginal, o que é muito importante no caso de implantes curtos”, detalha.

Ulisses Dayube afirma que os implantes curtos da Implacil De Bortoli possuem macrogeometria muito favorável e corpo totalmente cônico, que proporciona melhor equilíbrio osso-implante e segurança para a reabilitação em casos múltiplos. “O grande diferencial é a superfície tratada com jateamento de micropartículas de dióxido de titânio (TiO2) e ataque ácido alternados. Estudos recentes confirmaram que este método de tratamento de superfície produz alta osteocondutividade e excelente formação óssea nos implantes”, esclarece.

Ricardo Falcão comenta que a Implacil De Bortoli desenvolveu kits contendo sequência de brocas que promovem o corte do tecido ósseo de forma escalonada, apresentando fresas variadas de acordo com o diâmetro do pino e com rotações de 200 a 300 rpm. “Além do kit, a variedade de opções restauradoras utilizando componentes desenvolvidos para os implantes curtos favorece diretamente no resultado das próteses implantossuportadas”, diz.

Quanto à osseointegração, Paulo Cruz frisa que os implantes Implacil De Bortoli possuem altos índices de contato osso-implante (BIC) – acima de 93%. “Com o uso adequado, é possível reabilitar os pacientes de forma rápida, com pouca morbidade, segurança, previsibilidade e a um custo bastante reduzido. Os resultados são muito animadores, pois o acompanhamento dos pacientes nos diz que podemos optar por esses implantes com bastante segurança. O comportamento dos implantes curtos da Implacil é muito semelhante ao dos implantes regulares”, finaliza.


 

Ulisses Dayube  Ricardo Falcão Tuler Márcio Zaffalon Casati Paulo Cruz

 


REFERÊNCIAS
1. Annibali S, Cristalli MP, Dell'Aquila D, Bignozzi I, La Monaca G, Pilloni A. Short dental implants: a systematic review. J Dent Res 2012;91(1):25-32.
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3. Gehrke SA, Ramírez-Fernandez MP, Granero Marín JM, Barbosa Salles M, Del Fabbro M, Calvo Guirado JL. A comparative evaluation between aluminium and titanium dioxide microparticles for blasting the surface titanium dental implants: an experimental study in rabbits. Clin Oral Implants Res 2016, Sep 24. 4. Anitua E, Alkhraisat MH. 15-year follow-up of short dental implants placed in
the partially edentulous patient: Mandible Vs maxilla. Ann Anat 2018;222:88-93.
5. Renouard F, Nisand D. Impact of implant length and diameter on survival rates. Clin Oral Implants Res 2006;17(suppl.2):35-51.
6. Tawil G, Aboujaoude N, Younan R. InflUence of prosthetic parametres on the survival and complication rates of short implants. Int J Oral Maxillofac Implants 2006;21(2):275-82.

 

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