Publicado em: 12/08/2019 às 08h56

David Garber e Howard Gluckman debatem a digitalização de processos

Conhecimento conectado: entrevistados por Mario Groisman, os renomados professores abordam a importância da rapidez na troca de informações.

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David Garber, Mario Groisman e Howard Gluckman conversaram sobre os artigos mais importantes.

 

A Odontologia de modo geral, incluindo a Implantodontia, vive um momento de evolução nunca antes experimentado. Esse cenário é consequência de dois fatores: digitalização de processos e rapidez na troca de informações. Como ambos são movimentos que tendem a se intensificar, o cirurgião-dentista precisa estar preparado para conhecê-los e tirar o melhor proveito.

Esse assunto foi o foco da entrevista liderada pelo brasileiro Mario Groisman, mestre em Ciências Odontológicas e especialista em Periodontia e Implantodontia, que ouviu o norte-americano David Garber – professor de Periodontia e Reabilitação Oral na Universidade de Augusta (Estados Unidos), além de diretor do Team Atlanta, uma das clínicas odontológicas mais conceituadas do mundo – e também o sul-africano Howard Gluckman – diretor da Academia de Implante e Estética, em Joanesburgo (África do Sul).

Tanto Garber quanto Gluckman fazem parte do Dental XP, um website focado em educação e com visitantes de mais de 140 países, cujo conteúdo é fornecido por profissionais amplamente reconhecidos em suas áreas de atuação. A partir do encontro de pesquisadores desse grupo, foi desenvolvido o protocolo de extração parcial, que é outro tema debatido nesta entrevista. Acompanhe.
 

Vista aérea do Cristo Redentor e da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ). (Imagens: Shutterstock)

 

Mario Groisman – Temos uma longa história na Odontologia e na Implantodontia. Na sua opinião, quais foram os artigos mais importantes para mudar os protocolos e a maneira como vemos a Odontologia hoje?
David Garber – Acredito que foi quando percebemos que o implante deve ser uma extensão do dente. Nosso processo de pensamento mudou e, naquele momento, começamos a conversar sobre deixar a restauração ser o guia e passamos a desenvolvê-la.


Groisman – Quais são as grandes mudanças atuais em nossa profissão?
Howard Gluckman – Acho que é a terapia de extração parcial. Isso foi algo fantástico porque mudou nossa visão e nossa forma de agir, além de ter sido a primeira ideia que surgiu com crowdsourcing. Foi algo que ocorreu em uma rede social, o Dental XP. Muitas mentes de diversos países ao redor do mundo estavam se reunindo e discutindo problemas, e, como resultado, desenvolvemos o conceito de terapia de extração parcial.
Garber – Recentemente, palestrei sobre a história de onde viemos. Quando terminei, eu disse que o maior evento que aconteceu comigo desde que comecei a trabalhar com outros pesquisadores até agora, sem dúvida, é a terapia de extração parcial. Um dos principais motivos é que ela tem resolvido muitos dos problemas e eliminará as complicações que vemos a longo prazo em determinados implantes.


Groisman – E as complicações dessa técnica?
Gluckman – Os dados ainda são limitados, com acompanhamento de até dez anos. Quando as pessoas dizem que é difícil e que temos que ter cuidado, digo que não há dúvidas sobre isso. O interessante é que sempre que eu ensino a técnica ao redor do mundo, ouço relatos de quem já a usou. Então, naturalmente, pergunto como está a evolução do caso, e a resposta é sempre: “Eu nunca vi resultados como estou vendo agora”. Porém, é preciso lembrar que há muita mentira e artigos que não funcionam ao serem transferidos para a prática, fazendo com que o profissional pense que há algo errado com ele. Dessa forma, a técnica precisa ser reproduzível e previsível.


Groisman – Isso é muito interessante, pois lembramos que todos os papers que lemos são estatisticamente bons. Mas, quando vamos para a clínica, alguns não funcionam. Isso é muito importante porque cria uma situação democrática na clínica odontológica, assim como o Dental XP nos permite estudar sem viajar. Acho que esse é o presente e o futuro da educação: estar em casa e ter a oportunidade de assistir a uma grande palestra, impactando positivamente nossa vida profissional.
Gluckman – Eu compartilho meu conhecimento livremente no Facebook. É interessante notar que muitas pessoas são críticas nesse ponto. As mídias sociais revolucionaram a maneira como aprendemos: é possível ver pessoas fazendo um trabalho tão bom – senão melhor – do que aquele que estamos realizando. Mas, também há outro lado, pois, se colocarmos um caso que não estiver 100% bom, seremos automaticamente expostos. É uma realidade mais severa do que qualquer avaliador de artigo.
Garber – É incrível poder ler um artigo, mandar uma mensagem ao autor e obter as informações de volta imediatamente. Não conseguimos essa dinâmica na universidade. Nós pensamos em evolução dos dentistas quando, na verdade, foi uma revolução. O crowdsourcing mudou tudo dramaticamente.

