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Publicado em: 20/05/2013 15h11

Avaliação de risco de doença periodontal para pacientes em terapia de suporte

Análise crítica do artigo originalmente publicado no Oral Health & Preventive Dentistry.

A cada edição da revista PerioNews, a equipe do Prof. Antonio Wilson Sallum promove a análise crítica de alguns dos artigos científicos de maior destaque publicados em periódicos de circulação internacional. Este é um deles. Confira!

Lang NP, Tonetti MS. Periodontal risk assessment (PRA) for patients in supportive periodontal therapy (SPT). Oral Health Prev Dent 2003;1:7-16.

Por que é interessante: a avaliação de risco periodontal pode estimar o risco para susceptibilidade para progressão da periodontite. Isso consiste de uma avaliação do nível de infecção (índice de sangramento de boca completa), a prevalência de bolsas periodontais residuais, a perda dentária, uma estimativa da perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente, uma avaliação das condições sistêmicas do paciente e uma avaliação dos fatores ambientais e comportamentais do paciente, como o fumo. Todos esses fatores devem ser contemplados e avaliados juntos. Sendo assim, um diagrama funcional foi confeccionado para ajudar os clínicos na determinação dos riscos para progressão da doença periodontal em nível do paciente. Isso pode ser útil na programação da frequência e a forma de abordagem das visitas da terapia periodontal de suporte.

Desenho experimental: os autores sugerem, nesse artigo, um diagrama funcional para avaliação do risco do paciente para recorrência da doença periodontal, que inclui os seguintes parâmetros: porcentagem de sangramento a sondagem; prevalência de bolsas residuais maiores que 4 mm; perda dentária de um total de 28 dentes; perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente; condições sistêmicas e genéticas; fatores ambientais, tais como o fumo. Cada parâmetro
apresenta sua própria escala para perfis de risco baixo, moderado e alto. Em uma avaliação abrangente, o diagrama funcional produzirá um perfil de risco total individualizado e determinará a frequência e a complexidade das visitas para a terapia periodontal de suporte.

Os achados: de acordo com a avaliação dos parâmetros supracitados, os autores fazem as seguintes considerações:

  • a) Sangramento a sondagem: indivíduos com baixas médias de porcentagem de sangramento a sondagem (< 10% das superfícies) podem ser considerados pacientes de baixo risco para a recorrência de doença periodontal, enquanto pacientes com média de porcentagem de sangramento a sondagem (> 25%) devem ser considerados de alto risco.
  • b) Prevalência de bolsas residuais maiores do que 4 mm: indivíduos com até quatro bolsas residuais podem ser considerados pacientes com risco relativamente baixo, enquanto os pacientes com mais de oito bolsas residuais podem ser considerados como alto risco para recorrência da doença.
  • c) Perda dentária de um total de 28 dentes: pacientes com até quatro dentes perdidos podem ser considerados de baixo risco, enquanto pacientes com mais de oito dentes perdidos podem ser considerados de alto risco.
  • d) Perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente: para esse indicador, a escala se apresenta em incrementos de 0,25 do fator perda óssea/idade, com 0,5 sendo a divisão entre o risco baixo e moderado e 1,0 a divisão entre o risco moderado e alto para a progressão da doença.
  • e) Condições sistêmicas: os fatores sistêmicos só serão considerados se conhecidos. Caso não sejam conhecidos ou não estejam presentes, os fatores sistêmicos não serão considerados para a avaliação geral do risco.
  • f) Fatores ambientais: fatores ambientais como o fumo, por exemplo, devem ser considerados para a recorrência da doença no diagrama funcional. Enquanto não fumantes e ex-fumantes (que interromperam há mais de cinco anos) apresentam baixo risco para a recorrência da periodontite, os fumantes assíduos, definidos como aqueles que fumam mais de um maço por dia, são considerados de alto risco. Fumantes ocasionais (< 10 cigarros/dia) e moderados podem ser considerados de risco moderado para a progressão da doença.

Comentários: a avaliação de risco do paciente à periodontite pode ser avaliada com base em um número de condições clínicas pelas quais nenhum parâmetro único representa um papel mais importante. O espectro total dos fatores de risco deve ser avaliado simultaneamente. Ao contrário da população em geral sem história de doença, os pacientes periodontais necessitam participar de um sistema bem organizado de rechamadas, o qual deve fornecer tanto uma avaliação de risco contínua, quanto cuidados de suporte adequados. Sem isso, os pacientes são prováveis de experimentar perda progressiva de inserção periodontal. A avaliação dos níveis de risco para a
progressão da doença em cada paciente permitirá ao profissional determinar a frequência e a extensão do suporte profissional necessário para manter os níveis de inserção obtidos após terapia ativa.

Unitermos: Periodontitis; Maintenance; Recurrent periodontitis; Risk assessment; Risk avaluation; Periodontal infection; Reinfection; Bleeding on probing; Residual pockets; Bone loss; Smoking.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia - FOP-Unicamp.



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