Publicado em: 31/05/2019 às 09h01

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti e Rafaela Videira fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Associação de medidas clínicas da doença periodontal com a pressão sanguínea e hipertensão arterial entre mulheres pós-menopausa

Gordon JH, LaMonte MJ, Genco RJ, Zhao J, Cimato TR, Hovey KM et al. Association of clinical measures of periodontal disease with blood pressure and hypertension among postmenopausal women. J Periodontol 2018;89(10):1193-202.

Por que é interessante: avalia a potencial associação da pressão sanguínea e prevalência de hipertensão com medidas clínicas da doença periodontal em mulheres pós-menopausa.

Desenho experimental: foram avaliadas as associações transversais de medidas clínicas da doença periodontal com a prevalência de hipertensão e pressão arterial sistólica (PAS), aferida em 1.341 mulheres pós-menopausa inscritas no Estudo de Osteoporose e Doença Periodontal (OsteoPerio) de Buffalo (Nova York). Foram obtidas as medidas clínicas periodontais: índice de placa (IP), índice gengival (IG), sangramento a sondagem (SS), profundidade de sondagem (OS) e nível de inserção clínica (NIC).

Os achados: o NIC e o número de dentes ausentes foram associados à PAS entre as que não tomam medicação anti-hipertensiva em modelos multivariáveis de regressão linear ajustados (p < 0,5). A altura da crista alveolar (ACA) e SS foram associados com a maior PAS em modelos brutos, mas não em modelos multivariáveis ajustados. Profundidade de sondagem e as categorias de severidade da periodontite não foram associadas à PAS. O número de dentes ausentes foi significativamente associado à hipertensão em modelos brutos e multivariáveis ajustados (OR=1,14, por cinco dentes | p=0,4). A ACA foi associada à hipertensão em modelos brutos, mas não ajustados. NIC, PS, SS e a severidade da periodontite não foram associados significativamente com a hipertensão.

Conclusão: estes resultados sugerem que medidas de saúde bucal, incluindo NIC e número de dentes ausentes, estão associadas com a pressão arterial em mulheres pós-menopausa.

Veja o artigo original em: https://bit.ly/2VCvayt

 

 

Biomarcadores periodontais de saliva e soro, e doença arterial coronariana

Lahdentausta LSJ, Paju S, Mäntylä P, Buhlin K, Tervahartiala T, Pietiäinen M et al. Saliva and serum biomarkers in periodontitis and coronary artery disease. J Clin Periodontol 2018;45(9):1045-55.

Por que é interessante: investiga e compara os níveis salivares e do soro de MMP-8, MMP-9, inibidor tecidual da matriz metaloproteinase (TIMP-1) e mieloperoxidase (MPO) na periodontite e na síndrome coronariana aguda (SCA).

Desenho experimental: foram coletadas amostras de saliva e de soro de 508 pacientes, classificados como tendo periodontite se houvesse perda óssea alveolar (leve a grave) e se apresentassem profundidade de sondagem (PS) ≥ 4 mm. Os pacientes foram classificados com SCA se fosse detectado > 50% de estenose na angiografia em pelo menos uma artéria coronária, se relatassem episódio de dor toráxica típica e elevadas enzimas cardíacas.

Os grupos experimentais eram compostos por pacientes com periodontite e sem periodontite, e com SCA versus sem SCA.

Os achados: MMP-8, MMP-9 e MPO salivares proporcionaram uma área de curva significativa para valores de periodontite: 0,69 (< 0,1), 0,66 (< 0,1) e 0,68 (< 0,1), respectivamente. MMP-8, MMP-9 e níveis de MPO no soro distinguiram-se em pacientes com SCA e sem SCA, com área de curva significativa de 0,73 (< 0,1), 0,58 (0,3) e 0,68 (< 0,1), respectivamente. A periodontite confundiu o uso de MMP-9 do soro no diagnóstico de SCA. O status cardíaco complicou o uso de TIMP-1 salivar no diagnóstico periodontal.

Biomarcadores de saliva não podem ser utilizados no diagnóstico de SCA, e os biomarcadores do soro não foram úteis no diagnóstico de periodontite.

Conclusão: MMP-8, MMP-9, TIMP-1 e MPO são biomarcadores valiosos para SCA e periodontite, mas a seleção do material amostral é crucial: o soro é adequado para SCA e saliva para auxílio no diagnóstico periodontal.

Veja o artigo original em: https://bit.ly/2Hrlnat

 

 

 

Fatores potenciais de desvio que afetam os guias cirúrgicos estereolitográficos: uma revisão sistemática

Lopez DAS, Garcia I, Salomao GS, Laganá DC. Potential deviation factors aff ecting stereolithographic surgical guides: a systematic review. Implant Dent 2019;28:68-73.

Por que é interessante: estuda os fatores que podem influir nos guias estereolitográficos.

Desenho experimental: revisão da literatura baseada em dados do Embase, Cochrane e PubMed publicados entre 2012 e 2017. Buscou-se a correlação entre fatores como suporte (dentes, mucosa e osso), número de gabaritos, pinos de fixação, produção do guia e sistemas para cirúrgica estática guiada pelo computador.

Resultados: de 761 artigos recuperados, foram analisados 24, o que inclui 2.767 implantes. Os desvios estavam relacionados ao planejamento, fatores laboratoriais e fases cirúrgicas. O desvio angular médio foi de 3 graus, sendo 1,14 no ponto de entrada e 1,46 na posição do ápice.

Conclusão: algumas medidas de segurança são fornecidas para melhorar o processo de cirurgia guiada.

Veja o artigo original em: https://bit.ly/2WfYIWE

 

 

Potenciais fatores de risco para perfuração da membrana do seio maxilar e análise do resultado do tratamento

Marin S, Kimbauer B, Rugani P, Payer M, Jakse N. Potential risk factors for maxillary sinus membrane perforation and treatment outcome analysis. Clin Implant Dent Relat Res 2019;21:66-72.

Por que é interessante: avalia os fatores de risco que levam à perfuração da membrana do seio maxilar.

Desenho experimental: 121 pacientes foram submetidos ao procedimento cirúrgico. Houve avaliação dos contornos do seio maxilar, parede lateral, septos, vasos, comunicação prévia, cirurgia, número de unidades dentárias etc.

Resultados: no total, foram realizados137 procedimentos cirúrgicos, com 19 casos de perfuração. Os contornos do seio maxilar (estreito) e a espessura da membrana (< 1 mm) foram os fatores de risco.

Conclusão: apesar das perfurações, todas foram tratadas com sucesso utilizando uma membrana de colágeno.

Veja o artigo original em: https://bit.ly/2YJBmXp

 

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