Publicado em: 18/04/2019 às 15h51

Regeneração óssea sem enxertos, membranas e retalhos

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior aborda a reabilitação com implantes mantendo a estética após perda de dois incisivos centrais na maxila.

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A reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG) foi inicialmente desenvolvida para a regeneração de alvéolos de elementos unitários. Com os promissores resultados alcançados pela técnica, as indicações, com muita cautela, foram se expandindo. Uma das aplicações mais excitantes foi o seu uso em áreas com indicação de extração de dois dentes contínuos.

A seguir, será apresentado o tratamento de duas regiões contínuas (11 e 21) na área estética. O caso clínico mostra como a RAPG permitiu obter, de forma simples e previsível, a regeneração do osso alveolar perdido por um trauma violento, sem a realização de incisões relaxantes e suturas, e com a preservação da linha mucogengival e da profundidade do vestíbulo. Além disso, houve menor morbidade, menor custo – devido a não utilização de biomateriais (como enxerto e membranas) – e, ao final do tratamento, a manutenção do arcabouço mucoso com um perfil emergente natural e estético.

Em agosto, estarei no IN 2019 apresentando esta e outras evoluções da RAPG.

Figuras 1 – A. Foto feita com a câmera do celular pelo paciente no dia do acidente. B. Radiografia periapical mostrando a fratura dos incisivos centrais na altura do terço apical e dos incisivos laterais no terço cervical. C. Imagem tomográfica do corte axial da região dos incisivos superiores, mostrando ausência da tábua óssea vestibular e fratura do osso palatino.

 

Figuras 2 – A. Modelo de trabalho da prótese fixa provisória confeccionada pelo Dr. Carlos Frederico Marinho. B. Marcação dos limites das margens gengivais estabelecidos pela prótese fixa provisória. C. Preparação do modelo de trabalho para a RAPG, removendo as coroas dos elementos 11 e 21. D. Escavação do nicho subgengival de 3 mm no modelo, respeitando os limites estabelecidos para as margens gengivais.

 

Figuras 3 – A. Para adaptar a prótese provisória ao modelo, os incisivos laterais também foram removidos. B. Paciente retornou ao consultório após conclusão dos tratamentos endodônticos e confecção dos núcleos fundidos nos elementos 12 e 22. C. Três semanas após o acidente, a mucosa cobriu a entrada dos alvéolos do 11 e 21. D. No dia do acidente, porém, antes da cirurgia da RAPG, acrescentou-se resina nas incisais distais dos elementos 12 e 22, para servir de indexador para a prótese se adaptar ao modelo de forma igual a que se adaptava dentro da boca.

 

Figuras 4 – A. Prótese fixa provisória removida. B. Adaptação precisa da prótese ao modelo preparado para RAPG. C. Após o reembasamento feito no modelo, os elementos 11 e 21 ficaram com uma extensão subgengival de 3 mm. D. A canaleta para estabilização das margens gengivais foi preparada no milímetro subgengival intermediário das extensões subgengivais.

 

Figuras 5 – A. Incisões circulares preservando as áreas de papilas permitiram a remoção dos restos radiculares com o auxílio de periótomo. B. Prótese fixa provisória cimentada.

 

Figuras 6 – A. Enceramento diagnóstico para iniciar o planejamento da instalação dos implantes. B. Guia cirúrgico prototipado, confeccionado pelo Dr. Diego Zimmermann. C. Planejamento de cirurgia reversa (no modelo). D. Análogos dos implantes instalados no modelo de gesso e as futuras margens gengivais demarcadas com lapiseira, baseadas no enceramento diagnóstico. 

 

Figuras 7 – A. Modelo virtual obtido após escaneamento. B. Sobreposição do enceramento no modelo virtual. C. A partir do enceramento, as margens gengivais foram demarcadas e o perfil emergente dos pilares protéticos foi estabelecido. D. Projeto dos pilares protéticos concluídos.

 

Figuras 8 – A. Seis meses após a RAPG, as canaletas permaneceram cobertas pela mucosa durante todo o período. B. Vista oclusal da área a ser implantada. C. Guia cirúrgico prototipado posicionado. D. As perfurações guiadas pelo sistema de chaves e anéis permitiram a instalação de dois implantes (3,5/13 mm) com torque acima de 35 Ncm.

 

Figuras 9 – A. Os pilares de zircônia personalizados em CAD/CAM (confeccionados no laboratório de prótese Sergio Valente) foram instalados com 15 Ncm. B. Vista frontal dos pilares instalados. C. Instalação das coroas provisórias. D. Controle de uma semana.

 

Figuras 10 – A. Corte tomográfico transaxial da região 11. B. Corte tomográfico transaxial da região 21. C. Controle clínico após três meses.

 

Figura 11 – Prótese final cimentada pelo Dr. Carlos Frederico Marinho.

 

 

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 


 

 

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