INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe   Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 17/09/2015 15h17

Estado atual dos enxertos homógenos provenientes de bancos de tecidos

Wilson Sendyk fala sobre essa alternativa para o ganho em volume e reconstrução dos rebordos atróficos.

A reconstrução do osso alveolar em pacientes com atrofia de rebordo da maxila e mandíbula sempre foi um desafio técnico para a instalação de implantes dentários. A solução mais frequentemente utilizada para a reabilitação bucal com implantes dentários, em pacientes que apresentavam processo alveolar atrófico, foi o enxerto ósseo autógeno. Se bem que os enxertos autógenos são, até hoje, uma forma efetiva de reconstrução óssea. Eles apresentam o inconveniente de requerer área doadora, o que, além de aumentar o trauma do procedimento, pode complicar o pós-operatório da cirurgia. Por este motivo, a busca por outras alternativas de enxertias e biomateriais é constante.

Atualmente, uma grande variedade de biomateriais para reconstrução do processo alveolar é ofertada no mercado odontológico. São eles os enxertos ósseos homógenos, frescos ou liofilizados; as hidroxiapatitas naturais ou sintéticas; as cerâmicas e as proteínas indutoras de ossificação. Todos apresentam suas indicações e, obviamente, suas limitações.

Dentre as atuais possibilidades de substitutos ósseos, o enxerto ósseo homógeno, proveniente de bancos de tecidos, aparece como uma alternativa viável. Diversos estudos atestam a eficácia da utilização dele, previamente à instalação de implantes osseointegráveis, mostrando ausência de processos infecciosos, presença de volume adequado de tecido ósseo e com boa densidade, permitindo estabilidade inicial dos implantes e sucesso quando estes são submetidos à carga funcional.

Temos estudado estes procedimentos de enxertias homógenas há mais de dez anos. Nossos estudos iniciaram-se com a utilização de enxertos homógenos em bloco e particulados, em animais como o coelho. A partir do momento que ganhamos conhecimento, extrapolamos nossas pesquisas para a aplicação clínica em pacientes. Enxertos em bloco, tipo onlay, foram indicados para ganhos em altura e/ou espessura; enxertos particulados, tipo inlay, para reconstrução de alvéolos, cavidades ósseas ou levantamento do seio maxilar.

Três fatores são críticos para a aplicação com sucesso destes enxertos em reconstrução óssea: a adaptação ao leito receptor, a qualidade da cobertura feita pelos retalhos cirúrgicos e o tempo de reparação a ser esperado antes da colocação dos implantes.

A adaptação do enxerto ao leito é importante para que não exista possibilidade de interposição de tecido conjuntivo fibroso entre um e outro. A presença de tecido fibroso entre o enxerto e o leito receptor poderá comprometer a qualidade da osseointegração dos implantes que serão instalados nesta área.

Os retalhos cirúrgicos deverão revestir totalmente o enxerto ósseo, com a finalidade de conseguir-se reparação por primeira intenção. Com isto, diminui muito a possibilidade de deiscências de sutura e exposição do enxerto ao meio bucal, situação altamente relacionada ao aparecimento de necroses e sequestros ósseos.

Em relação ao tempo de espera entre a enxertia e a instalação do implante, devemos fazer algumas considerações. O enxerto ósseo homógeno tem uma reparação retardada quando comparado ao enxerto autógeno. Após a enxertia de blocos, deveremos esperar oito meses para a colocação de implantes. Este é o tempo necessário para que exista a revascularização total do enxerto e sua celularização parcial. A mesma regra deverá ser seguida para cirurgias de levantamento do seio maxilar. Já na utilização de osso particulado em alvéolos obtidos após extração dentária, é prevista a colocação de implantes após quatro meses.

Com base na literatura e na nossa experiência clínica, podemos dizer que a utilização de osso humano fresco congelado, em bloco ou particulado, conservado em banco de tecidos, é uma alternativa viável para ganho em volume e reconstrução dos rebordos atróficos, diminuindo a morbidade e os riscos inerentes à abordagem da região doadora dos enxertos autógenos, além de apresentar capacidade de remodelação, incorporação e características físicas que permitem que o enxerto homógeno resista às cargas funcionais, quando da instalação de implantes osseointegráveis.

 

Figura 1 – Ausência do incisivo lateral superior esquerdo e consequente perda de altura e espessura do processo alveolar.
 
Figura 2 – Notar a deformação provocada pela perda óssea quando observado por via oclusal.
Figura 3 – A prototipagem demonstra muito bem a reabsorção óssea. Figura 4 – Bloco de osso homógeno proveniente de banco de tecidos, fixado no leito receptor.
 
Figura 5 – Reconstituição imediata da perda horizontal. Figura 6 – Reabertura do retalho cirúrgico após oito meses.
 
Figura 7 – Vista vestibular da reconstrução, com implante recém-colocado. Observar o ganho ósseo em altura. Figura 8 – Idem em vista oclusal. Observar ganho ósseo vestibular.
 
Figura 9 – Reabertura e colocação do pilar de cicatrização, após seis meses da instalação do implante. Figura 10 – Retalhos suturados.

 

Leituras recomendadas

  • Sendyk, WR, Sendyk DI, Pelegrine AA, da Costa CES, Macedo LG, Cosmo LM. Estado atual do uso de enxertos homógenos provenientes de banco de tecidos em Implantodontia. In: Rossetti PHO, Bonachela WC (eds) 50 anos de Osseointegração. Reflexões e perspectivas. São Paulo: VM Cultural, 2015. p.267-83.
  • Sendyk WR, Querido MRM, Silva CEXR. Avaliação histológica da reparação de enxertos ósseos autogenos e alógenos frescos congelados em coelhos. ImplantNews 2010;7(3a):27-34.
  • Macedo LG, Mazzucchelli-Cosmo LA, Macedo NL, Monteiro AS, Sendyk WR. Fresh-frozen human bone allograft in vertical ridge augmentation: clinical and tomographic evaluation of bone formation and resorption. Cell Tissue Bank 2012;13(4):577-86.
  • Pelegrine AA, Sorgi da Costa CE, Sendyk WR, Gromatzky A. The comparative analysis of homologous fresh frozen bone and autogenous bone graft, associated or not with autogenous bone marrow, in rabbit calvaria: a clinical and histomorphometric study. Cell Tissue Bank 2011;12(3):171-84.
  • Sendyk WR, Sendyk CL, Pelegrine AA, Costa CE, Macedo LG, Cosmo LA. O uso de ossos provenientes de banco de tecidos em implantodontia. In: Antonio Wilson Sallum; Alvaro José Cicareli. (Org.). In: Sallum AW, Cicarelli AJ, editors. Centenário da APCD, 1ª ed. Nova Odessa: Napoleão, 2011. p.163-76.

     


Wilson Roberto Sendyk

Livre docente em Implantodontia pela FOP/Unicamp; Doutor em Periodontia e mestre em Odontologia pela FOUSP; Professor titular de Periodontia e Implantodontia; Coordenador do mestrado em Implantodontia da Unisa.

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters