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Publicado em: 17/08/2015 16h46

Otimização da estética em reabilitação implantossuportada unitária anterior em situação de perda tecidual

Caso clínico apresentado por André Antonio Pelegrine e Marcelo Lucchesi Teixeira.

Introdução

Atualmente, uma das maiores preocupações da Odontologia durante a elaboração de um plano de tratamento é a reabilitação das funções mastigatórias e estéticas do paciente. A falta de tecido duro e mole é um dos principais obstáculos que surgiram com o desenvolvimento da Implantodontia.

Dentre esses defeitos, destaca-se a recessão gengival, que normalmente repercute tanto na perda de tecido gengival (periodonto de proteção) como de tecido ósseo (periodonto de sustentação). A recessão gengival pode ser definida como uma mudança no nível da gengiva marginal livre, a qual se desloca para uma posição mais apical da junção amelocementária, ocasionando a exposição da superfície radicular para o meio oral (Abolfazli et al, 2009).

Os fatores etiológicos das recessões gengivais estão frequentemente associados à doença periodontal e à escovação traumática (Henriques et al, 2010), no entanto, o mal posicionamento dental, as inserções altas de bridas e freios labiais, as fenestrações e deiscência de osso alveolar, assim como as movimentações ortodônticas intempestivas, também estão ligados às causas da doença. Este quadro clínico geralmente acarreta o surgimento de hipersensibilidade dentinária, alterações estéticas e perda de inserção (Moriyama et al, 2009).

Diversos procedimentos cirúrgicos têm sido utilizados para obter o recobrimento radicular. O enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (ETCS) apresenta um elevado grau de estabilidade no tratamento das recessões classe I e II de Miller, sendo adotado como tratamento de primeira escolha neste tipo de situação clínica. Quando a recessão tecidual em área estética está associada a elementos dentários que virão a ser repostos por meio de reabilitações sobre implantes, faz-se mister a manipulação tecidual prévia e/ou concomitantemente à instalação do(s) implante(s), Man et al, 2013.

As cirurgias reparatórias, tanto de tecido mole como de tecido duro, proporcionaram aos cirurgiões-dentistas a obtenção de melhores resultados estéticos (Seibert, 1991; Salama, 1996) e devem ser levadas em consideração quando da abordagem em regiões estéticas que estejam acometidas por perda tecidual.

 

Caso clínico

Um paciente adulto jovem compareceu à clínica com queixas relacionadas ao dente 21, que estava com o tecido gengival retraído e dolorido à escovação (Figura 1). Após análise imaginológica, por meio de tomografia computadorizada, foi constatada presença de extensa reabsorção radicular (Figura 2) e optou-se pela reposição deste elemento por uma reabilitação implantossuportada. No entanto, a despeito da necessidade de exodontia para condução deste planejamento, optou-se pelo procedimento de recobrimento radicular por meio da utilização de um enxerto de tecido conjuntivo subepitelial previamente à exodontia (Figuras 3A e 3B). Concomitantemente, foi efetuada uma frenotomia para eliminar a inserção alta do freio labial. O motivo do procedimento de enxertia de tecido mole anteceder a exodontia e a instalação de implante foi o de obter-se um adequado volume de tecido mole para a futura implantação e enxertia óssea.

Após o período de dois meses a região foi reaberta, o dente 21 foi extraído e um implante cônico foi instalado. O gap existente entre o implante e a tábua óssea vestibular foi preenchido com hidroxiapatita bovina e um abutment foi torqueado para possibilitar a instalação de uma coroa provisória sobre implante (Figuras 4A e 4B). Posteriormente ao período de osseointegração, foi confeccionada uma prótese cerâmica metal free. O resultado clínico final demonstrou presença de adequado volume tecidual com estética satisfatória (Figura 5), corroborando o potencial reconstrutivo deste tipo de metodologia.

 

Figura 1– Aspecto clínico inicial. Figura 2 – Corte tomográfico evidenciando a reabsorção radicular.

 

 
Figuras 3 – A. Enxerto de tecido conjuntivo removido da região palatina. B. Pós-operatório imediato do procedimento de frenotomia e recobrimento radicular.
 
 
Figuras 4 – A. Aspecto clínico após instalação do implante, enxertia óssea e instalação de abutment. Notar a presença de luva plástica sobre abutment para possibilitar a confecção de prótese provisória bem adaptada. B. Coroa provisória em posição.
 
 
Figura 5 – Aspecto final da reabilitação implantossuportada.

 

Referências

  • Abolfazli N, Saleh-Saber F, Eskandari A, Lafzi A. A comparative study of the long term results of root coverage with connective tissue graft or enamel matrix protein: 24-month results. Med Oral Patol Oral Cir Bucal 2009;14(6):304-9.
  • Henriques PS, Pelegrine AA, Nogueira AA, Borghi MM. Application of subepithelial connective tissue graft with or without enamel matrix derivative for root coverage: a split-mouth randomized study. J Oral Sci 2010;52(3):463-71.
  • Man Y, Wang Y, Qu Y, Wang P, Gong P. A palatal roll envelope technique for peri-implant mucosa reconstruction: a prospective case series study. Int J Oral Maxillofac Surg 2013 May;42(5):660-5.
  • Moriyama T, Matsumoto S, Makiishi T. Root coverage technique with enamel matrix derivative. Bull Tokyo Dent Coll 2009;50(2):97-104.
  • Salama H. A esthetics and plastic surgery in periodontics: Alveolar ridge preservation and reconstruction. Periodontology 2000 1996;11:69-84.
  • Seibert JS. Ridge augumentation to enhanse estetics in fixed prosthetic treatment. Compend Contin Educ Dent 1991;12(8):548, 50-2.

 


André Antonio Pelegrine

Especialista em Periodontia e Implantodontia; Mestre em Implantodontia; Doutor em Clínica Médica; Pós-doutorado em Cirurgia Translacional; Professor coordenador da área de Implantodontia – São Leopoldo Mandic; Professor coordenador dos cursos de Especialização em Reabilitação Oral e Estética e do Mestrado em Implantodontia – São Leopoldo Mandic; Coordenador da parte cirúrgica da Equipe Perio-Prótese-Implantodontia de Campinas (Eppic).

 


Marcelo Lucchesi Teixeira

Especialista em Prótese Dentária; Mestre em Prótese Dentária; Doutor em Prótese Dentária; Professor coordenador dos cursos de Especialização em Reabilitação Oral e Estética e do Mestrado em Implantodontia – São Leopoldo Mandic; Coordenador da parte protética da Equipe Perio-Prótese-Implantodontia de Campinas (Eppic).



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