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Publicado em: 12/05/2015 14h16

Perda óssea peri-implantar: qual a origem?

Roberto S. Pessoa fala sobre fatores que diminuem os riscos de falha da Implantodontia.

À medida que a osseointegração do implante é alcançada, maior ênfase tem sido colocada sobre os resultados estéticos da terapia com implantes. Para conseguir uma restauração implantossuportada em harmonia e simetria com o formato da coroa dos dentes naturais adjacentes, bem como com a do dente contralateral, a posição da margem da mucosa peri-implantar na face vestibular da coroa implantossuportada é essencial. Ela vai ditar o comprimento e formato cervical da coroa implantossuportada. Além disso, o grau de preenchimento da papila interdental é de interesse particular, uma vez que a sua localização e estabilidade é outro critério importante na determinação dos resultados estéticos do tratamento com implantes. Por sua vez, o nível do osso de suporte constitui a base para o tecido mole supracristal. Consequentemente, a perda de osso peri-implantar pode influenciar negativamente a topografia dos tecido moles, levando à recessão ou ausência de papila. Mais ainda, o colapso inicial da interface do implante com os tecidos circunjacentes, o qual pode levar a falha de implantes com a osseointegração estabelecida, geralmente começa na região do módulo da crista do implante. Desta maneira, uma crescente atenção tem sido dada às causas da remodelação óssea peri-implantar, após a exposição do implante ao meio bucal.

Vários estudos têm sido realizados para explicar essas mudanças na altura da crista óssea peri-implantar. Alguns autores atribuem a perda óssea à formação de um espaço biológico adjacente ao implante. Uma espessura mínima de mucosa seria necessária para estabelecer uma inserção epitelial e de tecido conjuntivo peri-implantar. Se a espessura da mucosa for 2 mm ou menos, a formação da distância biológica do implante envolverá perda óssea. Por outro lado, muitos autores demonstraram que a microdesadaptação entre o implante e o componente protético está associada com contaminação bacteriana, que induz a formação de um infiltrado inflamatório crônico e, consequentemente, a reabsorção do osso marginal.

Além disso, aspectos biomecânicos da reabsorção óssea marginal também têm sido investigados. A concentração de tensão/deformação, causada por carregamento dinâmico excessivo, é capaz de induzir a perda de osso marginal em torno dos implantes osseointegrados, mesmo sem a presença do biofilme oral. Esta etiologia foi confirmada por estudos em animais, em que se verificou perda completa ou parcial da osseointegração em torno dos implantes excessivamente carregados. Em implantes sem carga utilizados como controle, nenhuma perda óssea foi observada.

Alguns fatores são reconhecidos por influenciar a extensão da remodelação óssea peri-implantar, como os biótipos periodontais, a densidade óssea, o trauma cirúrgico, a peri-implantar, o posicionamento do microgap, o tratamento da superfície, o tipo de conexão protética e o design do módulo da crista do implante. Entretanto, ainda não existe um entendimento claro sobre como as características específicas do design do implante se relacionam à perda óssea peri-implantar, no que diz respeito às suas possíveis etiologias biológicas, bacteriológicas e biomecânicas.

A determinação da influência relativa de cada um dos fatores que podem afetar a perda óssea peri-implantar possibilitará o desenvolvimento de designs de implantes em função dos parâmetros que definem o sucesso longitudinal estético e funcional do tratamento, aumentando a previsibilidade e diminuindo os riscos de falha da Implantodontia. Estudos neste sentido estão sendo desenvolvidos.

 

 

Figura 1 – Avaliação da perda óssea peri-implantar comparando implantes hexágono externo (HE) com cone-morse (CM). Note a maior perda óssea para implantes HE.

 

Figura 2 – Avaliação da perda óssea peri-implantar comparando implantes cone-morse com e sem roscas na região do módulo da crista. Note a maior perda óssea para implantes sem roscas.
 

 

 

Roberto S. Pessoa

Especialista em Periodontia – ABO/EAP, Uberlândia; Mestre em Reabilitação Oral – Foufu, Uberlândia; Doutor em Periodontia e Implantodontia – FOAr/Unesp, Araraquara; Pós-doutor em Biomecânica – Femec/UFU, Uberlândia; Research Fellow BMe – Biomechanical Section Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica; Pesquisador do Centro de Pesquisa em Biomecânica (CPBio), Biomateriais e Biologia Celular – FOUFU, Uberlândia.

 



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