Publicado em: 18/04/2019 às 14h05

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti e Rafaela Videira fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Tratamento de recessão gengival maxilar única associada à lesão cervical não cariosa: ensaio clínico randomizado comparando enxerto de tecido conjuntivo isolado a enxerto com restauração parcial

Santamaria MP, Silveira CA, Mathias IF, Neves FLDS, dos Santos LM, Jardini MAN et al. Treatment of single maxillary gingival recession associated with non-carious cervical lesion: randomized clinical trial comparing connective tissue graft alone to graft plus partial restoration. J Clin Periodontol 2018 Apr 22.

Por que é interessante: a recessão gengival (RG) é frequentemente associada a lesões cervicais não cariosas (LCNC), formando um defeito combinado (DC). Entretanto, poucos estudos clínicos randomizados avaliaram combinações de técnicas cirúrgicas e materiais restauradores para tratar DCs.

Desenho experimental: 40 pacientes apresentando 40 defeitos de classe I ou II de Miller associados com defeito cervical B+ foram alocados aleatoriamente para um dos seguintes tratamentos: grupo-teste (n=20) – restauração parcial (RP) da LCNC, em que a borda da restauração foi colocada 1 mm além da estimativa da junção cemento-esmalte, e enxerto de tecido conjuntivo (ESTC + RP); e grupo-controle (n=20) – odontoplastia da LCNC e enxerto de tecido conjuntivo (ESTC). Resultados clínicos e estéticos centrados na percepção dos pacientes foram avaliados.

Os achados: após 12 meses, as taxas de recobrimento de DCs foram: 75,3% (2,5 ± 1 mm) para ESTC + RP; e 74,6% (2,4 ± 1,1 mm) para ESTC (p > 0,05). A cobertura total da raiz estimada foi: 60% (n=12) para ESTC + RP; e 70% (n=14) para ESTC. ESTC + RP resultou em uma melhor redução da hipersensibilidade dentinária (p=0,034). Ambos os grupos resultaram em melhorias estéticas, no entanto o grupo ESTC + RP mostrou melhores resultados do contorno gengival.

Conclusão: tanto a RP quanto ESTC + RP foram eficazes no tratamento de CDs. O uso de RP resultou em um melhor contorno da margem gengival e redução da hipersensibibidade, sem efeito na cobertura de DCs.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2CthnUO.

 

 

Estado glicêmico afeta o microbioma subgengival de pacientes diabéticos

Longo PL, Dabdoub S, Kumar P, Artese HPC, Dib SA, Romito GA et al. Glycaemic status affects the subgingival microbiome of diabetic patients. J Clin Periodontol 2018 May 9 (DOI: 10.1111/jcpe.12908).

Por que é interessante: avalia o microbioma subgengival de pacientes que apresentam diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) com periodontite crônica, em diferentes estados glicêmicos.

Desenho experimental: 21 pacientes com DMT2, não fumantes, com periodontite crônica e índice de massa corpórea ≤ 40 kg/m2 foram aleatoriamente divididos em dois grupos de acordo com o estado glicêmico sistêmico: inadequado (DMI-HbA1c ≥ 8%) e adequado (DMA-HbA1c < 7,8%). O biofilme subgengival foi coletado de sítios com profundidade de sondagem moderada (PS=4-6 mm) e avançada (PS ≥ 7 mm) em dois quadrantes.

Os achados: o microbioma do grupo DMA apresentou maior diversidade do que o DMI. O controle glicêmico inadequado favoreceu as espécies de fermentação, especialmente aquelas associadas à produção de propionato/succinato, enquanto as que formaram butirato/piruvato foram menores no grupo do DMI. Maiores níveis do grupo anginosus e Streptococcus agalactiae em DMI podem indicar que os sítios subgengivais podem ser reservatórios de patógenos potencialmente invasivos. O microbioma subgengival alterado no DMI pode representar um desafio adicional no tratamento periodontal destes pacientes e na prevenção de casos de infecções mais invasivas.

Conclusão: o aumento do potencial patogênico da microbiota subgengival de pacientes com pobre controle glicêmico e periodontite, quando comparado com o controle adequado, pode explicar a maior destruição periodontal, bem como o risco sistêmico elevado de infecções.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2JFF819.

 

Técnica de membrana radicular: estudo clínico retrospectivo com até dez anos de acompanhamento

Siormpas KD, Mitsias ME, Kotsakis GA, Tawil I, Pikos MA, Mangano FG. The root membrane technique: a retrospective clinical study with up to 10 years of follow-up. Implant Dent 2018;27:564-74.

Por que é interessante: apresenta os resultados clínicos e longitudinais da manutenção de parte da raiz no momento da colocação imediata de implantes.

Desenho experimental: estudo retrospectivo realizado em três clínicas privadas com 182 pacientes (82 homens e 100 mulheres, com idades entre 18 e 83 anos), totalizando 250 implantes imediatos (230 na maxila e 20 na mandíbula), que foram acompanhados por até dez anos. Os índices de Kaplan-Meier foram calculados para relatar o sucesso e a sobrevivência do implante.

Os achados: houve cinco falhas de implantes, resultando em uma taxa de sucesso de 96,5%. Após dez anos, a taxa cumulativa foi de 87,9%, somando complicações biológicas e mecânicas.

Conclusão: a técnica da raiz retida mostrou taxas de sucesso longitudinal similares às do implante convencional imediato.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2SN78jv.

 

Análise dos fatores de risco de perda de implantes, especialmente em molar superior: um estudo retrospectivo de 6.977 implantes em indivíduos chineses

Zhou N, Dong H, Zhu Y, Liu H, Zhou N, Mou Y. Analysis of implant loss risk factors especially in maxillary molar location: a retrospective study of 6977 implants in Chinese individuals. Clin Implant Dent Relat Res 2019;21:138-44.

Por que é interessante: analisa potenciais fatores de risco para a perda de implantes, especialmente na região do molar superior.

Desenho experimental: estudo retrospectivo, realizado em 4.338 pacientes com 6.977 implantes, com quase três anos de acompanhamento. O método de Kaplan-Meier e o teste de Log-rank foram utilizados para realizar a análise da função de sobrevivência. O teste Qui-quadrado e a análise de regressão multivariada de Cox foram usados para identificar os fatores de risco relacionados à perda do implante.

Os achados: a taxa de sobrevivência geral foi de 97%. O sexo masculino e a enxertia foram considerados fatores de risco para perda de implantes na região dos molares superiores. Entretanto, o sexo masculino e os implantes curtos (< 10 mm) foram considerados fatores de risco para perda, considerando também todas as regiões de implantação.

Conclusão: mesmo com a melhora nos índices de sucesso, a região posterior da maxila continua sendo um grande desafio na Implantodontia.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2Woi8oS.

 

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