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Publicado em: 10/14/2013 45h3

Acidentes aéreos e insucessos cirúrgicos viram livro publicado no Brasil

Franck Renouard e Jean-Gabriel Charrier traçam um paralelo entre pilotos e cirurgiões-dentistas em "Em busca do elo fraco".

Quais são as semelhanças entre um plano de voo e uma cirurgia odontológica? Esta é a pergunta que impulsiona a discussão lançada por Franck Renouard e Jean-Gabriel Charrier em "Em busca do elo fraco - Iniciação aos fatores humanos". O livro foi lançado pela VM Cultural durante o IN 2013.

O "elo fraco", conforme explicam os autores, é justamente o fator humano que envolve a maior chance de falha, tanto nos acidentes aéreos como nos insucessos cirúrgicos. O livro constata isso através de relatos do dia a dia que comparam situações clínicas com planos de voo. Em ambos é necessário planejamento, atenção, saber se comunicar bem com sua equipe, e se manter controlado em momentos de pressão.

Franck Renouard, além de cirurgião-dentista, também é piloto, e juntou seus conhecimentos com o colega de aviação Jean-Gabriel Charrier para fazer o livro. Os autores conseguiram enxergar as semelhanças entre as duas profissões e uniram esse o conhecimento para citar as principais causas de falhas durante uma cirurgia odontológica.

Em relação entre as duas ocupações, o piloto precisa checar uma lista antes de fazer qualquer decolagem e aterrisagem. O dentista também, antes de retirar um dente, uma cirurgia de implante, ou uma restauração. Ambos têm a vida de muitas pessoas em suas mãos, em dias diferentes, pelo ano todo. É uma grande responsabilidade que culmina em estresse.

Com diversas dicas, o livro é serve de guia para os cirurgiões e mostra que o erro é humano. Além disso, cita suas principais causas e como pode ser evitado de forma simples antes que problemas maiores aconteçam.  A obra proporciona uma visão da prática de um modo diferente.

Confira a entrevista do autor Franck Renouard.

Quais são as semelhanças entre o piloto e o dentista?
Franck Renouard -
Ambas são atividades que sofrem com um alto nível de estresse e responsabilidade. Eles têm que trabalhar não somente sob a pressão do tempo, como também podem cometer erros que colocam a vida de outras pessoas em perigo. A mensagem do livro não é destinada somente a essas duas atividades, mas a todas.

Como você associou a prática de voar com a cirurgia dental?
FR -
Eu fui piloto de helicóptero e sofri um acidente quando estava no comando de um voo. O acidente me fez refletir sobre o erro que cometi. E, desde então, tentei entender por que cometemos erros. É muito interessante compreender como uma sucessão de pequenos erros pode levar a grandes complicações.

Como o dentista deve agir em casos de falha?
FR
- O dentista deve analisar sua falha com o máximo de objetividade possível. Ele deve aceitar que, na maioria das vezes, os erros são causados por falhas humanas. Nossas falhas raramente acontecem por problemas técnicos. É importante aceitar que somos a primeira causa das complicações, e que as falhas são o primeiro passo para tornar nossa prática mais segura. No livro, dei vários exemplos de diferentes complicações que encontrei. Assim, os dentistas poderão pensar na própria prática no sentido de melhorá-las.

Quais são os principais fatores que levam às falhas? Como evitá-los?
FR
- A principal causa é a falha humana. Sabe-se que 80% dos acidentes aéreos são causados por falhas humanas. Os principais fatores que complicam na capacidade de tomar decisões são: estresse, fadiga, pressão, excesso de confiança, rotina, falta de vigilância etc. O mais importante é aceitar essa realidade. Nós devemos parar para analisar que as complicações não são apenas por problemas técnicos. Outro ponto importante é dividir os erros com a comunidade. Esta nova filosofia melhora drasticamente o nível de segurança.

Por que as falhas acontecem?
FR -
É impossível praticar uma atividade sem cometer erros. Sabe-se que um piloto profissional cometerá muitos durante sua carreira. Para tomar uma boa decisão, devemos utilizar uma área específica do cérebro, o córtex. Entretanto, alguns fatores, como o estresse, limita o acesso a essa parte do cérebro. Por isso, mesmo com o conhecimento, podemos tomar decisões estúpidas. Quando o estresse desaparece e estamos capacitados a tomar decisões com a parte "inteligente" do cérebro, nos arrependemos de nossas atitudes e, na maioria das vezes, já é tarde demais. Um comportamento seguro consiste em detectar quando nosso córtex cerebral está "desligando" e agindo em consequência (nesses casos é importante contar com a ajuda dos colegas e até mesmo adiar uma cirurgia).

No livro, você afirma que o estresse é um dos responsáveis pelas falhas em procedimentos cirúrgicos. Como ficar calmo em uma situação difícil?
FR -
Há algumas técnicas para lidar com o estresse. Entretanto, o melhor é se prevenir. Em primeiro lugar, é importante conhecer os próprios limites. Também é crucial ter um tempo para preparar a cirurgia. É como um plano de voo: antecipação é a chave da prevenção contra o estresse.



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