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Publicado em: 27/10/2015 16h03

Plasma rico em plaquetas, fibrina rica em plaquetas: os agregados plaquetários autólogos

Ricardo Schmitutz Jahn traça um panorama sobre a aceitação e o desenvolvimento do estudo dos agregados plaquetários.

Há vinte anos (sim, vinte anos) venho estudando, acompanhando e utilizando a tecnologia dos agregados plaquetários. Durante todo esse tempo, as técnicas foram duramente criticadas por muitos profissionais. Algumas críticas construtivas, outras nem tanto, e muitas, mas muitas mesmo, de colegas que sequer conheciam a técnica e em eventos faziam questão de manifestarem-se contrários ao seu uso; e quando eram arguidos a respeito, mostravam que sequer conheciam as bases biológicas que fundamentavam as pesquisas.

Os tempos mudaram, a ciência avançou e as evidências começaram a aparecer levando os estudos sobre plasma rico em plaquetas (PRP) e fibrina rica em plaquetas (PRF) da categoria de “bruxaria” para a categoria ciência. Atualmente, os agregados plaquetários vêm sendo estudados fortemente em várias áreas do conhecimento em saúde, como nas especialidades médicas (Ortopedia, Dermatologia, Cirurgia plástica etc), na Medicina Veterinária e na Odontologia. As primeiras evidências científicas despontam, apesar das opiniões contrárias.

Recentemente, o Conselho Federal de Odontologia publicou no Diário Oficial da União a resolução 158/2015 que regulamenta o uso de agregados plaquetários para fins não transfusionais no âmbito da Odontologia, possibilitando ao cirurgião-dentista a coleta de sangue e obtenção de PRP e PRF em consultório odontológico ou em centro cirúrgico. Agora nos encontramos em um novo momento, o de habilitação do profissional para uso da tecnologia. Certamente surgirão eventos e cursos com a proposta de “credenciamento” e habilitação, muitos deles ligados a grupos e marcas comerciais. Mas fica a pergunta, esses cursos devem credenciar para determinado procedimento e protocolo de marcas comerciais, ou para o entendimento da biologia e da manipulação de agregados plaquetários e seus resultados clínicos? Considerando que o Código de Ética Odontológica, resolução do CFO-118/2012, disciplina no artigo 5o: “constituem direitos fundamentais dos profissionais inscritos, segundo suas atribuições específicas” em seu inciso I: “diagnosticar, planejar e executar tratamentos com liberdades de convicção, nos limites de suas atribuições, observados o estado atual da ciência e sua dignidade profissional”, considero que muitos profissionais já vêm sendo habilitados ao longo dos últimos anos e que os novos profissionais devem receber treinamento adequado em seus cursos de graduação, extensão e pós-graduação, evitando os chamados cursos de credenciamento de caráter puramente comercial.

O surgimento de novas tecnologias, como o A-PRF, I-PRF, L-PRF, FLA e outros são muito bem-vindas, e têm sido utilizadas por pesquisadores responsáveis e engajados em seus estudos por décadas. Essas evoluções trazem o conceito inicial de PRP para um momento de maior facilidade de uso e obtenção, mas não invalidam as tecnologias anteriores. Aliás, a maior parte das evidências científicas é publicada em estudos feitos nos conceitos e técnicas de PRP.

Os conhecimentos da fisiologia da reparação, das propriedades dos coágulos, dos componentes do coágulo de fibrina, com leucócitos e fatores de crescimento levam ao bom uso da técnica e, principalmente, à sua boa indicação, lembrando que tratamos pacientes com vários tipos de necessidades. Indicar a técnica a partir da necessidade do paciente é mais importante do que a partir do tipo de defeito. Pacientes que têm bom processo de reparação em condições normais podem não ser tão beneficiados quanto aqueles que têm algum déficit, como lesões, doenças sistêmicas ou que são submetidos a tratamentos médicos com medicações ou radioterapia.

Ainda precisamos de muitos novos estudos nessas condições. Estudos clínicos randomizados, duplo-cego, com maior universo de pesquisa, com metodologias reproduzíveis com qualquer tipo de equipamento, que nos permitam conhecer a real força de gravidade utilizada para a obtenção dos agregados plaquetários, com bons critérios de avaliação de resultados a curto, médio e longo prazo para reforçarmos as evidências em cada proposta de uso.

O entendimento das bases biológicas dos coágulos e dos agregados plaquetários, bem como o entendimento da reparação tecidual com auxílio de fibrina, leucócitos e fatores de crescimento já atingiram uma ótima evolução. O profissional pode ser encorajado dentro do estado atual da ciência a usar o recurso. A literatura científica e os equipamentos estão disponíveis, basta acrescentar treinamento, ética e dignidade profissional.

 

 

Ricardo Schmitutz Jahn

Doutor em Ciências e membro do grupo de Reabilitação Bucomaxilofacial – Unifesp; Mestre em Odontologia – Unisa; Professor coordenador do curso de especialização em Periodontia – Universidade de Santo Amaro.

 

 

 

 

 

 

 



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