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Publicado em: 26/02/2015 09h07

Implantes curtos como opção às técnicas de aumento ósseo vertical

Eduardo Dias defende que a técnica pode ser menos traumática para os pacientes e apresenta caso clínico.

Apesar da alta taxa de sucesso apresentada pelos implantes osseointegráveis, o seu comprimento era considerado um fator chave para o sucesso em longo prazo, uma vez que a literatura científica, até o início dos anos 2000, apontava um percentual de falhas maior para os implantes curtos (< 10 mm). Entretanto, nem sempre a área edêntula possui altura óssea suficiente para instalação de implantes mais longos. Desta forma, alternativas foram propostas para vencer o desafio de reabilitar áreas atróficas, tais como levantamento do assoalho do seio maxilar, enxertos ósseos em bloco, regeneração óssea guiada, distração osteogênica e lateralização do nervo alveolar inferior. Embora esses procedimentos geralmente demonstrem resultados favoráveis, também estão sujeitos a complicações e insucessos, além de aumentarem o tempo e o custo de tratamento e trazerem acentuado desconforto para o paciente.

Então fica a dúvida: usar implantes mais curtos ou lançar mão de técnicas de enxertia? Para responder a essa pergunta é preciso entender porque os implantes curtos apresentavam menores taxas de sucesso quando comparados aos mais longos. Se analisarmos os estudos que apontavam o comprimento dos implantes como fator de risco, observamos que eram utilizados implantes de superfície usinada com um mesmo projeto para todos os comprimentos, ou seja, um implante de 7 mm era igual tanto em macro quando em microgeometria ao de 13 mm, exceto no comprimento. Além disso, a mesma técnica cirúrgica era utilizada para qualquer comprimento de implante e para osso de qualquer densidade.

Para que os implantes curtos tenham taxas de sucesso semelhante aos mais longos, é necessário que tenham uma área de contato osso-implante proporcionalmente maior do que os implantes mais longos. Isso demanda uma macro e microgeometria apropriadas para aumentar sua área de superfície e consequentemente a área de contato com o osso adjacente. O melhor entendimento dos fatores biomecânicos relacionados aos implantes curtos e a evolução das superfícies e macrogeometria dos implantes, associados a uma técnica cirúrgica específica, possibilitou o uso de implantes curtos com taxas de sucesso semelhantes àquela dos implantes mais longos, tornando essa técnica, na maioria das situações, preferível às técnicas de aumento ósseo vertical.

Um questionamento que sempre surge quando discutimos implantes curtos é a relação coroa-implante. Muitos alegam que essa relação muitas vezes fica desfavorável nos implantes mais curtos e isso poderia levar a sua perda precoce. Porém, quando vamos buscar na literatura científica embasamento para tais argumentos, vemos que os estudos mais recentes apontam que a relação coroa-implante não influenciou a taxa de sobrevivência, incidência de complicações ou a perda óssea peri-implantar, mesmo em implantes curtos.

Desta forma, os implantes curtos hoje se apresentam como uma opção viável de tratamento para pacientes com pouco rebordo residual disponível em altura, de forma menos traumática e onerosa, permitindo que mais pessoas possam se beneficiar da Implantodontia.

Abaixo, apresentamos um caso clínico de implantes curtos com acompanhamento de três anos.

 

Figura 1 – Aspecto tomográfico inicial, apontando implante com acentuada perda óssea.

 

Figura 2 – Situação clínica inicial evidenciando contaminação da superfície do implante.

 

Figura 3 – Implante contaminado removido.

 

Figura 4 – Implantes MK III Shorty RP 4 x 7 mm (5,5 mm intraósseo), e MK III TiUnite 4 x 7 mm (Nobel Biocare) instalados nas regiões do 35 e 36 respectivamente, no mesmo tempo cirúrgico da remoção do implante contaminado.

 

Figura 5 – Biomaterial (Alobone, Osseocon Biomateriais) aplicado sobre o defeito ósseo vestibular.

 

Figura 6 – Membrana absorvível de colágeno (BioGide, Geistlich) sobre o biomaterial.

 

Figura 7 – Coroas metalocerâmicas definitivas, instaladas três meses após as coroas provisórias.

 

Figura 8 – Aspecto radiográfico, evidenciando manutenção da crista óssea três anos após a reabilitação protética definitiva.

 

 

Eduardo Dias
Graduado em Odontologia – Uerj; Especialista em Implantodontia – Unigranrio; Mestre em Implantologia Oral – Unigranrio; Doutorando em Implantodontia – SL Mandic; Coordenador dos cursos de Especialização em Periodontia e Implantodontia – SL Mandic, Unidade Grande Vitória; Coordenador do grupo de Estudos Avançados e Treinamento em Implantodontia – GEATI.

 



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