INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe   Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 12/01/2015 09h38

Abordagem cirúrgica em alvéolo pós-extração com temporização imediata

Marcelo Nunes comenta sobre o desafio da técnica e apresenta caso clínico.

A colocação imediata de implantes em alvéolos pós-extração é uma prática clínica comum, com uma taxa de sucesso similar as dos implantes colocados em rebordos cicatrizados. As restaurações implantossuportadas como alternativa viável na reabilitação de dentes anteriores têm se tornado um “estado da arte” na Implantodontia contemporânea, e isso constitui-se um dos maiores desafios estéticos para os implantodontistas, pois, além de restabelecermos a função mastigatória, há também a necessidade de resgatarmos e mantermos uma estética rosa, a longo prazo, condizente aos dentes adjacentes.

A possibilidade de realizarmos implantes imediatos, sem retalhos e seguidos da temporização imediata, segundo Zuhr, et al em 2011, oferece a oportunidade ideal para a manutenção do contorno tecidual além de reduzir, de forma significativa, o tempo de tratamento.

Assim sendo, em nossos planejamentos implantodônticos, não podemos considerar na abordagem de alvéolos frescos, apenas a fixação de um implante com sua imediata provisionalização, mas é preciso que consideremos também, para um melhor resultado estético de uma restauração implantossuportada, uma série de fatores, tais como: o correto posicionamento tridimensional do implante; seleção do diâmetro/desenho do implante; integridade da estrutura do alvéolo; a condição periodontal dos dentes adjacentes; e principalmente a qualidade do tecido mole que circunda estas estruturas. Estes são os pontos chaves para quem busca um resultado de excelência.

Os trabalhos científicos têm mostrado que, por menor que seja a invasibilidade da abordagem cirúrgica, teremos uma remodelação da tábua óssea vestibular e uma consequente recessão da margem da mucosa peri-implantar. Assim sendo, as tomadas de decisão que teremos que estabelecer para um criterioso plano de tratamento e uma correta abordagem cirúrgica que proporcione resultados estéticos e funcionais aceitáveis, dar-se-ão a partir de um perfeito diagnóstico.

Dessa forma, frente a todos esses posicionamentos, definiremos, baseado na literatura mais contemporânea e no relato do caso em questão, o protocolo terapêutico para casos em que há a perda parcial da tábua óssea vestibular assim como o comprometimento da qualidade da mucosa alveolar.

É preciso, portanto, que racionalizemos nossos procedimentos, baseados no correto diagnóstico, para evitarmos o sobretratamento e/ou subtratamento quando nos depararmos com uma situação clínica como esta.

 

Figura 1 – Radiografia periapical inicial, dente 23 fraturado.

Figura 2 – Imagem clínica inicial frontal, mostrando a presença de edema e formação de um ponto de flutuação.

Figura 3 – Imagem inicial, vista lateral, evidenciando o edema.

 

Figura 4 – Vista oclusal, evidenciando a linha de fratura do remanescente dental.

Figura 5 – Imagem clínica mostrando o uso do periótomo.

 

Figura 6 – Fragmento dental extraído.

Figura 7 – Imagem clínica evidenciando a parte de parte da tábua óssea vestibular e a perfeita preservação da margem gengival.

 

Figura 8 – Ponto de impacto da primeira fresagem para um posicionamento do implante mais ancorado na parede palatina.

Figura 9 – Alvéolo cirúrgico criado para o implante, note a perda parcial da tábua óssea vestibular em função da fratura radicular.

 

Figura 10 – Instalação do implante Ankylos A14 (3,5mmx14mm).

Figura 11 – Implante Ankylos A14 (3,5 mm x 14 mm) instalado. Notar o posicionamento correto do implante e a presença do gap entre a tábua vestibular e a superfície do implante.

 

Figura 12 – Instalação do abutment Ankylos Standard 3 x 6. (transmucoso de 3 mm; área de cimentação 6 mm; diâmetro de 3,3 mm).

Figura 13 – Coping de acrílico confeccionado previamente sobre um análogo para ser capturado pela própria coroa protética que o paciente apresentava.

 

Figura 14 – Captura do coping de acrílico pela coroa protética que o paciente apresentava anteriormente.

Figura 15 – Coping de acrílico capturado pela coroa protética que o paciente apresentava anteriormente.

 

Figura 16 – Coroa provisória anatomizada, onde utilizou-se a coroa protética que o paciente já utilizava.

Figura 17 – Coleta de enxerto de tecido conjuntivo subepitelial da área do túber para reconstruir o tecido mole comprometido pelo tecido de granulação que havia no momento da exodontia.

 

Figura 18 – Enxerto de tecido conjuntivo subepitelial da área do túber suturado na face interna do retalho.

Figura 19 – Biomaterial (BioOss Small) preenchendo o gap associado ao enxerto de tecido conjuntivo subepitelial.

 

Figura 20 – Coroa provisória cimentada. Note a adequada acomodação da margem gengival sobre a coroa provisória, caracterizando um selamento do alvéolo, assim como oferecendo uma perfeita condição para estabilidade e organização do coágulo.

Figura 21 – É importante, a completa ausência de contato oclusal em cêntrica e nos movimentos excursivos da mandíbula.

 

Figura 22 – Raio X periapical realizado imediatamente após a instalação do implante. Note os gaps preenchidos pelo biomaterial (BioOss Small).

Figura 23 – Pós-operatório de dez dias. Presença de uma ulceração na mucosa em função da sutura de estabilização do enxerto de tecido conjuntivo realizado.

 

Figura 24 – Pós-operatório de 90 dias. Note a manutenção da margem gengival no mesmo lugar do pós-operatório de dez dias.

Figura 25 – Perfil de emergência estabelecido após o período de 90 dias.

 

Figura 26 – Vista oclusal do perfil de emergência estabelecido após o período de 90 dias. Note a qualidade e espessura da mucosa peri-implantar.

Figura 27 – Coping de transferência em posição.

 

Figura 28 – Coroa metalocerâmica imediatamente após a cimentação. É importante salientar a manutenção da margem gengival no mesmo nível do zênite do PO imediato.

Figura 29 – Raio X periapical após a cimentação da coroa metalocerâmica. Note a manutenção dos picos ósseos proximais.

 

Figura 30 – Coroa metalocerâmica quatro anos após a cimentação. Note a manutenção da margem gengival (zênite) no mesmo nível do zênite do PO imediato.

Figura 31 – Raio X periapical quatro anos após a cimentação. É importante que notemos a manutenção dos picos ósseos interproximais.

 

 

Marcelo Nunes

Especialista em Periodontia – São Leopoldo Mandic; Especialista em Implantodontia – Araçatuba; Mestre em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Campinas; Coautor do livro “Atlas Clínico de Cirurgia Plástica Periodontal e Periimplantar”, Editora Santos 2007; Professor coordenador do curso de Excelência em Implantodontia – Cetao, São Paulo; Professor coordenador do Curso Avançado em Cirurgia Plástica Periodontal e Peri-implantar – Cetao, São Paulo; Coordenador geral –Tissue Care Club Brasil.

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters