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Publicado em: 08/12/2014 08h44

Índices de Estética Rosa e Estética Branca

Newton Sesma e Piero R. Zanardi apresentam ferramentas auxiliares de diagnóstico de comprometimento periodontal e protético.

A busca pela excelência nos tratamentos na Implantodontia tem avançado cada vez mais, uma vez que o fator osseointegração deixou de ser o foco para o sucesso do tratamento. Os profissionais passaram a buscar cada vez mais restaurar a condição natural do paciente, quer seja com procedimentos cirúrgicos reconstrutivos ou com procedimentos reabilitadores protéticos.

Quando nos deparamos com reabilitações em que a estética é fundamental para o sucesso do caso (tratamentos que englobam a arcada superior de 15-25) qualquer ferramenta que possa auxiliar neste processo deve ser utilizada com o intuito de facilitar tanto o diagnóstico do caso, como prever quais serão os passos para que o tratamento possa mimetizar ao máximo a condição original do paciente.

Dessa forma, o Índice de Estética Rosa (Pink Esthetic Score – PES) e o Índice de Estética Branca (White Esthetic Score – WES) são ferramentas auxiliares de diagnóstico de comprometimento periodontal e protético. Dependendo do momento do tratamento em que se faz a análise desses índices, eles podem oferecer um diagnóstico do caso ou confirmar o benefício das condutas tomadas de procedimentos reconstrutivos. A tomada da fotografia no momento inicial do tratamento permite diagnóstico das alterações periodontais na parte do PES e as alterações relacionadas ao dente como formato e tamanho, por exemplo. Esse diagnóstico pode guiar na conduta do tratamento integrado Periodontia-Prótese-Implante. Uma nova tomada fotográfica pode ser feita no final do tratamento com a intenção de avaliar e quantificar o efeito das condutas tomadas. Novas imagens podem ser adquiridas ao longo dos controles posteriores para que se possa fazer um acompanhamento em longo prazo.

Para a tomada fotográfica, essa deve ser feita em duas situações diferentes: a primeira com a câmera perpendicular ao dente que vai ser avaliado; e a segunda deve ser uma fotografia oclusal do dente em questão. A fotografia oclusal é fundamental para se avaliar a perda de espessura do rebordo, uma vez que esse diagnóstico fica falho com a fotografia convencional. É muito importante ter uma padronização das fotos para que, no caso de avaliação inicial e final, a comparação dos pontos avaliados possa ser feita com o mínimo de distorção por conta de erro de posicionamento da câmera.

O padrão de referência de normalidade, ou de estética ideal para comparação quando se trabalha como PES-WES, é o dente contralateral. Este deve estar visível suficiente na fotografia para assegurar a comparação. Dessa forma, por exemplo, no caso de uma reabilitação com implante no dente 12, a referência de altura correta de papila ou da margem gengival seria a mesma situação encontrada no dente referência, no caso o elemento 22.

De forma prática, os dois índices avaliam pontos que são relevantes para o sucesso do tratamento e para cada item é aplicado uma nota que pode ser 0, 1 e 2. A avaliação sempre é feita buscando o dente contralateral como padrão de estética sendo de fundamental importância que o mesmo apresente condições saudáveis.

O PES foi proposto por Fürhauser e colaboradores em 2005. Este índice avalia sete pontos:

 

Quesito avaliado

Nota

0

1

2

1 – Papila mesial.

Ausente.

Incompleta.

Presente.

2 – Papila distal.

Ausente.

Incompleta.

Presente.

3 – Contorno da margem gengival.

Não natural.

Quase natural.

Natural.

4 – Nível da margem gengival.

Grande alteração

>2mm.

Pequena alteração 1-2 mm.

Sem alteração

 < 1mm.

5 – Volume do processo alveolar.

Diferença nítida.

Pequena diferença.

Sem diferença.

6 – Cor.

Diferença nítida.

Pequena diferença.

Sem diferença.

7 – Textura.

Diferença nítida.

Pequena diferença.

Sem diferença.

Tabela 1 – Parâmetros e pontuação do Pink Esthetic Score.

 

Figura 1 – Ilustração dos parâmetros avaliados, separados por região.
 

 

A pontuação para cada dente varia de 0 a 14 sendo 0 a ausência de estética e 14 o valor para um tratamento idêntico ao natural. Em 2009, Belser e colaboradores alteraram o PES e incluíram o WES. A alteração foi nos últimos três itens, que foram agrupados em um único tópico. Dessa forma a pontuação máxima caiu de 14 para 10, sendo que os tópicos diminuíram de sete para cinco. Os autores afirmam que os três últimos itens se referem à saúde periodontal e o contexto desses itens deveria ser avaliado de uma forma única. Além dessa alteração, os autores propuseram o WES uma forma semelhante de pontuar os requisitos avaliados em uma coroa protética, seguindo o mesmo conceito de comparação com um dente de referência (normalmente o contralateral). O WES avalia o formato, volume, cor, textura e translucidez/ caracterização. Ele é um pouco mais simples que o PES uma vez que as notas têm o mesmo sentido para todos os quesitos, sendo que 0 representa uma grande diferença com o dente referência, 1 representa uma pequena diferença e a nota 2 é para o caso onde a mimetização foi perfeita.

 

Quesito avaliado

Nota

0

1

2

1 – Formato do dente.

Grande diferença.

Pequena diferença.

Sem diferença.

2 – Volume do dente.

Grande diferença.

Pequena diferença.

Sem diferença.

3 – Cor.

Grande diferença.

Pequena diferença.

Sem diferença.

4 – Textura.

Grande diferença.

Pequena diferença.

Sem diferença.

5 – Translucidez/ caracterização.

Grande diferença.

Pequena diferença.

Sem diferença.

Tabela 2 – Parâmetros e pontuação do White Esthetic Score.

 

 

Figura 2 – Ilustração dos quesitos avaliados individualmente pelo White Esthetic Score.
 

Os pontos avaliados pelo PES/WES são simples, porém fundamentais para alcançar a excelência no tratamento. Não só o diagnóstico dessas alterações é importante, mas seguindo os dois índices, é possível traçar um plano de tratamento e visualizar de forma pontual qual a necessidade de cada caso. A utilização de protocolos na Odontologia tem por objetivo garantir que os profissionais possam ter qualidade em seus tratamentos nivelando os procedimentos.

 

 
Newton Sesma
Professor doutor do Departamento de Prótese – Faculdade de Odontologia/USP.
 

 

Piero Rocha Zanardi
Doutorando do Departamento de Prótese – Faculdade de Odontologia/USP.
 

 



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