Publicado em: 31/05/2019 às 09h56

Alveolite seca: qual é o melhor tratamento?

Eduardo Dias de Andrade e equipe respondem perguntas postadas no Grupo Perio-Implantar, do Facebook.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo

“Qual o tratamento da alveolite seca e quais medicamentos devo prescrever?”.

Pergunta postada no Grupo Perio-Implantar, do Facebook.

 

A alveolite seca é caracterizada pela desintegração do coágulo sanguíneo, que deixa o alvéolo dental vazio, recoberto por uma camada amarelo-acinzentada constituída por detritos e tecido necrótico.

Ao exame físico, são observados restos do coágulo necrosado e acúmulo de alimento na região, pela dificuldade de higienização. O tecido de granulação do processo de reparo normal, que é rico em vasos neoformados e sensível ao toque, não deve ser confundido com o quadro de alveolite seca, que sempre apresenta dor intensa e espontânea1.

O tratamento ideal seria aquele no qual houvesse possibilidade de aliviar a dor e propiciar um “novo” coágulo sanguíneo para preencher o alvéolo, criando condições para o processo natural de reparo alveolar sem precisar introduzir composto ou substância no interior do alvéolo. Porém, em alguns casos isto não é possível1.

(Imagem: Shutterstock)


 

PROTOCOLO DE TRATAMENTO DA ALVEOLITE1

• Anestesia local, evitando-se infiltrar a solução anestésica ao redor do alvéolo;

• Irrigar o alvéolo abundantemente com solução fisiológica estéril;

• Com uma cureta de Lucas, inspecionar cuidadosamente o alvéolo, removendo corpos estranhos que porventura não extravasaram após a irrigação;

• Fazer nova irrigação com solução fisiológica e, em seguida, com uma solução de digluconato de clorexidina 0,12%;

• Não usar sutura;

• Orientar o paciente quanto aos cuidados pós-operatórios: alimentação fria, líquida ou pastosa, evitar bochechos nas primeiras 24 horas, lavar a boca cuidadosamente (sem bochechar) com uma solução de digluconato de clorexidina 0,12%, a cada 12 horas, para evitar o acúmulo de placa dentária.

• Prescrever dipirona (500 mg a 1 g) a cada quatro horas, pelo período de 24 a 48 horas;

• Agendar consulta de retorno após 48 horas ou antes, caso a dor não tenha sido aliviada.

Se a dor não for suprimida com estas medidas, deve-se repetir os procedimentos de irrigação. Nestes casos refratários, pode-se aplicar uma pasta medicamentosa no interior do alvéolo, contendo metronidazol e lidocaína (manipulada em farmácias), que possui boa compatibilidade biológica com os tecidos orgânicos e proporciona redução da dor, sem interferir significativamente nos processos de reparo alveolar2-3.
 

Composição:

• Metronidazol 10% (ação antibacteriana);

• Lidocaína 2% (ação anestésica local);

• Essência de menta (aromatizante, para eliminar o odor desagradável);

• Lanolina ou carboximetilcelulose (como veículo, para dar consistência à pasta e permitir sua aderência às paredes do alvéolo).
 

Procedimentos para aplicação:

• Isolar o campo e secar cuidadosamente o alvéolo com gaze estéril;

• Por meio de uma seringa de 3 ml com agulha 40 x 12, preencher todo o alvéolo com a pasta medicamentosa;

• Solicitar ao paciente para morder uma gaze sobre o local, sem muita pressão, por dez a 15 minutos.

Os antibióticos não são indicados nos casos de alveolite seca. São reservados apenas para os quadros em que há exsudato purulento no alvéolo (alveolite “úmida”), acompanhados de sinais de disseminação local ou manifestações sistêmicas do processo infeccioso, como linfadenite ou febre.

 

REFERÊNCIAS
1. Andrade ED, Passeri LA, Moraes M. Cirurgia bucal. In: Andrade ED. Terapêutica medicamentosa em odontologia (3a ed.). São Paulo: Artes Médicas, 2014. p.101-10.
2. Poi WR, Carvalho PSP, Andrade ED. Estudo histológico do comportamento do tecido conjuntivo subcutâneo de ratos ao implante de uma pasta à base de metronidazol a 10 % e lidocaína a 2%. RGO 1999;47(2):102-9.
​3. Rodrigues TS, Poi WR, Panzarini SR, Bezerra CS, Silva JL. Histological investigation of a 10% metronidazole and 2% lidocaine dressing on wound healing in rats. Minerva Stomatol 2006;55(11-12):619-26.

 

 

Eduardo Dias de Andrade

Graduado, mestre, doutor, livre-docente, professor titular e responsável pela área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica – FOP-Unicamp. Autor dos livros "Terapêutica Medicamentosa em Odontologia" e "Emergências Médicas em Odontologia".


 

 

Colaboração:

Francisco Carlos Groppo

Graduado, mestre, doutor, livre-docente e professor titular de Farmacologia – FOP-Unicamp; Pós-doutor em Periodontia – Harvard University e The Forsyth Institute (EUA).

 


 

Maria Cristina Volpato

Graduada, mestra, doutora, livre-docente e professora titular de Farmacologia e Terapêutica Medicamentosa – FOP-Unicamp.

 

José Ranali

Graduado em Odontologia, mestre e doutor – Universidade de Campinas (Unicamp).

  • Imprimir
  • Indique a um amigo