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Publicado em: 23/01/2015 09h57

Implantes estreitos: quando utilizá-los?

Luiz Fernando Martins André aponta as indicações para o uso de implantes menores que 3 mm.

A Implantodontia se reinventa a todo o momento na busca pela reprodução perfeita do elemento dental. A cada instante, as limitações vão deixando de existir. Evoluímos nos protocolos de inserção dos implantes, nas regenerações ósseas e nos biomateriais, nas formas geométricas dos implantes e nos seus tratamentos de superfície, nas conexões protéticas, nos diferentes comprimentos dos implantes e nos seus diâmetros.

É sobre o diâmetro que eu gostaria de discutir. A utilização das conexões cônicas, aliada à evolução das ligas de titânio, que são mais resistentes à fratura, nos permite, hoje em dia, a utilização de implantes de diâmetros e plataformas mais estreitas. Ultimamente, os implantes de diâmetro menor do que 3 mm (que não são de corpo único, mas sim de duas peças) vêm sendo utilizado com frequência pelos adeptos da Implantodontia.

Sem dúvida alguma, esta solução veio favorecer, em muito, a estética nas soluções reabilitadoras. No entanto, devemos ficar atentos as suas reais indicações para que estas soluções não passem a se tornar problemas.

Os implantes estreitos possuem como indicação clássica, pequenos espaços protéticos no sentido mesiodistal (incisivos inferiores e incisivos laterais superiores). Só para relembrarmos, os incisivos inferiores possuem, em média, no seu perfil de emergência 2,9 mm e os implantes (de duas peças) de menor diâmetro, até então, eram de 3,5 mm, o que justificava a grande dificuldade na reabilitação dos incisivos inferiores. Inclusive, por diversas vezes observamos dois incisivos inferiores sendo reabilitados através de um implante, instalado na linha mediana. Este desconforto cirúrgico e consequentemente a dificuldade de se alcançar a estética ideal e a higienização deste tipo de solução protética, através do uso de implantes estreitos, deixou de existir no atual momento.

Estes implantes não foram fabricados para resolver problemas de atrofias ósseas de forma alguma. As atrofias devem ser solucionadas através de técnicas regenerativas teciduais e, a partir desta regeneração, instala-se os implantes com diâmetro e conexão protética apropriados biomecanicamente para a região a ser reabilitada.

Ao utilizarmos implantes estreitos em regiões atróficas e de recebimento de carga excessiva, seja mastigatória (molares e pré-molares) ou através de guias de desoclusão (caninos e incisivos centrais), estaremos, provavelmente, abreviando a permanência deste implante no arco dentário.

Devemos sempre ter em mente que aprender com o insucesso é muito mais doloroso. Eu sei bem o que é isso!

Figura 1 – Raio X do implante de 2,8 mm.

 

Figura 2 – Incisivo inferior reabilitado.

 

Figura 3 – Região atrófica.

 

Figura 4 – Enxerto sendo estabilizado.

 

Luiz Fernando Martins André
Especialista em Prótese Dentária – Unimes, Santos; Mestre em Implantodontia – Unisa, São Paulo; Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Senac, São Paulo. 

 



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