Publicado em: 12/08/2019 às 08h20

Fábio Bezerra: a pessoa certa na hora certa

Com trajetória de sucesso entre Bauru, Salvador e São Paulo, Bezerra fez parte da primeira geração de implantodontistas criados na Osseointegração. Agora, ele planeja o futuro do digital na Odontologia.

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Fábio Bezerra é um dos grandes nomes da Reabilitação Oral do Brasil na atualidade. (Foto: divulgação)


por João de Andrade Neto


A descoberta da Osseointegração revolucionou a Implantodontia. O protocolo de colocação de implantes dentários desenvolvido por P-I Brånemark na década de 1960, na Suécia, chegou ao Brasil no final de 1980 e beneficiou aquela geração de cirurgiões-dentistas que se formou já sob os ensinamentos do pai da Osseointegração. Entre eles estava Fábio Bezerra, sempre presente no lugar certo e na hora certa, aproveitando os aprendizados e compartilhando experiências com importantes mestres da Odontologia. Ao longo de sua trajetória, Bezerra tornou-se especialista em Implantodontia, mestre em Periodontia, doutor em Biotecnologia e diretor executivo do Digidental, além de ser um dos grandes nomes da Reabilitação Oral do Brasil na atualidade.

Seu amor pela Odontologia começou na infância e foi, em parte, inspirada pela tia cirurgiã-dentista. Firme em seu propósito, ele decidiu se mudar de Dracena (SP) para Bauru (SP) aos 17 anos para cursar a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOB/USP). A experiência foi determinante para a caminhada pessoal e profissional do jovem estudante. “Bauru mudou radicalmente minha vida. Conheci a minha esposa e tive grandes mestres, em especial o professor Carlos Eduardo Francischone – que, sem dúvida, foi meu maior modelo, meu guru, a pessoa com a qual eu fiz a minha primeira linha de pesquisa e coloquei o meu primeiro implante”, recorda.

O contato com Francischone abriu novas possibilidades para o então estudante, em especial por conta do aprendizado junto ao mestre P-I Brånemark. “Apesar de ser muito jovem, em 1989, durante a clínica integrada na graduação tive contato com os implantes. Eu fui o primeiro aluno de graduação do Brasil a colocar um implante em paciente, quando ainda não se falava disso”, comenta. No ano seguinte, ele conquistou o seu primeiro prêmio científico, na Jornada Acadêmica de Lins (SP), quando conseguiu o primeiro lugar apresentando um caso clínico com implante unitário em região estética.

Além do aprendizado técnico, Bezerra aproveitou a oportunidade de conviver com nomes já consolidados na Odontologia, como Vicente de Souza Pinto, Laércio Vasconcelos e Marco Antonio Bottino. Essa troca de conhecimentos proporcionou uma visão mais ampla sobre a profissão, com um novo conceito sobre prestação de serviços, melhoria de qualidade de vida e apelo social da Odontologia.
 

UM NOVO DESTINO

Assim como a decisão pela Odontologia, o caminho para a Implantodontia foi natural. Finalizada a graduação, Fábio Bezerra iniciou a pós-graduação em Periodontia, ainda em Bauru. Foi neste período que conheceu a futura esposa, baiana e também dentista. Em 1991, ele visitou e se apaixonou pela Bahia, onde também viu uma oportunidade de trabalho, principalmente pela falta de especialistas em Implantodontia.

Desta forma, mudou-se para Salvador. Com o auxílio de Francischone e Laércio Vasconcelos, Bezerra realizou o curso de credenciamento e garantiu a permissão para atuar na área de Implantodontia. Após muitos empecilhos, incluindo uma parceria desfeita na véspera de sua primeira cirurgia, ele enfim conseguiu uma paciente em Salvador. Mas, sem os equipamentos necessários, o paulista teria que encontrar uma solução rápida – e, principalmente, acessível ao seu momento financeiro. Foi então que um amigo em comum apresentou o já renomado professor Vicente de Souza Pinto, que havia adquirido um novo equipamento e estava disposto a vender o usado.

Em um contato telefônico amigável, Bezerra contou com uma importante colaboração de Vicente Souza Pinto. “Ele me disse que estava vendendo o equipamento pela metade do preço, o que para mim continuava inviável. Mas, eu fui honesto e relatei minha história, incluindo a parte da paciente já programada, e comentei sobre o valor que eu tinha disponível naquele momento para pagar. Ele falou para eu buscar o equipamento em São Paulo e que pagasse quando e como pudesse”, revela.

Emocionado, o jovem implantodontista partiu de Salvador para São Paulo. “Se não fosse o Vicente, eu não teria seguido o caminho que percorri”, recorda-se, ao completar que demorou mais de um ano para quitar a dívida, mas que ali nasceu uma amizade que hoje dura quase 30 anos.

A partir daí, Bezerra intercalou o trabalho como docente e também em sua clínica, o Cenior. Em 1992, novamente ao lado de Francischone e Laércio Vasconcelos, ele organizou o primeiro curso de credenciamento da Nobel na região Nordeste, realizado na Bahia. O objetivo era recrutar 12 alunos, porém, o alto interesse pela nova especialidade levou 60 profissionais a se inscreverem. O excelente resultado o ajudou a desenvolver e aperfeiçoar sua clínica odontológica na capital baiana. Ao mesmo tempo, manteve contato com profissionais de São Paulo e seguiu com a produção de trabalhos científicos.
 

UM PÉ LÁ, OUTRO CÁ

Mais experiente, com trabalhos relevantes na Implantodontia e forte presença em congressos da especialidade, Fabio Bezerra passou a dividir a rotina clínica com a realização de trabalhos de consultoria científica para grandes empresas, como Nobel, Straumann e 3i, sempre intercalando seu tempo entre Bahia e São Paulo. Quando chegou à SIN, em 2003, Bezerra assumiu um papel ainda mais relevante, até que em 2011 recebeu uma proposta para se tornar diretor de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Mas, para isso, teria que morar na capital paulista. Ao lado da família, após muito pensar, decidiu aceitar o novo desafio.

Já em São Paulo, no entanto também atendendo a cada 15 dias em Salvador, ele inaugurou em 2016 o Digidental Solutions, um laboratório totalmente focado no modelo digital. A experiência tem sido importante em sua caminhada profissional. “Essa foi uma das grandes oportunidades para entrar no mundo digital, neste momento de importantes mudanças no planejamento e nas etapas cirúrgicas e protéticas. Foi um desafio conhecer novas tecnologias, tornando possível montar uma estrutura para execução das diferentes etapas de planejamento e do tratamento no ambiente virtual”, relata.

Apesar dos avanços já consolidados no dia a dia das clínicas, Bezerra entende que há muito para ser desenvolvido na rotina odontológica, especialmente com a participação da inteligência artificial. O cenário, entretanto, é de otimismo. “Acredito que a Odontologia de excelência independe das ferramentas digitais, mas a somatória das duas é encantadora. O fato de podermos praticar os princípios biológicos, com a nossa experiência clínica e os benefícios digitais, fará com que tenhamos novas décadas de sucesso e desafios”, define.

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