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Publicado em: 19/03/2015 19h

Alternativas de tratamento – escolhendo a melhor opção

Márcio Grisi apresenta caso clínico de lesão periodontal severa com acompanhamento de seis anos.

Uma das maiores dúvidas dos profissionais atualmente é decidir, em casos de lesões periodontais severas, se devem tratar um dente ou se devem extraí-lo e substituí-lo por um implante. Nestas circunstâncias, todos os exames devem ser realizados, de tal forma, que possam analisar todos os indicadores clínicos, como: profundidade clínica de sondagem; recessão gengival; nível clínico de inserção; presença de sangramento a sondagem; supuração; grau de envolvimento de furca e mobilidade dental e por imagens, como: as radiografias panorâmicas e as radiografias periapicais, de preferências digitais, e se necessário, lançando mão de tomografias cone-beam ou multislices.

Apesar de todos estes recursos, nem sempre se consegue estabelecer um prognóstico que nos permita, com segurança, tomar uma decisão terapêutica.

Em muitas situações, o profissional tem que tomar a decisão terapêutica durante o procedimento cirúrgico, decidindo por uma cirurgia periodontal reconstrutiva e/ou regenerativa, ou a extração e instalação de implante.

Deve-se considerar que quanto maior for o conhecimento do profissional sobre as técnicas periodontais, principalmente as regenerativas, e mais especificamente saber quando, qual e como usar os diferentes biomateriais disponíveis atualmente, melhores condições terá para decidir a melhor terapêutica para aquele caso.

No caso clínico abaixo, a decisão terapêutica foi tomada somente no momento cirúrgico. O dente 25 apresentou, inicialmente, uma suspeita de trinca radicular. Como os exames clínicos e radiográficos não foram conclusivos foi feita a opção pela realização de um acesso cirúrgico para ajudar no processo de decisão sobre qual conduta seguir: extração do dente para posterior instalação de implantes ou, caso não fosse constatada trinca ou fratura, tratamento por meio de técnicas regenerativas.

Figuras 1 a 4 – Dente 25 com suspeita de trinca radicular. Exames clínico e radiográfico não conclusivos. Opção de uma abertura cirúrgica para melhor visualização da área comprometida, as análises foram feitas com o auxílio de microscópio operatório, em aumentos sucessivos.

Não foi constatada fratura ou trinca na raiz e foi observada uma extensa perda óssea na face vestibular e nos ângulos vestibulomesial e vestibulodistal, passíveis de tratamento regenerativo. Nestas circunstâncias foi feita a opção por preservar o dente, lançando mão de uma técnica regenerativa periodontal, associando os procedimentos de raspagens e alisamento radicular, para descontaminação da superfície radicular e a aplicação da matriz derivada de esmalte, associada ao uso de material particulado, no caso o Bio-Oss. Abaixo seguem imagens ilustrativas das diferentes fases do procedimento.

Figuras 5 a 8: Sequência mostrando a aplicação da matriz derivada do esmalte (Emdogain) na superfície radicular, e o preenchimento do defeito ósseo com Bio-Oss nas regiões de defeitos contidos. Suturas foram realizadas com fio reabsorvível.

Todos os cuidados pós-operatórios foram realizados, e o paciente começou a participar de um rigoroso programa de terapia periodontal de suporte. Nas fotos abaixo, imagens clínicas e radiográficas, obtidas seis anos após o procedimento, nas quais se pode notar ausência completa de indicadores clínicos de doença periodontal e imagem radiográfica, compatível com uma situação de normalidade.

Figuras 9 e 10 – Imagens clínica e radiográfica do controle e avaliação após seis anos. Paciente participando de um programa regular e periódico de manutenção periodontal.

 

Este caso clínico exemplifica o quanto é importante que, antes da tomada de qualquer decisão terapêutica, o profissional conheça as prováveis alternativas de tratamento que ele poderá lançar mão, diante de situações complexas, como a apresentada acima.

Podemos concluir também como é importante que tenhamos os conhecimentos dos recursos disponíveis para um correto diagnóstico das técnicas e limitações das terapêuticas com implantes e periodontais e que, qualquer tratamento envolvendo procedimentos regenerativos, só podem ter sucesso se o paciente participar ativamente de um programa de terapia periodontal e peri-implantar de suporte, ou seja, visitas de manutenção regular e periódica.

 

 

Márcio Grisi

Professor associado livre-docente do Departamento de CTBMF e Periodontia – Forp- USP; Professor e diretor clínico dos Cursos de Pós-graduação em Periodontia, nível de mestrado e doutorado – Forp-USP; Professor do Curso de Especialização em Periodontia – Forp-USP; Linha de pesquisa: biomaterial em Periodontia e Implantodontia.

 



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