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Publicado em: 26/11/2014 11h30

Registro clínico raro de aglossia

Vitório Campos da Silva e equipe mostram paciente com ausência de língua.

Aglossia

Aglossia é uma rara anomalia causada por uma falha embriogenética, ocorrendo entre a quarta e oitava semana de gestação1-2.

Desempenhando importante papel no crescimento facial e ligado diretamente a deformidades dentofaciais, a ausência total da língua afeta, em especial, a mandíbula3. A revisão da literatura mostra que essa ausência encontra-se associada com outras malformações2,5Em 1718, Jussieu4 descreveu pela primeira vez um caso de hipoglossia.

 

Relato de caso clínico

Paciente RBA, masculino, cor negra, idade 13 anos. O portador desta anomalia conhecida como aglossia (aglossia congênita completa) nos procurou levado pelos pais, no ano de 1980. Após exame geral foi constatado que o referido cliente era, na verdade, portador de uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas que define manifestações clínicas de uma ou mais doenças) caracterizada por atrofia maxilo-mandibular, disgenesia testicular, adactilia e dissimetria esquelética, além de completa ausência da língua. Infelizmente, não conseguimos dar continuidade ao caso com novas avaliações e solicitação de novos exames e tratamento, pois a família do referido paciente, logo após as consultas iniciais, mudou-se de Brasília.

Entretanto, foram feitas duas fotografias intrabucais (Figuras 1 e 2). Tais casos são de difícil solução por envolver diversas especialidades médico-odontológicas, além de tratamento específico com fonoaudiólogos e psicólogos, visando devolver a função e a autoestima destes portadores. O comprometimento do órgão bucal e o tratamento da síndrome, envolvendo funções mastigatórias, fonéticas e respiratórias, torna-se crucial na recuperação do estado de saúde psicossomático desses pacientes.

Figura 1 – Grave atrofia maxilo-mandibular.

 

Figura 2 – Anodontia, péssimo estado de conservação de alguns dentes mandibulares e ausência completa da língua (aglossia).

 

Referências Bibliográficas

  1. Dunham ME, Austin TL. Congenital aglossia and situs inversus. Int J Pediatr Otorhinolaryngol 1990;19:163-8.
  2. Emmanouil-Nikoloussi EN, Kerameos-Foroglou C. Developmental malformations of human tongue and associated syndromes [review]. Bull Group Int Rech Sci Stomatol Odontol 1992;35:5-12.
  3. Kantaputra P, Tanpaiboon P. Thyroid dysfunction in a patient with aglossia. Am J Med Genet A 2003;122:274-7.
  4. Jussieu A. Observation sur la manière don’t une fille née sans langue s=acquite des functions qui dependent de cet organe. In: Imprimerie Royale, Paris; Histoire del Académie Royale de Sciences de Paris; Memoire;1718:10-22.
  5. Salles et al. Complete and isolated congenital aglossia: case report and treatment of sequelae using rapid prototyping models. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2008;105:41-7.

 

Vitório Campos da Silva

Especialista em Periodontia – FOB/USP, Bauru; Especialista em Implantodontia – CFO; Pós-graduação em Implantodontia – UIC/Chicago IL; Mestre em Implantodontia – UnB; Doutor em Patologia Molecular – UnB; Doutorando em Biologia Celular e Molecular – UnB/Embrapa, DF.

 

Brenda de Pina Campos Medeiros
Especialista em Ortodontia – Ipesp, DF.

Bruna Campos de Freitas
Especialista em Radiologia – ABO, DF.



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