Publicado em: 18/04/2019 às 15h16

Cinco perguntas para Gisseli Ávila

A doutora em Reabilitação Oral discute o processo de digitalização e o papel da alta tecnologia e do workflow digital na rotina do cirurgião-dentista.

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Gisseli Ávila é diretora do hospital odontológico Implar, de Poços de Caldas (MG).


Por João de Andrade Neto


Diretora do hospital odontológico Implar, de Poços de Caldas (MG), a doutora em Reabilitação Oral Gisseli Ávila acompanhou de perto a transformação do espaço nos últimos três anos, enquanto passou por uma imersão total no conceito de Odontologia Digital. O processo aconteceu em cinco etapas: mudança de consciência, otimização do uso de recursos digitais, migração do sistema, investimento em novos sistemas digitais e preparo técnico do uso desses equipamentos. Como resultado, o Implar apresenta um consultório modelo com equipamentos de alta tecnologia e workflow digital.

 

1. Como foi a decisão pelo investimento na tecnologia e no processo de digitalização do Implar?

A mudança de perfil do nosso cliente levou à necessidade de inserção na Odontologia digital. O crescimento no número de clientes vindos de outros países acelerou todo esse processo. A partir do momento que começamos a aplicar a Odontologia Digital, os nossos trabalhos passaram a ser realizados em um tempo muito menor e, assim, podemos atender as necessidades específicas destes clientes estrangeiros, que dispõem de tempo limitado para realizar o tratamento.
 

2. O que mudou no atendimento aos pacientes e como é o dia a dia da clínica?

A grande mudança está na entrega do trabalho em tempo menor. Todos os demais processos humanos, desde o agendamento, o acolhimento e até o atendimento, não mudaram após a inserção da tecnologia. Outra grande modificação foi o aumento significante no custo operacional, pois os sistemas digitais envolvem mais profissionais em cada trabalho – e não menos, como a maioria acredita – e com capacidade técnica diferenciada, o que gera um custo maior para a estrutura. Além disso, os materiais também têm valor mais elevado do que os convencionais, o que talvez ocorra por ainda não existir concorrência no mercado para a venda dos materiais e mão de obra qualificada para operar os equipamentos.
 

3. Como têm sido os resultados obtidos pela clínica até o momento, desde a visão do paciente até a viabilidade do negócio?

Desde que o processo foi iniciado, há três anos, houve mudanças sempre para melhor. Mas, isso não acontece de uma hora para outra. Depois do período inicial, podemos dizer que hoje estamos colhendo os resultados reais da transformação digital. Do ponto de vista do cliente, a melhora é percebida de forma imediata, pois agimos no fator tempo, que é a moeda do momento. A agilidade na entrega do trabalho é uma questão de grande valia para o paciente. Porém, para o profissional, isto não é tão simples, já que é necessário percorrer uma curva de aprendizado para ter condição de fazer o trabalho com a mesma qualidade, porém em menos tempo e utilizando os sistemas digitais. Durante essa fase de transição, corremos o risco, inclusive, de piorar a qualidade do trabalho. É importante ficar atento quanto a isso.


4. Como a alta tecnologia e o workflow digital auxiliam na rotina do cirurgião-dentista?

O uso da tecnologia e do workflow criou um novo método de trabalho, uma nova maneira de praticar a Odontologia, na qual você tem acesso às informações em tempo real, com uma série de equipamentos que aumentam a precisão do planejamento e do trabalho, tendo um controle maior de todo o processo. Do ponto de vista dos clientes, o workflow digital proporciona uma experiência odontológica diferenciada daquela que estão acostumados. O escaneamento digital por si só já suprime a etapa de moldagem com massas, oferecendo uma experiência muito mais agradável. O fato do cliente poder acompanhar todas as fases do tratamento, ou seja, ver o planejamento do sorriso, o escaneamento dos dentes e a prótese ser desenhada e fresada, faz com que a percepção de resultado seja muito mais transparente e dividida em várias etapas. Antes, o paciente só avaliava o resultado final, agora ele participa de todo o processo.
 

5. Quais são os maiores desafios da era digital na Odontologia brasileira? O Brasil está preparado?

O maior desafio da Odontologia Digital no Brasil é o número reduzido de empresas que fornecem os insumos e sistemas digitais, e a falta de opção na compra encarece bastante o acesso. Outro grande desafio é a carência de mão de obra especializada ou treinamentos eficazes envolvendo os conceitos digitais da Odontologia. Mesmo assim, o Brasil está preparado para esta nova fase. A Odontologia brasileira é muito rica em talentos, e à medida que estes profissionais – principalmente os formadores de opinião – descobrirem os reais benefícios que a Odontologia Digital pode trazer para seus negócios, o processo de transição se intensificará. Acredito que em um período relativamente curto, em torno de cinco anos, a grande maioria dos profissionais brasileiros já estará inserida nos conceitos da Odontologia Digital.

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