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Publicado em: 02/03/2015 11h45

Prótese fixa total sobre implante inferior (protocolo)

Leonardo Cabral fala sobre planejamento para o tratamento: três, quatro, cinco ou seis implantes?

Muito se discute qual deve ser a quantidade ideal de implantes para uma reabilitação total fixa inferior. Na literatura, encontramos diversas formas de planejar esse tipo de tratamento, tanto com relação ao número de parafusos, como também ao posicionamento e angulação dos mesmos. Entendo que o ideal seria que pudéssemos padronizar esses trabalhos, mas considero inviável determinar um modelo único, principalmente tendo em vista as diversas variáveis encontradas nos aspectos físicos entre os indivíduos.

Para o planejamento de uma prótese fixa sobre implante (protocolo) devemos levar em consideração diversos fatores que vão influenciar na quantidade de parafusos a serem fixados. Entre esses estão principalmente:

  1. Idade;
  2. Gênero (masculino ou feminino);
  3. Quantidade e qualidade óssea disponível nas áreas proteticamente aproveitáveis;
  4. Arco antagonista (dentadura/dentes naturais/prótese removível?);
  5. Tempo de perda dos dentes naturais;
  6. Relação maxilo/mandibular (classe I, II ou III de Angle);
  7. Presença ou não de hábitos parafuncionais;
  8. Hábitos alimentares.

Os tratamentos executados com um grande número de implantes não são sinônimos de qualidade. Muitas vezes, a utilização de uma quantidade menor de parafusos favorece o assentamento passivo da prótese e a limpeza da mesma após a sua instalação. É importante também lembrarmos que a distribuição dos implantes é fundamental e mais importante do que a quantidade de parafusos utilizados. Da mesma forma que para todos os tratamentos odontológicos não existe “receita de bolo”, é importante que a reabilitação seja planejada de acordo com as necessidades e características de cada indivíduo.

Observe abaixo quatro casos (com controle de pelo menos três anos), de protocolos sobre implante inferiores executados sobre seis, cinco, quatro e três implantes, respectivamente – todos tendo como arco antagonista uma prótese total.

 
 

Caso clínico 1 – seis implantes.

 

Caso clínico 2 – cinco implantes.

 

Caso clínico 3 – quatro implantes.

 

Caso clínico 4 – três implantes.

 

No caso clínico 1, no qual utilizamos seis implantes, o paciente é do gênero masculino, 45 anos, 1,85 m de altura e 100kg, com características clínicas compatíveis com bruxismo severo. No caso clínico 4, o paciente é do gênero feminino, 89 anos, 1,50 m de altura e 53 kg e foi tratada com três implantes. Essas diferenças mostram os motivos que tornam inviáveis qualquer tentativa de padronização no planejamento e na quantidade de parafusos a serem fixados para o tratamento com próteses fixas totais sobre implantes. Não podemos admitir que duas pessoas tão diferentes e com expectativas de vida tão distintas sejam reabilitadas da mesma maneira.

 

Leonardo Cabral
Graduado em Odontologia – Universidade de Brasília (UnB); Especialista em Prótese Dentária e mestre em Ciência da Saúde (Prótese Dentária) – UnB; Professor substituto do Curso de Odontologia – UnB; Professor do Curso de Especialização em Prótese Dentária – UnB.

 



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