Publicado em: 29/01/2019 às 08h40

Nanotecnologia: a nova era da Implantodontia

A evolução da tecnologia permitiu o desenvolvimento de um nanorrevestimento de hidroxiapatita que, incorporado à superfície de titânio do implante, oferece resultados surpreendentes na osseointegração.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo
A nanotecnologia trouxe uma elevação dos padrões científicos na Implantodontia. (Imagens: divulgação)

 

A demanda por tratamentos mais rápidos se tornou um fator importante na terapia com implantes, especialmente sob a perspectiva dos pacientes. Muito além da busca por aprimoramento das técnicas cirúrgicas reabilitadoras, há um grande esforço da engenharia de materiais e da indústria para produzir implantes que atendam a essa necessidade. Está aí a força motriz para a incorporação da nanotecnologia na Implantodontia.

Do ponto de vista biológico, com essa novidade, houve uma elevação dos padrões científicos para um patamar muito mais complexo, com a ampliação de fronteiras em diferentes áreas de conhecimento, uma vez que na escala nanométrica é possível atuar em nível molecular ou atômico e desenvolver materiais e componentes melhores.

Levando em consideração o processo de reabilitação oral, um dos fatores mais importantes para que ocorra a osseointegração diz respeito à superfície dos implantes dentários – e a resposta biológica está diretamente relacionada às propriedades físico-químicas dessas superfícies. Hoje, existem diferentes métodos de tratamento para aperfeiçoar essas propriedades e melhorar a resposta tecidual, como a aplicação de superfície nanométrica com características semelhantes ao osso humano. Então, resumidamente, a nanossuperfície é uma camada adicional em escala nano na superfície do titânio e que possui potencial osteoindutor e osteocondutor. Biologicamente, ela altera as características químicas do titânio, guiando a composição da película de proteínas incorporada ao implante e direcionando a osteogênese.

 

ASPECTOS BIOLÓGICOS

Segundo Bruna Ghiraldini, doutora em Implantodontia, a nanoativação incorpora partículas em escala nanométrica para maximizar o efeito desejado – e quando falamos de implantes dentários, o efeito desejado é a osseointegração e a boa qualidade cicatricial. Sendo assim, a hidroxiapatita (HA) é o biomaterial de escolha para ser adicionado à superfície, já que é conhecido pelo corpo humano por estar presente nas estruturas mineralizadas e ainda possuir potencial osteocondutor e osteoindutor.

A hidroxiapatita tem grande importância na reserva de cálcio e fósforo dos vertebrados e possui propriedades de biocompatibilidade e bioatividade – o que favorece o crescimento ósseo (osteocondutividade) e estabelece ligações químicas com o tecido ósseo (bioatividade), permitindo a proliferação das células ósseas (osteoblastos, fibroblastos e outras). “Uma superfície que tenha a hidroxiapatita no tamanho nanométrico tende a ser mais bem aceita pelos osteoblastos e promover uma melhor osseointegração”, explica Luiz Roberto Nantes, mestre em Implantodontia.

O uso desse nanorrevestimento aumenta a energia superficial do implante. Com isso, ele é capaz de romper a tensão superficial dos líquidos e ser muito mais hidrofílico com sangue. Como todas as células que fazem parte do processo de cicatrização chegam através do tecido sanguíneo, essa é uma característica fundamental para a formação do coágulo concentrado e, consequentemente, para a maior quantidade de concentrado celular.

Fábio José Barbosa Bezerra, doutor em Biotecnologia, lembra que o nanorrevestimento de hidroxiapatita é o biomaterial com maior suporte científico para esta finalidade. “Se o objetivo é formar osso ao redor do titânio, o melhor catalisador biológico é o nanorrevestimento com hidroxiapatita, com forma, tamanho e composição similares ao osso humano, como é o caso da HAnano. Porém, ao extrapolar este raciocínio para os desafios atuais em Implantodontia, poderemos ter nanocatalisadores que, além de estimular a formação óssea, poderão compensar deficiências locais ou sistêmicas, como a osteoporose ou diabetes, através da incorporação de biomoléculas específicas em escala nanométrica”, afirma.

Neste cenário, é fundamental entender que a perfeita interação entre a microgeometria do implante e o nanoativador bioativo específico será responsável por uma reação potencializada no processo de osseointegração. Este conhecimento abre portas para novas fronteiras de desenvolvimento de superfícies inteligentes, denominadas “quinta geração”.

Muitos estudos comprovam que o osso formado ao redor de uma superfície ativada com nano-hidroxiapatita tem propriedades biomecânicas superiores ao osso que se formou sem essa ativação.

Bezerra acrescenta que um dos pontos positivos de trabalhar com a hidroxiapatita é que o processo cicatricial inicia imediatamente após a instalação do implante – por meio do contato de líquidos e suas proteínas com o nanorrevestimento superficial. De maneira concisa, o objetivo final do processo de osseointegração será a mineralização óssea peri-implantar, mas para isso existem fases prévias reguladas por cadeias de reações que podem interferir na adsorção de proteínas específicas, que estimularão a transformação de células mesenquimais indiferenciadas em osteoblastos. “Com maior quantidade de osteoblastos e tendo a hidroxiapatita como catalisador do processo de mineralização, haverá uma osseointegração mais rápida e de melhor qualidade. O uso da HAnano para acelerar o processo cicatricial, melhorar qualitativamente o osso formado ao redor do implante e aumentar o nível de previsibilidade de resultados em casos desafiadores tem demonstrado efetividade através de várias publicações científicas”, argumenta.

