Publicado em: 18/04/2019 às 14h16

IDS 2019 aponta as tendências de mercado

O protesista e ceramista Dario Adolfi foi até a Alemanha para conferir as novidades da maior feira de produtos da Odontologia mundial.

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O IDS 2019 recebeu mais de 160 mil visitantes profissionais vindos de 166 países. (Fotos: Koelnmesse/IDS Cologne/Thomas Klerx)

 

Por Adilson Fuzo e
João de Andrade Neto

 

O mundo da Odontologia se encontrou no IDS 2019 – International Dental Show, realizado em março, na cidade de Colônia, na Alemanha. Em um espetáculo de organização e inovação, o evento recebeu mais de 160 mil visitantes profissionais vindos de 166 países, com mais de 2.300 empresas expositoras. Os números representam um recorde de público para a Koelnmesse, organizadora do encontro.

A indústria brasileira marcou presença na principal feira do setor de Odontologia do mundo. Ao todo, 26 empresas do País fecharam US$ 3,5 milhões em novos negócios durante os cinco dias de evento. Foram 1.278 contatos comerciais que ainda podem gerar mais US$ 7,1 milhões ao longo dos próximos 12 meses. O pavilhão brasileiro foi organizado pela Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos) em parceria com a Apex-Brasil.
 

IMPLANTES EM ALTA

Um dos grandes nomes da Odontologia brasileira, o protesista e ceramista Dario Adolfi esteve no IDS 2019 e ficou impressionado com a dimensão do encontro e com o volume de lançamentos apresentados ao mercado – a começar pela grande quantidade de empresas de implantes sediadas em diversos pontos do planeta, inclusive do Brasil, com qualidade e diversidade de produtos. “Os implantes estão altamente em evidência. É uma invasão ampla e irrestrita que eu não poderia imaginar. São empresas chinesas, coreanas, de todo o mundo. Só da Espanha eram seis ou sete, inclusive algumas especializadas em implantes cerâmicos. O Brasil também estava lá representado por companhias com alta qualidade competitiva”, conta Adolfi.
 

SISTEMAS DIGITAIS

Outro destaque foi o investimento em tecnologia. São produtos e soluções focados nas inovações tecnológicas nos mais diversos campos da Odontologia, desde a parte clínica até o segmento educacional, passando pela área laboratorial e industrial.

Neste leque de novidades, Adolfi destaca as amplas opções de sistemas digitais e da tecnologia CAD/CAM. “O que me chamou bastante atenção foram as fresadoras e os sistemas CAD/CAM, todos com altíssima qualidade, e muitas empresas, de grande e pequeno porte, falando do sistema fresado. Impressionante a quantidade de negócios que estão focados neste segmento e produzindo fresadoras”, conta.
 

IMPRESSORAS 3D

Ainda no segmento digital, as impressoras 3D também mereceram a atenção de Adolfi durante o evento na Alemanha. O professor relata uma diversidade de opções e finalidades, que vão desde a produção de alinhadores ortodônticos até o processo de produção de modelos, feitos com materiais de origens variadas. Há, inclusive, produtos que já utilizam a tecnologia para fazer a mistura dos materiais.

Adolfi faz uma comparação entre a impressora utilizada por ele no dia a dia de sua clínica e uma das opções apresentadas durante o IDS. “O grau de sofisticação começa a ficar impressionante. A minha impressora demora duas horas para produzir um ou dois modelos. Lá, eles realizavam 20 modelos em 20 minutos, pois fazem em escala. Eu vi máquina imprimindo zircônia, além de outros materiais, e fiquei impressionado”, revela.
 

ZIRCÔNIA

O IDS também confirmou uma tendência que já podia ser vista no Brasil: o crescimento do uso da zircônia. Além de suas qualidades, esse material também conta com o apelo comercial. “Eu fiquei encantado de ver o resultado de uma zircônia policromática. E eu venho de outra escola, dos materiais condicionáveis. Mas, ao pegar uma zircônia com aquela qualidade que eu vi, você não acredita que aquilo é zircônia”, aponta Adolfi.

O professor ressalta que a evolução desse sistema cerâmico o tornou praticamente um novo produto, se comparado às primeiras versões apresentadas ao mercado, e isso aconteceu principalmente pela introdução de uma tecnologia diferente. Segundo Adolfi, trata-se de uma zircônia híbrida, que ainda tende a evoluir. “Ela ainda vai melhorar, levando a um caminho de cada vez menos materiais utilizados. Isso economiza etapas, gera tempo e democratiza a Odontologia, além de barateá-la”, ressalta.
 

E O BRASIL?

Todas essas novas tecnologias estão disponíveis para os consumidores do mundo inteiro. No entanto, o vigor do mercado odontológico internacional tem dificuldade de ser reproduzido no Brasil. A situação econômica, em especial as condições para a importação de produtos e materiais, faz com que o processo seja mais caro aos profissionais brasileiros.

Adolfi relata que a mesma impressora 3D – aquela que produz materiais em 20 minutos – é vendida no Brasil por um valor dez vezes mais alto do que na Europa, por exemplo. “A Odontologia brasileira tem uma boa imagem perante o mundo, especialmente seus técnicos e clínicos. Mas, a principal lição que o profissional brasileiro leva do IDS é que não é fácil trabalhar no Brasil. Lá, eles têm todos os produtos extremamente acessíveis financeiramente, e que chegam aqui a um preço exorbitante. Ainda bem que há empresas brasileiras que importam. E, além disso, nós temos que incentivar o uso de produtos nacionais, pois somos competitivos e temos qualidade”, finaliza o professor.

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