Arranha-céus na região central de Atlanta (Estados Unidos). (Imagens: Shutterstock)


Groisman – Existem alguns artigos do Team Atlanta que impactaram muito o Brasil, como aquele que sistematiza os tempos das extrações. Como você acha que será nosso futuro em termos de artigos?
Garber – Os artigos são para curto prazo. Ainda são recursos importantes, por serem cultural e algo de que gostamos, mas vai acabar porque o mundo on-line vai tomar conta. Esses novos meios são muito rápidos, o que é fundamental para ficarmos atualizados. Um artigo leva de quatro a seis meses para ser publicado e, geralmente, nesse período as coisas já mudaram. Em relação à terapia de extração parcial, por exemplo, havia mudanças semanalmente.


Groisman – Qual será o nosso futuro em termos de implantes? Todo mundo está indo para o digital?
Gluckman – Eu sou cirurgião, então, do ponto de vista digital, estou atrasado para a festa. Mas, recentemente mudamos nossa prática. Não há dúvida de que o futuro é digital. Há dez anos eu diria o contrário, mas tive que reconhecer minha ignorância e admitir que eu estava errado. Além de fundamental, o digital faz uma enorme diferença. Algumas vantagens são a reprodutibilidade, a capacidade de tratar sobre Implantodontia com grupos ao redor do mundo e receber opiniões. Para os centros de ensino, por exemplo, abriu a possibilidade de enviar casos para outras localidades e países, por meio das STLs, e imprimi-los no consultório. Isso é incrível porque o ponto-chave, muitas vezes, não é a cirurgia, mas sim o planejamento.


Groisman – Como o DSD pode impactar nossa vida, seja na educação odontológica ou na clínica particular?
Garber – Obviamente, o DSD foi bem-sucedido porque funciona. Muitas pessoas estão utilizando porque oferece imediatismo, possibilita visualizar o resultado rapidamente e estar dimensionalmente na fase dois.
Gluckman – Acredito que o DSD em 3D e todo o conceito de extrair vídeos na TCFC vieram para ficar. Nós vemos isso na inteligência artificial.


Groisman – É fantástico porque muda a maneira como estamos praticando a Odontologia, e tem sido assim há 15 anos, até implementarmos um novo conceito. Se não tivermos os princípios, não funcionará, mas é uma grande revolução: você trata melhor o paciente e tem mais previsibilidade no tratamento.
Garber – Além disso, os dados são acumulados. Por exemplo, um paciente que está em consulta para higiene pode ser digitalizado e o dentista avaliar: “Seu tecido regrediu 3 mm nos últimos quatro anos. É hora de fazermos algo sobre isso”.

 

A beleza de Joanesburgo, na África do Sul. (Imagens: Shutterstock)



Groisman – E agora, qual é o futuro?
Garber – O digital vai evoluir para se tornar mais fácil e intuitivo. Vamos usá-lo como ferramenta para facilitar nossa rotina. E, quando falamos sobre implantes, sem dúvida, a terapia de extração parcial é a bola da vez.
Gluckman – A inteligência artificial vai ter um papel importante na Odontologia, muito mais do que tem agora. É um movimento que está começando a aparecer lentamente com a nova geração. Nós não nascemos com computadores nas mãos, mas as crianças de hoje sim. Para elas, vai ser um processo natural utilizar essas ferramentas. Podemos até antever que a destreza manual em Odontologia vai ser, em parte, substituída pela destreza no computador, que será uma parte muito maior da Odontologia – ou seja, entender como os computadores funcionam, a codificação etc.
 

Groisman – Qual conselho vocês podem dar aos clínicos leitores da ImplantNewsPerio?
Garber – É preciso investir em educação. A Odontologia é um alvo em movimento e é importante estar sempre de olho. Então, dedique parte da sua vida a isso. Atualmente, é muito mais fácil com o Dental XP, um webinar semanal que pode ser acessado a qualquer hora. É uma ferramenta que possibilita ao profissional ter a melhor biblioteca individual do mundo, com informações-chave valiosas. Também destaco que é preciso ir além de ser um ouvinte e passar a ser um colaborador: somente quando você começa a contribuir adquire um entendimento completo do que está fazendo.
Gluckman – A Odontologia está se movendo em um ritmo muito mais rápido do que há dez anos. Então, não pense que após a faculdade de Odontologia os estudos acabaram – isso é apenas o começo, uma base. Na busca pelo próximo passo, o Dental XP é um ótimo aliado e é meu foco principal quando estou procurando um novo tópico. Se você está na Odontologia, deve ter paixão pelo que faz. A paixão pelo que fazemos é o que motiva David Garber, Maurice Salama, Henry Salama e todo o Team Atlanta.
 

Veja essa entrevista completa clicando aqui e acesse outros conteúdos em www.odonto1.com/pcp.

 

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