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Publicado em: 06/05/2015 09h47

Microcirurgia plástica periodontal e peri-implantar

Glécio Vaz de Campos defende técnica minimamente invasiva.

A tendência atual da Periodontia estética é a busca de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, cujo sucesso seja avaliado pela qualidade do pós-operatório, pela ausência de cicatrizes e pela previsibilidade dos resultados. A microcirurgia plástica periodontal vem sendo utilizada com o objetivo de atender a esses requisitos. É uma técnica realizada com microscópio operatório e microinstrumentos, e constitui um refinamento das técnicas convencionais. Essa filosofia cirúrgica, já bem estabelecida na Medicina, é baseada em três princípios. O primeiro é o aumento da habilidade motora para melhorar o desempenho cirúrgico, isso fica evidente nos movimentos das mãos, executados com grande precisão e reduzido tremor. O segundo princípio da microcirurgia é o uso de microinstrumentos que possuem ponta ativa precisa e delicada, para reduzir o traumatismo nos tecidos. O terceiro é a busca do fechamento da ferida cirúrgica de forma passiva, com retalhos posicionados borda a borda, o que elimina espaços vazios e favorece a cicatrização por primeira intenção.

O fechamento ideal da ferida microcirúrgica é avaliado pela incisão imperceptível, pelo mínimo dano tecidual e pela ausência de sangramento pós-cirúrgico. Para isso, utilizam-se suturas delicadas e precisas, com mínima tensão nos retalhos.

O traumatismo reduzido nos tecidos envolvidos na microcirurgia e o padrão de cicatrização por primeira intenção conduzem a um pós-operatório confortável e uma cicatrização mais rápida, sem a produção de fibroses . Isso contribui para a melhor aceitação dos procedimentos cirúrgicos pelos pacientes e para alcançar resultados estéticos mais previsíveis.

O microscópio operatório oferece ótima iluminação do campo operatório (quatro vezes ou mais que um refletor odontológico) e várias possibilidades de magnificação, variando de três a 30 vezes de aumento, conforme o modelo. Como o campo operatório é restrito à visualização da área operada e ponta ativa dos instrumentos, o aprendizado da microcirurgia requer o desenvolvimento simultâneo da habilidade das mãos, dos olhos e da mente, na mesma proporção do estudo dos procedimentos e técnicas cirúrgicas. Isso somente é possível por meio de repetidos exercícios em laboratórios equipados adequadamente para esse fim, antes da implementação da técnica no atendimento de pacientes.
 

Laboratório para treinamento de técnicas de microcirurgia plástica periodontal
e peri-implantar.

 

Microcirurgia plástica peri-implantar

O aumento da exigência estética dos pacientes tem mobilizado os implantodontistas e periodontistas na busca de procedimentos cirúrgicos que ofereçam aos tecidos peri-implantares características próximas às dos tecidos periodontais saudáveis. O sucesso das microcirurgias plásticas periodontais na correção dos defeitos mucogengivais motivou o direcionamento dessas técnicas para os defeitos estéticos peri-implantares, como ausência de tecido queratinizado, alteração de papila, perda de espessura de tecido mole, excesso de tecido peri-implantar e exposição do componente protético.

Sequência de uma microcirurgia: incisão inicial, início da microssutura do enxerto
conjuntivo e a finalização da microssutura.


Para alcançar resultados previsíveis e satisfatórios no manejo dos tecidos moles, devem-se considerar também as diferenças biológicas entre o periodonto e o tecido peri-implantar. A orientação das fibras colágenas da mucosa peri-implantar é paralela à superfície da plataforma do implante, e tem como origem a crista óssea. O epitélio juncional é duas vezes mais longo, quando comparado ao periodonto saudável (24). Outra diferença bastante importante, do ponto de vista cirúrgico, é a diminuição do suprimento sanguíneo nos tecidos peri-implantares devido à ausência do ligamento periodontal. Essas características podem ser um fator complicador nas cirurgias plásticas peri-implantares convencionais (realizadas a olho nu e com instrumentos mais grosseiros), em especial nos pacientes com fenótipo periodontal mais fino. A manipulação dos tecidos moles mais delicados e com limitação de nutrição favorece complicações e dificulta a revascularização dos enxertos.

O uso dos princípios de microcirurgia propicia a precisão dos passos técnicos, o controle da nutrição dos tecidos peri-implantares e a cicatrização por primeira intenção, aumentando a previsibilidade dos resultados em áreas de dificuldade técnica e de grande solicitação estética.

As microcirurgias plásticas peri-implantares podem ser realizadas em diferentes momentos para a correção dos defeitos de tecido mole.
 

1. Antes da instalação do implante:
1ª antes da exodontias;
2ª após a exodontia.

2. Durante a instalação do implante.

3. Após a instalação do implante:
3A: segunda fase cirúrgica;
3B: fase de coroa provisória;
3C: fase de instalação protética;
3D: fase de manutenção.

 

 Glécio Vaz de Campos
 Introdutor no Brasil das técnicas de microcirurgias periodontais e peri-implantares; Coautor de 13 livros abordando microcirurgia plástica periodontal e peri-implantar; Ministrador de cursos de treinamento de microcirurgia em sua clínica particular, Jundiaí/SP.

 glecio.microcirurgia@gmail.com

 



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