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Publicado em: 23/03/2015 09h42

Reconstrução de elementos em área estética: uma nova abordagem

Ricardo Gapski apresenta caso clínico em paciente de 26 anos. Confira.

Em todo trabalho protético o objetivo é sempre mimetizar a natureza, imitando formas, cores e funções dos elementos originais. Realizar a reconstrução do sorriso de um paciente que perdeu um dente aliando estética e função é o objetivo de todo implantodontista. Porém, manter as características perfeitas dos tecidos moles e duros nessas condições se torna o maior desafio dentro deste contexto1-3. Como remover um dente natural e substituir por uma prótese sobre implante em uma paciente que já possui um sorriso alto quase perfeito? Para nós, este é o maior desafio.

Atualmente, existem alguns meios de alcançar resultados estéticos mais favoráveis com implantes, como os enceramentos diagnósticos e planejamento reverso4. Esta técnica permite que encontremos o posicionamento ideal para que o trabalho seja perfeito, mas não podemos nos esquecer do principal: a cerâmica final5. A mimetização do dente natural adjacente deve ser feita de maneira eficaz, para que o ceramista consiga replicar na peça protética todas as características estéticas do sorriso do paciente. Diante desta dificuldade de tomada de cor, desenvolvemos recentemente uma técnica de mapeamento digital de cores, aliando tecnologia de software em conjunto com as fotografias digitais clínicas tradicionais6-8.

Relato de caso

Uma paciente de 26 anos apresentou-se a nossa clínica com o elemento 63 com mobilidade, e agenesia do elemento 23 (Figura 1). O plano de tratamento proposto foi a digitalização do caso baseado em fotografias digitais clínicas (Figuras 2 e 3) e substituição do dente perdido por uma prótese sobre implante. Seguindo o planejamento, concluiu-se que poderia ser feita uma microcirurgia plástica gengival para que o zênite gengival fosse harmônico em todos os quadrantes. A remoção do elemento 63 deveria ser minimamente traumática, e se o implante alcançasse torque de ≥ 35 Ncm9, uma coroa provisória fixa imediata seria instalada para obter estética imediata e condicionamento tecidual. Noventa dias depois, uma coroa metal free seria realizada baseada em um mapeamento digital de cores desenvolvido em nossa clínica.

Figura 1 – Caso inicial.

 

Figuras 2 e 3 – Planejamento digital para demonstração à paciente.


Seguindo o protocolo de planejamento, a remoção do dente foi realizada, e o torque desejado alcançado, possibilitando a confecção do provisório (Figura 4). Em um caso como este, não devemos realizar qualquer plastia gengival durante a inserção do provisório e sim esperar a completa cicatrização do caso para posteriormente avaliar a real necessidade. Note que, após 90 dias de cicatrização, observou-se uma retração de aproximadamente 1,5 mm na porção cervical da região, reforçando a opinião de que, em casos como este, qualquer modificação gengival tradicionalmente não deve ser feita em um primeiro momento cirúrgico (Figura 5). Após este período, um retoque gengival foi realizado seguindo o canino contralateral do caso (Figura 6). Após 30 dias, a moldagem foi realizada e um coping de zircônia foi confeccionado (Figura 7). Antes da aplicação final da cerâmica, foram realizadas as seguintes fotografias para o ceramista: fotografia digital com white balance pré-programado com cartão cinza 18%, fotografia preta e branca para visualizar valor, e fotografia com a escala de cores como padrão. Adicionalmente, for realizado um mapeamento de cores digitais do um dente vizinho para demonstrar ao ceramista a posição geográfica de cada cor (Figura 8). O ceramista também recebe uma fotografia com a superfície de um dente vizinho com nitidez ampliada, para visualizar a textura do esmalte do caso (Figura 9). Finalmente, características morfológicas são também desenhadas a partir de um dente natural vizinho como áreas de reflexo, linhas de fratura, concavidades, calcificações, e translucidez (Figura 10). Portanto, o técnico de laboratório possui a fotografia original, com nitidez aumentada, a macro geografia e o mapeamento digital de cores.

Figura 4 – Provisório imediato.

 

Figura 5 – Pós-operatório de três meses demonstrando recessão do tecido peri-implantar.

 

Figura 6 – Plastia do tecido peri-implantar.

 

Figura 7 – Prova do coping de zircônia.

 

Figura 8 – Mapeamento digital de cores em dente adjacente junto ao protocolo de imagens tradicionais.

 

Figura 9 – Evidenciamento de textura em dente adjacente.

 

Figura 10 – Macro geografia digital.

 

Figura 11 – Aplicação do mapeamento pelo ceramista.

Acreditamos que estas ferramentas, tanto as fotografias tradicionais como as digitalizações por aqui apresentadas, permitem um trabalho mais exato do caso (Figura 11). Por fim, o sorriso final apresentou estética, funcionalidade e harmonia, causando a satisfação plena da paciente e da equipe (Figuras 12 e 13).

 

Figuras 12 e 13 – Sorriso final.


Referências

1.         Garber DA. The esthetic dental implant: letting restoration be the guide. Journal of the American Dental Association 1995;126:319-25.

2.         Garber DA. The esthetic dental implant: letting restoration be the guide. The Journal of oral implantology 1996;22:45-50.

3.         Perri GR. Esthetic and functional issues with replacing a single missing anterior tooth with an osseointegrated dental implant. Compendium of continuing education in dentistry 2011;32(5):21-4.

4.         Galindo DF, Butura CC. Immediate loading of dental implants in the esthetic region using computer-guided implant treatment software and stereolithographic models for a patient with eating disorders. Journal of prosthodontics: official journal of the American College of Prosthodontists 2014;23:98-103.

5.         Barclay CW, Last KS, Williams R. The clinical assessment of a ceramic-coated transmucosal dental implant collar. The International journal of prosthodontics 1996;9:466-72.

6.         Coachman C, Salama M, Garber D, Calamita M, Salama H, Cabral G. Prosthetic gingival reconstruction in a fixed partial restoration. Part 1: introduction to artificial gingiva as an alternative therapy. The International journal of periodontics & restorative dentistry 2009;29:471-77.

7.         Coachman C, Salama M, Garber D, Calamita M, Salama H, Cabral G. Prosthetic gingival reconstruction in fixed partial restorations. Part 3: laboratory procedures and maintenance. The International journal of periodontics & restorative dentistry 2010;30:19-29.

8.         Salama M, Coachman C, Garber D, Calamita M, Salama H, Cabral G. Prosthetic gingival reconstruction in the fixed partial restoration. Part 2: diagnosis and treatment planning. The International journal of periodontics & restorative dentistry 2009;29:573-81.

9.         Gapski R, Wang HL, Mascarenhas P, Lang NP. Critical review of immediate implant loading. Clinical oral implants research 2003;14:515-27.

 

Ricardo Gapski

BDS; DDS; MS; inPhD; Coordenador e mestre em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Curitiba; Diplomado – American Board of Periodontology; Diplomado – International Congress of Oral Implantologists; Especialista em Periodontia – University of Michigan; Master´s of Science em Periodontia – University of Michigan; Doctor of Dental Surgeon – University of Missouri; Presidente – ICOI Brasil.

 



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