 

SOLUÇÃO INOVADORA

Baseado no conjunto de benefícios expostos sobre a aplicação HAnano na superfície do titânio, o lançamento da linha Strong SW Plus, da SIN – Sistema de Implante, marca um novo momento da Implantodontia brasileira, incorporando o mais alto nível de tecnologia de nanorrevestimento disponível atualmente a implantes com três diferentes plataformas protéticas: cone-morse, hexágono interno e hexágono externo.

O novo produto é um upgrade na linha de implantes mais vendida da SIN, com a vantagem de levar uma tecnologia diferenciada. Segundo Bruna, seu desenvolvimento surgiu a partir da ideia de unir a macrogeometria bem definida e aceita, com alto índice de sucesso, pelo mercado nacional e internacional, e já comercializado há mais de dez anos pela SIN, com a nanossuperfície ativa desenvolvida pela empresa sueca Promimic.

Conforme explica Bezerra, a linha Strong SW Plus possui uma camada homogênea de hidroxiapatita absorvível com espessura de 20 nanômetros, aplicada sobre uma superfície de titânio comercialmente puro de grau IV com rugosidade superficial variando de 0,9 a 1,2 micrômetros. Desta forma, existe a união de todos os benefícios gerados pela microrrugosidade da superfície para o processo de osseointegração, por exemplo a estabilidade da rede de fibrinas, enquanto o nanorrevestimento atua como um catalisador biológico poderoso para potencializar todos os eventos iniciais do processo de regeneração óssea”, informa.

Durante os últimos anos, foram realizados estudos pré-clínicos e clínicos para avaliar a efetividade do nanorrevestimento de hidroxiapatita, e os resultados demonstraram um ganho quantitativo (BIC) e qualitativo (Bafo) na formação óssea peri-implantar, quando comparada a grupos com a mesma macro e microgeometria sem este tipo de tecnologia. “Os resultados foram ainda mais surpreendentes, com testes realizados por pesquisadores independentes dentro e fora do Brasil, em modelos não saudáveis, como fumantes, diabéticos ou com distúrbios metabólicos. Desta forma, esta nova linha de implantes está indicada para todas as situações clínicas, pois aumentará o nível de segurança dos tratamentos, reduzirá o tempo cicatricial e elevará a previsibilidade em casos desafiadores”, destaca Bezerra.

Ainda, os profissionais terão à disposição um sistema de implantes com diferentes plataformas protéticas, tendo como efeito prático a possibilidade de utilizar produtos brasileiros com características globais de desenvolvimento tecnológico e suporte científico.

De acordo com Nantes, a nova linha possui tratamento de superfície feito com duplo ataque ácido, para aumentar sua rugosidade e posterior adição de nanossuperficie (HAnano). “O aumento da rugosidade de superfície gera mudanças na microtextura, que apresenta médias de rugosidade entre 0,5 e 2 μm. Estas alterações da microrrugosidade da superfície demonstraram em estudos pré-clínicos e clínicos uma adequada biocompatibilidade e melhor desempenho em relação aos implantes lisos (sem esse tratamento)”, atesta.

É importante ressaltar que o Strong SW Plus permite tratamentos como carga imediata ou tardia, além do uso em áreas estéticas e para próteses unitárias ou múltiplas. Ou seja, ele pode atender a todas as demandas necessárias na vida diária do implantodontista.

 

Implante da linha SW Plus, da SIN, com nanorrevestimento HAnano.

 

COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA

O desenvolvimento do novo sistema de implante seguiu a escala hierárquica de validação científica. Isso porque, conforme explica Bezerra, produtos inovadores e disruptivos devem passar por critérios rígidos de análise, controle e comprovação científica para obter certificação qualitativa. “No caso deste lançamento, existe a aprovação da Anvisa, CE e da FDA, o que foi possível devido ao histórico científico do produto. Este nanorrevestimento comprovou os benefícios e diferenciais em inúmeros estudos nacionais e internacionais, e está disponível para uso clínico em todos os países em que a SIN comercializa seus produtos”, esclarece.

O desenvolvimento deste nanorrevestimento teve início em 2007, na Suécia, e conta com a participação de profissionais de renome internacional, como Tomas Albrektsson, Ann Wennerberg, Ryo Jimbo, Luiz Meireles, Paulo Coelho, Per Kjellin, Willian Zambuzzi, entre outros, além de envolver diferentes instituições de ensino, como a Universidade de Gotemburgo (Suécia), Universidade Chalmers (Suécia), Universidade de Nova York (Estados Unidos), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Faculdade São Leopoldo Mandic.

Bruna afirma que, previamente ao lançamento, centenas de implantes já foram instalados por diversos profissionais em diversos países, com índices de sucesso de 99,4%. “Já temos alguns estudos em animais que mostram o benefício da nanossuperfície estatisticamente maior em um grupo com alteração sistêmica, como o diabetes, quando comparado ao grupo tratado com implantes com duplo ataque ácido, em uma avaliação de expressão gênica e microtomografia”, descreve.

Segundo Edimar Aguiar, mestre em Implantodontia, os trabalhos científicos também mostraram que a nanossuperfície de hidroxiapatita elaborada pela SIN aumentou as propriedades mecânicas do osso na interface com o implante. As avaliações feitas por nanoidentação revelam um aumento significativo do módulo de elasticidade e dureza do osso localizado imediatamente à interface até regiões relativamente distantes. “Ficou evidente a presença de uma cascata de mineralização óssea fortemente ativa nos implantes tratados com a superfície de nano-hidroxiapatita, possivelmente em virtude da maior expressão da fosfatase alcalina, que eleva os níveis de osteopontina, conhecida por ser um fator importante na mineralização”, conclui Aguiar.
 

Matéria sob demanda desenvolvida pela VMBranded.
  • Imprimir
  • Indique a um amigo