Publicado em: 31/05/2019 às 09h31

Fixação de membranas

Elcio Marcantonio Jr e Fausto Frizzera abordam aspectos mais importantes da fixação de membranas.

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Qual é o objetivo da fixação de uma membrana?

Um dos princípios para obter maior previsibilidade na regeneração de tecidos é a estabilização do enxerto. Evitar a macro ou a micromovimentação das partículas do material enxertado permitirá melhor neoformação vascular e óssea, prevenindo complicações futuras, como encapsulamento do enxerto por tecido fibroso. Ainda, uma membrana devidamente fixada beneficia os substitutos ósseos que apresentam apenas a propriedade de osteocondução e que dependem da sua substituição por um novo tecido1.


Em quais situações devemos fixar as membranas?

Dentre os diversos tipos de classificação dos defeitos ósseos, podemos dividi-los em contidos ou não contidos. Os defeitos contidos apresentam paredes ósseas ao seu redor, o que torna o procedimento de regeneração óssea mais previsível do ponto de vista biológico e físico, pois a área está rodeada por osso que estabiliza mecanicamente o enxerto2. Como exemplos desse tipo de defeito, temos os alvéolos íntegros ou a cavidade formada na região de seio maxilar após a elevação de sua membrana. Nessas situações, normalmente, as membranas não precisam ser fixadas. Já os defeitos não contidos têm ausência de uma ou mais paredes ósseas e, quanto menor o número de paredes remanescentes, mais difícil se torna estabilizar o material de enxerto3. A enxertia desse tipo de defeito é beneficiada pela fixação das membranas, que permitem maior regeneração óssea da área. Rebordos com defeitos em espessura ou combinados (espessura e altura) são situações clínicas indicadas para receber a fixação de membranas, independentemente se o implante vai ser instalado de maneira simultânea ou após a incorporação do enxerto.


Como posso estabilizar essas membranas?

As membranas podem ser estabilizadas de diferentes maneiras e a escolha dependerá de uma série de fatores e das preferências do profissional. As tachinhas são versáteis na fixação das membranas pelo seu pequeno tamanho, podendo ser utilizadas na maior parte das situações clínicas, mesmo em áreas com pouca quantidade e qualidade óssea1. Já parafusos de enxertia dependem de uma maior quantidade de remanescente ósseo para serem instalados. Se existe periósteo apicalmente e/ou lateralmente ao defeito, pode-se estabilizar as membranas com fios reabsorvíveis por meio de suturas simples, em colchoeiro ou em X. Adesivos tissulares para uso cirúrgico interno podem ser empregados em situações em que não é possível estabilizar a membrana convencionalmente4. Ainda, se um implante será instalado associado ao procedimento de regeneração óssea, a membrana pode ser fixada em sua porção cervical com o auxílio do tapa implante ou cicatrizador.


Toda membrana pode ser fixada?

As membranas não reabsorvíveis, usualmente, possuem propriedades físicas compatíveis com sua fixação. Já as reabsorvíveis devem apresentar resistência mecânica suficiente para suportar as forças de compressão, tensão ou tração impostas pelo retalho, pelos biomateriais e pela própria inflamação do tecido, que ocorre no período pós-operatório1. Antes de utilizar uma determinada membrana, é importante checar as recomendações do fabricante para verificar a possibilidade de fixação e qual é o método mais apropriado.


Membranas reabsorvíveis são frequentemente associadas a enxertos particulados para regeneração óssea em espessura sem qualquer método de fixação. Nessas situações, o que ocorre com a região enxertada?

Imediatamente após a sutura já se espera uma grande redução da área enxertada. Além disso, o processo de regeneração também poderá ser prejudicado devido ao risco de movimentação das partículas do enxerto. Um estudo recente5 demonstrou que o rebordo, que apresentava ± 3 mm em espessura de enxerto ósseo na sua região cervical e não recebeu fixação da membrana, teve seu volume reduzido para ± 1 mm logo após a sutura. Já as áreas que receberam membranas reabsorvíveis ou não reabsorvíveis e foram fixadas apresentaram espessura de ± 2 mm. Esse estudo levou em consideração apenas a mudança de volume que ocorre na região cervical após a sutura, sendo que o enxerto foi deslocado em direção apical e lateral. Ainda devemos levar em consideração que uma série de eventos clínicos e biológicos irão ocorrer na região enxertada, o que poderá influenciar no grau de remodelação do enxerto ósseo e limitar o seu aumento6.

 

REFERÊNCIAS
1. Wessing B, Lettner S, Zechner W. Guided bone regeneration with collagen membranes and particulate graft materials: a systematic review and meta-analysis. Int J Oral Maxillofac Implants 2018;33(1):87-100.
2. Benic GI, Hammerle CH. Horizontal bone augmentation by means of guided bone regeneration. Periodontology 2000 2014;66:13-40.
3. Meijndert L, Raghoebar GM, Meijer HJ, Vissink A. Clinical and radiographic characteristics of single-tooth replacements preceded by local ridge augmentation: a prospective randomized clinical trial. Clin Oral Implants Res 2008;19:1295-303.
4. Pascual G, Rodríguez M, Mesa-Ciller C, Pérez-Köhler B, Fernández-Gutiérrez M, San Román J et al. Sutures versus new cyanoacrylates in prosthetic abdominal wall repair: a preclinical long-term study. J Surg Res 2017;220:30-9 (DOI: 10.1016/j.jss.2017.06.074).
5. Mertens C, Braun S, Krisam J, Hoff mann J. The infl uence of wound closure on graft stability: an in vitro comparison of different bone grafting techniques for the treatment of one-wall horizontal bone defects. Clin Implant Dent Relat Res 2019;21(2):284-91.
6. Simon BI, Von Hagen S, Deasy MJ, Faldu M, Resnansky D. Changes in alveolar bone height and width following ridge augmentation using bone graft and membranes. J Periodontol 2000;71:1774-91.

 

 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Fausto Frizzera

Especialista e mestre em Periodontia, e doutor em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor titular de Periodontia e Implantodontia – Faesa Centro Universitário; Professor da pós-graduação em Implantodontia – ABO/ES.

 

 

 

 

 

 

 

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