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Publicado em: 29/07/2015 10h20

Biomateriais xenógenos e sintéticos: quais as nossas limitações?

Luís Guilherme Macedo faz uma análise das indicações e do uso destes materiais.

O crescimento da Implantodontia se deve em grande parte ao avanço científico e ao desenvolvimento da tecnologia, os quais permitem ao profissional aprimorar a técnica, os instrumentais e o material utilizado em busca de resultados cada vez mais satisfatórios e previsíveis. Dentre esse progresso, podemos destacar a evolução dos biomateriais sintéticos e xenógenos. Mas, será que já podemos substituir os enxertos autógenos? Diante dessa questão, sempre procuramos responder outro questionamento, que está relacionado às nossas limitações clínicas com tais biomateriais.

Estudos de biologia óssea mostram que existem fatores essenciais para a formação óssea. Entre eles, destacam-se: vascularização, células formadoras de osso, proteínas (proteína morfogenética óssea – BMP), arcabouço para sustentação do novo osso formado e estabilidade de interface.

Assim, levanta-se um questionamento: como conseguimos êxito com materiais que não apresentam células e proteínas, dois dos cinco fatores essenciais? A resposta está na avaliação e no preparo do leito receptor. Segundo dados da literatura (Boyne P, 1997), tais fatores são importantes no local onde o enxerto será realizado, e não necessariamente no material. Ou seja, se as células e proteínas não estiverem presentes no material, elas deverão estar presentes e disponíveis no leito receptor, razão pela qual a realização de pequenas perfurações corticais é recomendada.


Nos “pequenos defeitos”, e assim denominam-se as situações clínicas de fenestrações em implantes e gaps em implantes imediatos, encontram-se todos os pré-requisitos necessários, favorecendo a utilização dos diversos materiais na forma de grânulos. Em procedimentos de elevação da membrana do seio maxilar, também encontramos as mesmas condições, ou seja, paredes ósseas contendo células e vasos, entretanto, em vista das dimensões da cavidade, recomenda-se o uso de biomateriais de partículas grandes (> 750 µm), conforme dados de literatura (Kon et al, 2014 – Int J Oral Maxillofac Implants), para manutenção do volume enxertado.

Quando estamos diante dos defeitos onlay, ou chamados aposicionais, a atrofia do rebordo ósseo diminui o potencial de regeneração do mesmo e, aliado à ausência de paredes que poderiam estabilizar o material de enxertia, impedem a utilização dos biomateriais em grânulos. Nesse ínterim, estudos recentes (Pistilli et al, 2014 – Eur J Oral Implantol) demonstraram a possibilidade de reconstrução com blocos xenógenos em humanos, com resultados satisfatórios em comparação aos enxertos autógenos. Dentro desse escopo, um estudo publicado em 2015 (Lim et al – J Periodontal Implantol Sci) demonstrou em animais os bons resultados com blocos sintéticos para crescimento ósseo vertical, mostrando que a modificação da estrutura física do material permite o aumento de sua resistência para que ele possa ser utilizado com segurança na forma de blocos.

Assim, vemos que a ciência vem trabalhando em prol de materiais que possam nos satisfazer em todas as diversas situações clínicas. Respondendo ao nosso questionamento principal, sobre quais seriam atualmente nossas reais limitações, vemos que os casos de extrema atrofia em que há falta dos fatores essenciais para a formação óssea, como vascularização, células e proteínas, contraindicam o uso desses biomateriais. Ou seja, quanto mais pobre o leito receptor, mais rico precisa ser o material de enxertia.

 



Luís Guilherme Macedo

Especialista em Periodontia e Implantodontia – Unesp, SJC; Mestre em Implantodontia – Unisa, SP; Doutor em Prótese Fixa – Unesp, SJC; Professor dos cursos de mestrado e especialização em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Campinas; Membro da Eppic (Equipe Periodontia-Implantodontia-Prótese), Campinas.

 

 

 



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