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Publicado em: 01/06/2015 16h49

Estética rosa peri-implantar

Ricardo de Souza Magini faz uma análise dos procedimentos que minimizam a perda de volume tecidual ou promovem a reconstrução.

Na Odontologia, busca-se a tríade saúde/função/estética. Neste contexto, a estética é protagonista. Aliás, a filosofia sempre inqueriu a respeito da essência do belo. É impossível conceber uma definição absoluta do belo, contudo, os filósofos gregos devotaram seus preciosos intelectos na tentativa de classificá-lo com o ideal de perfeição, harmonia, equilíbrio de simetria e proporção. Todavia, deve-se distinguir o belo do sublime, pois este adjetivo representa a perfeição que é o superlativo do belo. Assim, transcende ao humano. Reconheço esse espaço como laico, mas a perfeição é divina. A procura pelo sublime é inatingível. O clínico que almejá-lo, vai se frustrar. A busca da excelência é necessária, porém, dentro das limitações humanas.

O conceito de valores estéticos é determinado pela ponderação da sociedade contemporânea (produto da cultura, na qual o indivíduo está inserido). Em relação ao belo, pergunto aos leitores: existe algo mais sublime do que o sorriso? Qual é o poder de um sorriso?

Inúmeras frases objetivaram expressar a importância deste movimento muscular que expõe dentes, gengiva e/ou mucosa peri-implantar, tais como:

“Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios”, Martin Luther King.

“O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores”, Mario Quintana.

 “O sorriso é o sol que varre o inverno do rosto humano”, Victor Hugo.

“Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado”, Charles Chaplin.

Somos privilegiados por trabalhar no espelho da alma. Porém, este favorecimento nos traz uma responsabilidade gigantesca. Devemos saber como evitar e/ou corrigir desarmonias dentais (“estética branca”) e gengivais/mucosais (“estética rosa”).

Na estética rosa, o objetivo terapêutico fundamental é a manutenção da integridade marginal, isto é, a inexistência de recessão marginal e/ou perda papilar. Logo, o nível da crista óssea é crítico para obtenção da estética rosa, pois é determinante para o posicionamento das margens gengival e da mucosa peri-implantar. E a presença da papila depende do nível ósseo interproximal, distância do ponto (área) de contato à crista óssea, volume de tecido conjuntivo e suporte proximal da coroa1. Assim, é essencial o conhecimento dos eventos que promovem as alterações dimensionais (horizontais e verticais) que ocorrem após a exodontia.

 


Estabilidade marginal: ausência de recessão marginal (gengiva, dente e mucosa peri-implantar – implante), e presença de papila.

Com a remoção dental, o osso fasciculado perde a sua função e desaparece. Este evento é de importância primordial no desenvolvimento inerente da reparação óssea (modelamento/remodelamento) decorrente da exodontia. Nesta dinâmica de modificação tecidual, a redução do volume ósseo é inevitável e significativa. A amplitude da diminuição varia, consideravelmente, entre indivíduos e é influenciada por variáveis diversas2.
 

A questão primordial é que atualmente, inexiste a possibilidade de cessar o modelamento/remodelamento ósseo.


As consequências clínicas das alterações fisiológicas dos tecidos ósseo e moles podem afetar o resultado da terapia, pela limitação do osso disponível para a colocação ideal do implante, e/ou pela resolução estética da prótese implantossuportada3. Entretanto, existem estratégias para compensar mudanças dimensionais do rebordo residual. Estas técnicas podem ser classificadas em duas abordagens: I) técnicas que minimizam a magnitude das alterações dimensionais; II) técnicas que aumentam (horizontal e/ou verticalmente) o rebordo residual4.

Destacaremos as técnicas que minimizam as alterações dimensionais do rebordo residual.

As técnicas que procuram minimizar as alterações dimensionais pós-exodontia ambicionam gerar volumes teciduais (moles e ósseos) para a colocação do(s) implante(s) no posicionamento ideal para a obtenção e manutenção da tríade: saúde/função/estética. Dentre essas estratégias destacam-se as seguintes:

  • Exodontia minimamente invasiva;
  • Implante imediato;
  • Implante precoce;
  • Preenchimento do alvéolo fresco;
  • Regeneração Óssea Guiada (ROG);
  • Preenchimento do alvéolo mais ROG.

As razões para a minimização da perda tecidual, após a exodontia, incluem4:

  • “Manutenção” do volume tecidual pré-existente à exodontia;
  • “Manutenção” de volume tecidual estável para a otimização dos resultados funcional e estético;
  • Simplificação dos procedimentos terapêuticos subsequentes à minimização da perda de volume tecidual.

Em resumo, o clínico dispõe de procedimentos terapêuticos que minimizam a perda de volume tecidual, de técnicas, se necessário, de reconstrução (horizontal e/ou vertical) do rebordo residual, conexões crônicas e plataforma switching, para a obtenção da estética rosa.

 

“Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu sorriso, porque então morreria.” (Pablo Neruda)

 

Referências

  1. Grunder U, Gracis S, Capelli M. Influence of the 3-D bone-to-implant relationchip on esthetics. Int J Periondontics Restorative Dent 2000;20(1):11-7.
  2. Araujo MG, Lindhe J. Dimensional ridge alterations folllowing tooth extraction. An experimental study in the dog. J Clin Periodontol 2005;32:212-8.
  3. Vignoletti F et al. Surgical protocols for ridge preservation after tooth extraction. A systematic review. Clin. Oral Impl. Res 2012;23(suppl.5):22-38.
  4. Hammerle CHF et al. Evidence-based knowledge on the biology and treatment of extraction sockets. Clin. Oral Impl Res 2012;23(suppl.5):80-2.

 

 Ricardo de Souza Magini


 Professor titular da UFSC; Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOB/USP;    Professor do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, área de concentração de  Implantodontia.



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