Publicado em: 31/05/2019 às 10h26

Faça o furo com ciência (para não se tornar o “furo de reportagem” depois)

Paulo Rossetti e Antonio Sallum ressaltam aspectos dos materiais e dos processos envolvidos naquilo que nos parece tão simples quanto beber água.

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O funcionamento dos parafusos que possuem roscas é clássico. Não sou engenheiro, mas aprendi que há modelos e desenhos que podem suportar 80 kg ou mais depois de colocados nas paredes. Estas sim são as tais “fixações” (tradução do termo inglês fixture), palavra que ficou popular na Implantodontia porque P-I Brånemark a adotou tentando fugir do tradicional dental implant, estigmatizado pelas baixas taxas de sucesso até o final da década de 1970. Felizmente, este cenário se inverteria após a Conferência de Toronto em 1980 e os seus frutos são vistos até os dias de hoje.

Entretanto, não importa se você gosta de colocar fixtures ou implants. Para ambos, há uma ciência e ela deve ser respeitada. Porém, no segundo caso, diferente do concreto, o tecido ósseo “conversa” e sua biologia nem sempre traz o resultado esperado. Intuitivamente, nós “criamos” inúmeras variações porque o objetivo final é estabilizar o implante.

Uma furação incorreta no concreto pode ser consertada removendo-se o parafuso, fechando o local e, mais tarde, regressaremos. No tecido ósseo é muito diferente. O trajeto pode ser bastante variado e influenciar a habilidade tátil do operador. Certamente, ninguém quer passar pela sensação de dizer ao paciente que o implante não osseointegrou.

Se lermos atentamente os trabalhos iniciais do grupo do Prof. Brånemark, vamos perceber que os primeiros desenhos de implantes contemporâneos foram colocados com instrumentos rotatórios, adaptando-se da melhor forma possível as fixações no leito receptor, delicadamente. Naquele momento, não havia muitos detalhes ou informações numéricas sobre formatos, conicidade, material de revestimento, ápice ou poder de corte das fresas na realidade implantológica. Mesmo assim, a indústria do desenho dos implantes e das fresas evoluiu, é verdade. Mas, no tecido ósseo, por mais que agora tenhamos tecnologias que nos permitam dizer sobre sua densidade ou capacidade biológica, o grau de instrumentação final é decisão do operador.

Somente para registrar, um trabalho experimental recente em animais mostra que, para determinado desenho de implante, não levar a instrumentação até o final realmente vai aumentar o torque de inserção. Porém, quando colocado em carga imediata, este implante perderá mais osso marginal inicialmente e terá um BIC reduzido*.

Assim, este número da ImplantNewsPerio traz, além dos grandes colunistas, artigos científicos e informações do mercado, detalhes fundamentais sobre o processo da osteotomia. Realmente, poderemos compreender (e nos surpreender) sobre como é importante conhecer os aspectos dos materiais e dos processos envolvidos naquilo que nos parece tão simples quanto beber água.

Desejamos que você faça muitos furos com ciência. No entanto, prepare-se para não perder o grande furo (e melhor) do ano: o congresso IN 2019.


 

Paulo Rossetti

Editor científico
de Implantodontia
da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico
de Periodontia
da ImplantNewsPerio

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