Publicado em: 29/01/2019 às 08h50

Efeito do estrôncio não radioativo no tratamento de doenças relacionadas ao metabolismo ósseo

Medicamento à base de estrôncio vem sendo considerado promissor em tratamentos sistêmicos e prevenção de patologias ósseas de procedimentos cirúrgicos.

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O efeito adverso de medicamentos antirreabsortivos, como os bifosfonatos, sobre a indução de osteonecrose tem levado à busca de novas alternativas medicamentosas, no intuito de minimizar ou debelar esses impactos. Por possuir uma via de ação óssea diferente, medicamentos à base de estrôncio estão sendo citados na literatura como novos agentes antiosteoporóticos, devido à capacidade de minimizar o risco de fraturas ósseas em mulheres pós-menopausa.

O estrôncio possui muitas semelhanças e mimetismo estrutural com o cálcio, por estar situado logo abaixo dele na tabela periódica e, assim, o organismo assimila e o incorpora aos tecidos duros1. Seu mecanismo de ação não está completamente elucidado, mas estudos recentes apontam que ele apresenta um potencial de atuar tanto na reabsorção como na formação óssea. Alguns estudos relatam que ele influencia na indução da apoptose de osteoclastos, por meio da ativação dos receptores sensíveis ao cálcio (CaR), presentes em células esqueléticas e não esqueléticas2, agindo concomitantemente em receptores distintos do cálcio, atuando em moléculas sinalizadoras capazes de aumentar a sobrevivência, o recrutamento e a diferenciação de pré-osteoblastos3.

Outras pesquisas apontam que o estrôncio promove aumento da produção de prostaglandinas E2 (PGE2) e, consequentemente, a diferenciação de pré-osteoblastos em osteoblastos, responsáveis pela formação óssea4. Além disso, ele é capaz de atuar no metabolismo ósseo, regulando o fator do núcleo Kappa B (RANK), modulando o eixo RANKL-OPG, onde sua presença gera a estimulação de osteoprotegerina (OPG) em células pré-osteoblásticas, regulando assim negativamente RANKL responsáveis pela produção de osteoclastos4-5.

Vários estudos avaliam as respostas teciduais da utilização sistêmica de medicamentos à base de estrôncio, em tratamentos reabilitadores, em patologias relacionadas ao metabolismo ósseo. Autores6 verificaram aumento da densidade mineral óssea na coluna de mulheres que apresentavam osteoporose e utilizaram estrôncio como tratamento. Outros7 investigaram o impacto do ranelato de estrôncio na cicatrização óssea pós-fratura em pacientes osteoporóticos, concluindo que o estrôncio possui um efeito positivo, além de promover aumento de densidade mineral óssea. Estudos8-11 avaliaram a ação do ranelato de estrôncio na melhora da osseointegração de implantes de titânio em pacientes que apresentavam ou não osteoporose, verificando aumento da fixação mecânica do implante, aumento da proliferação de células osteoblásticas, aumento da formação de matriz óssea e excelentes resultados na osseointegração.

Devido aos efeitos a favor da formação óssea, esse medicamento vem sendo considerado promissor em tratamentos sistêmicos e prevenção de patologias ósseas de procedimentos cirúrgicos.

 

REFERÊNCIAS
1. Blake GM, Fogelman I. Strontium ranelate: a novel treatment for postmenopausal osteoporosis: a review of safety and efficacy. Clin Interv Aging 2006;1(4):367-75.
2. Chattopadhyay N, Quinn SJ, Kifor O, Ye C, Brown EM. The calcium-sensing receptor (CaR) is involved in strontium ranelate-induced osteoblast proliferation. Biochem Pharmacol 2007;74(3):438-47.
3. Pemmer B, Hofstaetter JG, Meirer F, Smolek S, Wobrauschek P, Simon R et al. Increased strontium uptake in trabecular bone of ovariectomized calcium-deficient rats treated with strontium ranelate or strontium chloride. J Synchrotron Radiat 2011;18(6):835-41.
4. Marie PJ. Strontium ranelate: new insights into its dual mode of action. Bone 2007;40(5):S5-8.
5. Suda T, Takahashi N, Udagawa N, Jimi E, Gillespie MT, Martin TJ. Modulation of osteoclast differentiation and function by the new members of the tumor necrosis factor receptor and ligand families. Endocr Rev 1999;20(3):345-57.
6. Catalano A, Morabito N, Di Stefano A, Morini E, Basile G, Faraci B et al. Vitamin D and bone mineral density changes in postmenopausal women treated with strontium ranelate. J Endocrinol Invest 2015;38(8):859-63.
7. Komrakova M, Weidemann A, Dullin C, Ebert J, Tezval M, Stuermer KM et al. The impact of strontium ranelate on metaphyseal bone healing in ovariectomized rats. Calcif Tissue Int 2015;97(4):391-401.
8. Maïmoun L, Brennan TC, Badoud I, Dubois-Ferriere V, Rizzoli R, Ammann P. Strontium ranelate improves implant osseointegration. Bone 2010;46(5):1436-41.
9. Querido W, Farina M, Anselme K. Strontium ranelate improves the interaction of osteoblastic cells with titanium substrates: increase in cell proliferation, differentiation and matrix mineralization. Biomatter 2015;5:e1027847.
10. Chen B, Li Y, Yang X, Xu H, Xie D. Zoledronic acid enhances bone-implant osseointegration more than alendronate and strontium ranelate in ovariectomized rats. Osteoporos Int 2013;24(7):2115-21.
11. Scardueli CR, Bizelli-Silveira C, Marcantonio RAC, Marcantonio Jr. E, Stavropoulos A, Spin-Neto R. Systemic administration of strontium ranelate to enhance the osseointegration of implants: systematic review of animal studies. Int J Implant Dent 2018;4(1):21.

 

 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Fernanda C. Gonçalves

Mestra e doutoranda em Periodontia – Faculdade de Odontologia de Araraquara (Unesp).

 

 

 

 

 

 

 

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