Publicado em: 18/04/2019 às 15h26

Diâmetro do implante: uma decisão importante

A experiência clínica e o bom senso do cirurgião-dentista vão definir a escolha do diâmetro do implante.

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Os implantodontistas se deparam diariamente com pacientes com características anatômicas diferentes, por isso uma decisão recorrente é: qual diâmetro de implante usar? A escolha do diâmetro do implante deve ser feita de forma minuciosa, pois um erro pode influenciar no resultado estético, na longevidade e na osseointegração. Os exames de imagem que temos hoje ajudam muito no planejamento e nessa decisão.

Com os conhecimentos obtidos por meio da colocação imediata de implantes, aprendemos que, se ele for posicionado perto da tábua óssea vestibular e sem a possibilidade de preenchimento do gap, pode haver perda óssea seguida por um defeito anatômico, comprometendo assim todo o resultado da estética final. Utilizar implantes com largo diâmetro em incisivos anteriores em maxila, que no início da técnica foi defendido como ideal, anos depois demonstrou ser um grande erro. Hoje, sabe-se que a recomendação para estas regiões são os implantes de diâmetro reduzido, que permitem um espaço maior para ser preenchido com enxerto entre o implante e a parede vestibular.

Nos casos em que o osso já está cicatrizado, se o implante for colocado próximo à tábua óssea vestibular, pode causar problemas importantes: retração gengival, inflamação, dor, sangramento e até iniciar um processo de peri-implantite, que é bem difícil de ser controlada, principalmente quando associada à gengiva não ceratinizada. A Figura 1 mostra um caso clínico com recessão gengival anos após a instalação de um implante com 4 mm de diâmetro em mandíbula com pouca espessura óssea e pouca gengiva ceratinizada. A solução seria realizar enxerto gengival, mas esse procedimento foi contraindicado devido à idade da paciente.

Figura 1 – Retração gengival e exposição do implante na vestibular, causadas pela reabsorção da tábua óssea vestibular. O diâmetro é incompatível com a espessura óssea.

 

A perda de osso vestibular por si só pode não prejudicar a osseointegração, porém, se o implante é colocado acima do nível ósseo e em áreas com pouca espessura, a sobrevivência no longo prazo estará comprometida. Nos casos que temos follow up longos sem intercorrência, os implantes foram colocados em nível ósseo ou até mesmo abaixo do osso original, com volume suficiente para o implante ficar circunscrito por osso. Nos casos em que isso não é possível, o aumento ósseo com enxerto torna-se necessário (Figura 3).

 

Figura 2 – Implantes
de diâmetro reduzido (3 mm) para áreas
com pouca distância entre os dentes.
Figura 3 – Follow up de 30 anos, com implantes
hexágono externo colocados abaixo do nível ósseo
e em espessura óssea suficiente.

 

Figura 4 – Implante em área de alvéolo,
com diâmetro de 3,5 mm,
deixando espaço para o gap
ser preenchido com biomaterial.
Figura 5 – Implante colocado em área de pouca espessura óssea, provocando perda do osso e retração gengival. A estética é totalmente comprometida.

 

O diâmetro do implante deve ser escolhido de acordo com cada situação clínica. Nas próteses fixas, o diâmetro não interfere muito nos resultados, pois os abutments são iguais para as plataformas estreitas, médias e largas.

Uma atenção especial deve ser dada à área de molares. Temos também por filosofia fazer um perfil de emergência compatível com o volume do dente original. Para isto, a indicação dos implantes com diâmetro largo de 5 mm tem nossa preferência (aproximadamente 95% dos casos) – incluindo aqui as áreas de extração imediata com enxerto mais tampão cirúrgico, tudo para que a anatomia alveolar não seja alterada. Dentes posteriores muito estreitos individualizados são queixas frequentes de pacientes, principalmente os que já possuem dentes naturais como referência.

Uma tendência em minha clínica é a indicação cada vez maior dos implantes de 3,5 mm de diâmetro. São ótimos para unitários de incisivos a pré-molares e funcionam muito bem também para próteses fixas posteriores, inclusive protocolos. Porém, devem ser trabalhados com cuidado, pois não aceitam muito torque de inserção e podem abrir. Além dos três diâmetros básicos citados, ainda existem os implantes especiais de 3 mm para áreas estreitas, como incisivos inferiores e incisivos laterais superiores. Esses implantes demandam um pouco mais de conhecimento e experiência do cirurgião pelas peculiaridades destas regiões.

A experiência clínica e o bom senso do cirurgião-dentista vão definir a escolha do diâmetro do implante. Hoje sabemos que se não forem bem planejadas, as cirurgias podem causar mais problemas do que solução. A osseointegração atingiu um patamar de excelência e, pelos conhecimentos atuais, os resultados chegaram a um nível que nem P-I Brånemark imaginaria. Não podemos, portanto, errar no básico – como a escolha do diâmetro do implante.


 

Laércio Wonhrath Vasconcelos

Especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial – Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Doutor em Implantodontia – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp/Araçatuba); Diretor da Clínica Vasconcelos Odontologia.

 

 

 

 

 

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