Publicado em: 12/08/2019 às 08h36

Inserção de implantes em paciente que usa gosserrelina

Eduardo Dias de Andrade e equipe respondem perguntas postadas no Grupo Perio-Implantar, do Facebook.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo
(Imagem: Shutterstock)

 

“Tenho um paciente de 76 anos em tratamento de doença da próstata e tomando injeções de Zoladex. É contraindicada a colocação de implantes?”.

Pergunta postada no Grupo Perio-Implantar, do Facebook.


O Zoladex (acetato de gosserrelina) é empregado no tratamento de doenças passíveis de manipulação hormonal, como alguns tipos de câncer prostático, câncer de mama e controle da endometriose ou do leiomioma uterino. Sua administração contínua resulta na inibição da liberação do hormônio luteinizante (LH) pela glândula hipófise, o que leva à queda das concentrações no sangue de testosterona nos homens e de estradiol nas mulheres.

Algumas de suas reações adversas comuns (que ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento) podem ser de interesse para a Odontologia, como a diminuição da densidade mineral óssea e as alterações da pressão arterial sanguínea (hipotensão ou hipertensão). Apesar disso, não há indícios ou evidências na literatura científica que associem a monoterapia de Zoladex com a osteonecrose dos maxilares ou que contraindiquem a inserção de implantes em pacientes em tratamento com este medicamento.

Entretanto, é prudente elaborar um termo de consentimento livre e esclarecido informando os possíveis riscos de complicações da intervenção cirúrgica e suas consequências, como o insucesso do implante ou a possibilidade remota de osteonecrose dos maxilares, particularmente se o Zoladex for empregado em conjunto com os bifosfonatos ou outras drogas antirreabsortivas ósseas.

Também convém relembrar o cuidado de avaliar a pressão arterial e o pulso carotídeo antes da anestesia local, e evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroides. De acordo com as informações técnicas do fabricante (AstraZeneca do Brasil), até o momento não são conhecidas interações medicamentosas adversas.

 

Eduardo Dias de Andrade

Graduado, mestre, doutor, livre-docente, professor titular e responsável pela área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica – FOP-Unicamp. Autor dos livros "Terapêutica Medicamentosa em Odontologia" e "Emergências Médicas em Odontologia".


 

 

Colaboração:

Francisco Carlos Groppo

Graduado, mestre, doutor, livre-docente e professor titular de Farmacologia – FOP-Unicamp; Pós-doutor em Periodontia – Harvard University e The Forsyth Institute (EUA).

 


 

Maria Cristina Volpato

Graduada, mestra, doutora, livre-docente e professora titular de Farmacologia e Terapêutica Medicamentosa – FOP-Unicamp.

 

José Ranali

Graduado em Odontologia, mestre e doutor – Universidade de Campinas (Unicamp).

  • Imprimir
  • Indique a um amigo