Publicado em: 12/08/2019 às 08h15

ROG com enxertos sintéticos customizados por impressão 3D

Jamil Shibli detalha a evolução dos enxertos sintéticos customizados fresados na regeneração óssea de defeitos alveolares.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo

Há três anos, essa mesma coluna1 abordou as vantagens e a inovação na utilização de enxertos sintéticos customizados fresados na regeneração óssea de defeitos alveolares. Essa técnica foi descrita detalhadamente em 2014, em um artigo publicado no Journal of Oral Implantology2. Os blocos erampreparados após a obtenção das imagens dos defeitos e reconstrução tridimensional do defeito e/ou atrofia. Esses blocos customizados foram preparados em carbonato de cálcio e, embora fossem altamente compatíveis, não apresentavam resistência mecânica e poderiam fraturar ou trincar (Figuras 1).

Figuras 1 – A. Arquivo STL do rebordo alveolar. B. Vista oclusal aproximada da região edêntula. C. Obtenção do arquivo necessário para a fresagem do bloco personalizado. D. Bloco de enxerto sendo preparado para fresagem e obtenção do fragmento personalizado. E. Comparação entre o modelo virtual e o assentamento clínico final do caso.


Desde então, vários outros materiais foram avaliados na tentativa de suprir essa fragilidade mecânica. Entretanto, na medida que aumentava a resistência mecânica, reduzia drasticamente as propriedades biológicas, como incorporação, substituição e reabsorção do biomaterial. Enxertos homógenos e heterógenos surgiram como alternativas (Figuras 2), mas sem sucesso.

Figuras 2 – A. Fragmento de bloco heterógeno (bovino) fresado, já solto e preparado para o procedimento. É possível notar algumas tênues diferenças entre o modelo CAD e o bloco final. B. Aspecto clínico do bloco fixado ao leito receptor. Caso realizado com o Dr. Eduardo Mukai.


De lá para cá, muitas outras tecnologias disruptivas apareceram e a impressão 3D de blocos utilizando biocerâmicas, seguramente, suprirá essa demanda (Figura 3). Essa tecnologia pode utilizar hidroxiapatitas e polímeros como matéria-prima, além de permitir a reconstrução de vários padrões geométricos complexos e de padronizar o tipo de microestrutura (tamanho, quantidade de poros e lacunas). Outro ponto importante é a fidelidade micrométrica de detalhes que, devido à técnica de impressão utilizada, esmiúçam aspectos inerentes aos mais variados tipos de defeitos.

Figura 3 – Planejamento de caso de severa atrofia mandibular com blocos cerâmicos customizados impressos em 3D. Mais resistência para fixação e melhor vascularização para o bloco.


Assim como na produção do enxerto customizado e preparado por fresadora, essa técnica parte do mesmo princípio diagnóstico e de planejamento: aquisição de imagem tomográfica e conversão do arquivo em formato Dicom – do inglês digital imaging and communications in Medicine ou comunicação de imagens digitais em Medicina – que, posteriormente, será reformatado por um software de reconstrução 3D. O defeito e/ou atrofia será reconstruído segundo o tamanho do segmento necessário para a regeneração óssea guiada. O bloco customizado será preso por meio de parafusos ao leito receptor. Após a perfeita adaptação dos blocos, eles poderão ser carreados com rhBMP-2, PRF ou outro fator de crescimento. Entretanto, uma coisa é fundamental: planejamento. Essa tecnologia só funciona bem após um cuidadoso e detalhado planejamento cirúrgico e um pouco de predicabilidade técnica. Portanto, vamos ao futuro? Ou será presente?
 

REFERÊNCIAS
1. Shibli JA. ROG com enxertos sintéticos customizados em CAD/CAM. INPerio 2016;1(4):810-2.
2. Mangano F, Machi A, Shibli JA, Luongo G, Iezzi G, Piattelli A et al. Maxillary ridge augmentation with custom-made CAD/CAM scaffolds. A 1-year prospective study on 10 patients. J Oral Implantol 2014;40(5):561-9.


 

Jamil A. Shibli

Professor titular do Programa de pós-graduação em Odontologia, áreas de Implantodontia e Periodontia – Universidade Guarulhos (UnG); Livre-docente do Depto. de Cirurgia e Traumatologia BMF e Periodontia – Forp/USP; Doutor, mestre e especialista em Periodontia – FOAr-Unesp.

 

 

 

  • Imprimir
  • Indique a um amigo