Publicado em: 29/01/2019 às 09h21

Como eliminar as principais complicações na instalação dos implantes

Os “guias cirúrgicos baixos” aumentaram a precisão na instalação dos implantes e diminuíram erros de posicionamento mesiodistal dos implantes.

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O uso de guias cirúrgicos auxilia o profissional no correto posicionamento do implante durante a cirurgia, baseado no diagnóstico feito a partir do enceramento/montagem diagnóstica de dentes ou a partir de próteses já instaladas e com morfologia e oclusão adequadas (Figura 1). Os primeiros guias cirúrgicos, feitos a partir desta montagem diagnóstica de dentes, são denominados “guias altos” (Figura 2) porque as brocas cirúrgicas acessavam o rebordo pela oclusal do guia. Entretanto, com frequência, nas cirurgias não se alcançava a precisão milimétrica necessária para o correto posicionamento dos implantes (Figura 3).

Figura 1 – Modelo inicial de trabalho. 

 

Figura 2 – Confecção do “guia alto”, com as perfurações feitas nas oclusais, no centro das futuras coroas protéticas.

 

Figura 3 – Observar que, com o guia alto e pequenas inclinações da broca (ver a ponta da broca), é possível errar o posicionamento do implante. Isso é crítico em espaços limitados.


O incorreto posicionamento dos implantes é o fator de risco preponderante para os principais problemas clínicos, como: recessão da margem da mucosa, formação dos buracos negros (black space) e perda óssea peri-implantar. Para o correto posicionamento dos implantes, deve-se lembrar que, para a formação do espaço biológico peri-implantar, ocorre uma perda óssea vertical em torno de 1 mm e horizontal de aproximadamente 1,5 mm. Portanto, entre um implante e um dente é importante deixar um espaço mínimo de 2 mm para que a perda óssea horizontal não atinja o osso proximal do dente vizinho, responsável por evitar a retração da papila gengival. Pelo mesmo motivo, entre dois implantes deve-se manter uma distância mínima de 3 mm. Clinicamente, todas estas distâncias precisam ser transferidas para o modelo que será usado para a confecção do guia cirúrgico baixo (Figuras 4 a 7).

Figura 4 – Preparo do modelo para confecção do “guia baixo”. Os espaços mesiodistais das futuras coroas, baseados na montagem diagnóstica de dentes, foram marcados no modelo com uma lapiseira de ponta 0,5 mm. Com o auxílio de um compasso de ponta seca, todas as distâncias biológicas entre implante e dente, e entre implantes também são marcadas no modelo. Entre implante e dente foi marcada uma distância de 2 mm.

 

Figura 5 – Uso do compasso de ponta seca e de régua para transferir as medidas para o modelo de trabalho.

 

Figura 6 – Foi respeitado o espaço mínimo de 3 mm entre os implantes.

 

Figura 7 – Observar que o centro de cada circunferência, representando o topo do implante no modelo, foi marcado e nele foi feita uma perfuração no guia, com o mesmo modelo da broca inicial que será usada na cirurgia.

 

A partir do entendimento do mecanismo biológico que ocorre ao redor dos implantes para a formação do espaço biológico, surgiram os “guias cirúrgicos baixos”. Estes, por serem feitos em contato com os rebordos (Figuras 8 e 9), aumentaram a precisão na instalação dos implantes e diminuíram muito os erros de posicionamento mesiodistal dos implantes e suas consequências.

 

Figura 8 – A imagem ilustra a precisão do guia cirúrgico baixo.

 

Figura 9 – A precisão do planejamento é transferida para a cirurgia de forma simples e fácil.

 

 

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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