INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 11/06/2013 18h28

A relação da peri-implantite com as terapias periodontal e de suporte

Análise crítica do artigo originalmente publicado no Clinical Oral Implants Research.

A cada edição da revista PerioNews, a equipe do Prof. Antonio Wilson Sallum promove a análise crítica de alguns dos artigos científicos de maior destaque publicados em periódicos de circulação internacional. Este é um deles. Confira!

Pjetursson BE, Helbling C, Weber HP, Matuliene G, Salvi GE, Brägger U et al. Periimplantitis susceptibility as it relates to periodontal therapy and supportive care. Clin Oral Implants Res 2012;23(7):888-94.

Por que é interessante: muitos estudos indicaram que diversos sítios intrabucais, como língua, tonsilas, mucosa e bolsas periodontais, funcionam como reservatórios de microrganismos e têm uma relação direta com a recolonização de sítios periodontais e também com a transmissão de patógenos para implantes recém-instalados. Alguns estudos demonstraram menor sucesso do tratamento com implantes em pacientes com histórico de periodontite, quando comparados a pacientes periodontalmente saudáveis. O propósito deste estudo foi avaliar a sobrevida e o sucesso em longo prazo de implantes instalados em pacientes periodontalmente susceptíveis, e avaliar a influência de bolsas residuais na incidência de peri-implantite e perda de implante.

Desenho experimental: foram avaliados 165 implantes, dos quais 115 eram do tipo solid screw e outros 50 do tipo hollow screw and hollow cylinder, instalados em 70 pacientes sob terapia periodontal de suporte, com acompanhamento entre três e 23 anos. Estes pacientes foram colocados em duas categorias: presença de implantes afetados pela peri-implantite e ausência
de implantes afetados pela peri-implantite. Os índices de sangramento a sondagem, o nível de inserção clínica e a profundidade de sondagem peri-implantar foram avaliados em três tempos - T0: baseline; T1: após o tratamento ativo; T2: acompanhamento. A avaliação radiográfica foi realizada em T2. Foram utilizadas duas definições de peri-implantite - nível 1: sondagem ≥ 5 mm com sangramento; nível 2: sondagem ≥ 6 mm com sangramento.

Os achados: a taxa de sobrevivência foi de 95,8%, sendo que para implantes tipo solid screw esta taxa foi de 99,1%, e para o tipo hollow screw and hollow cylinder foi de 89,7%. Quando avaliada peri-implantite nível 1, 22,2% dos implantes e 38,6% dos pacientes foram afetados.
Quando o nível 2 foi utilizado, foram afetados 8,8% dos implantes de 17,1% dos pacientes. Todos os implantes afetados apresentaram perda óssea radiograficamente detectável ≥ 2 mm em T2. Após a terapia ativa, o grupo não afetado pela peri-implantite teve significativamente menos bolsas residuais por paciente do que o grupo afetado pela peri-implantite. Já no acompanhamento,
o grupo afetado pela peri-implantite teve um aumento da quantidade de bolsas residuais, enquanto o grupo não afetado permaneceu com números semelhantes de bolsa. Também em T2, médias de profundidade de sondagem, nível de inserção clínica e sangramento a sondagem foram significativamente maiores no grupo afetado pela peri-implantite do que no grupo não afetado.

Comentários: este estudo demonstrou mais uma vez a íntima relação entre a presença de bolsas residuais e um risco aumentado para o desenvolvimento de peri-implantite e para a perda de implante. Este achado reforça a necessidade de um controle periodontal excelente antes da terapia reabilitadora com implantes e uma efetiva terapia periodontal de suporte.

Unitermos: Biological complications; Bleeding on probing; Dental implants; Implant surfaces; Longterm survival; Maintenance care; Marginal bone loss; Peri-implantitis; Periodontitis; Residual pockets; Risk factors; Supportive periodontal therapy.

Revisado por: Camila Camarinha da Silva Cirino. Mestranda em Periodontia - FOP-Unicamp.



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters