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Publicado em: 17/01/2017 15h17

Defeitos ósseos, biomateriais e osteogênese

Vitório Campos da Silva e equipe apresentam dois casos clínicos com perdas ósseas.

Os sistemas de classificação são necessários, pois apresentam resultados de estudos científicos sobre a etiologia, patogenia e tratamento das doenças. Além do mais, tais sistemas fornecem ao clínico uma forma de cuidar, de maneira ordenada, da saúde de seus pacientes.

Em 1957, Goldman e Cohen iniciaram a classificação dos defeitos ósseos periodontais, apresentando em Miami seus trabalhos durante o encontro da Academia de Periodontologia.

Segundo Gary Armitage, em 1989, durante o Workshop Mundial em Periodontia Clínica, iniciou-se uma classificação sistemática dos defeitos ósseos. Em 1993 e em 1997, respectivamente, durante o Congresso Europeu e no encontro da Academia Americana de Periodontia, foram introduzidas relevantes e complementares informações às classificações já existentes. Em 1999, durante o Workshop Internacional para a Classificação das Doenças Periodontais, novas classificações foram também acrescidas às anteriores.

Resumida e simplificadamente, os defeitos ósseos resultantes de doenças periodontais podem ser classificados de acordo com o número de paredes afetadas pela perda óssea. Tal classificação é muito útil também na Implantodontia. Em síntese, podemos encontrar, tanto na Periodontia quanto na Implantodontia, defeitos ósseos de uma, duas ou três paredes. O número de paredes está relacionado e descreve o “número de paredes remanescentes” em um defeito. Em situações mais complexas, pode haver ainda uma combinação de duas ou mais das condições acima citadas.

De acordo com Goldman/Cohen, os defeitos são classificados considerando-se o fundo ou base da perda, em relação à crista óssea, em bolsas supra ou infraósseas. A tentativa de regenerar defeitos ósseos angulares como os já descritos é previsível. O mesmo não se pode dizer quanto aos defeitos horizontais/circunferenciais, pois, na complexa situação envolvendo estes defeitos, a ausência total de paredes ósseas dificulta a manutenção do enxerto no leito receptor (Figura 3).

Na condição acima descrita, a instabilidade e o movimento dos tecidos levam à perda do material, aumentando também a possibilidade de infecção devido à consequente solução de continuidade do tecido gengival. Como o suprimento sanguíneo proveniente do tecido ósseo é inadequado, a regeneração e o sucesso do procedimento ficam comprometidos.

Historicamente, após o diagnóstico clínico (incluindo a sondagem), radiográfico e histopatológico, o tratamento periodontal consistia basicamente no debridamento, osteotomia e osteoplastia, além de procedimentos ortodônticos visando à preservação do osso remanescente.

Mais recentemente, novas possibilidades surgiram para o processo regenerativo, como exames tomográficos (TC), técnicas de regeneração óssea guiada (ROG), regeneração tecidual (RTG) com a utilização de membranas, barreiras e materiais de enxerto autógenos, alógenos, xenógenos e aloplásticos.

Como alguns importantes conceitos sobre a classificação dos defeitos ósseos peri-implantares têm sido muitas vezes ignorados, o objetivo deste trabalho foi enfatizar tal conhecimento, imprescindível e talvez mais importante do que a escolha da técnica e/ou do biomaterial ou membrana a serem utilizados, sendo diretamente relacionados ao sucesso do procedimento regenerativo.

 

Caso clínico nº 1

Um paciente com 83 anos de idade nos procurou no ano de 2015. A radiografia solicitada mostra uma perda óssea importante nos implantes das áreas correspondentes ao 45 e 46 (Figura 1). Nesta radiografia é possível notar a extensa perda óssea nos dois implantes, e é importante observar que o defeito ósseo angular é classificado de maneira diferente nas referidas áreas. O resultado, utilizando-se dentina autógena obtida do dente 48 (Figura 2), foi razoável na área do implante 47, mas não na área peri-implantar do 46. Na área peri-implantar do 47, o defeito ou perda, por apresentar uma parede óssea a mais, possibilitou a manutenção do enxerto no local, além de favorecer o aporte sanguíneo e acesso direto a células indiferenciadas no osso remanescente. Uma simples atenção na classificação das perdas ósseas nos permite, muitas vezes, prever o resultado do procedimento.
 

Figura 1 – Pós-cirúrgico imediato. Data: 30/7/2015. Figura 2 – Dois meses após: início de formação óssea no 47 (setas), mas não no 46.



Caso clínico nº 2

Uma paciente com 47 anos de idade nos procurou no início de novembro de 2016, para avaliação dos implantes inseridos há cerca de cinco anos na área do 45 e 46 (Figura 3). Após exame clínico, solicitou-se raio X periapical da área. Embora não houvesse mobilidade, havia uma extensa perda óssea na área dos dois implantes. Neste caso, a perda óssea é total, sendo classificada como horizontal ou circunferencial. São mínimas, portanto, as possibilidades de regeneração do tecido ósseo, mesmo com o somatório de todo o arsenal técnico e terapêutico disponíveis. Nas palavras do conhecido pesquisador americano Tarnow D., “A miracle at time”.
 

Figura 3 – Extensa perda óssea horizontal.


 

 

Vitório Campos da Silva


Especialista em Periodontia, Esp. em Implantodontia, Pós-graduação UIC/Chicago IL, Mestre em Implantodontia, PhD Patologia Celular e Molecular, Pós-doutorando em Medicina.

 



Colaboração: 

Brenda de Pina Campos Medeiros
CD 2º Ten. ODT Medeiros; Ortodontista – Exército Brasília/DF.

Wagner Fontes
MD, PhD Bioquímica.

Caiuby Vieira Eugênio
CD Periodontista in memoriam.

 



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