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Publicado em: 30/05/2017 15h10

Tórus mandibular: identificação e tratamento

Vitório Campos da Silva e equipe analisam as lesões ósseas e apresentam caso clínico.

A palavra “toro” é de origem latina (torus) e significa protuberância ou tumor benigno. São lesões ósseas de crescimento lento, às vezes despercebidas pelos pacientes e, até mesmo, pelos cirurgiões-dentistas. Elas não têm implicações clínicas, porém, em alguns casos necessitam ser removidos, pois podem interferir na fonação, deglutição, intubação ou instalação de próteses.

As lesões podem ser palatinas, situando-se na apófise palatina (rafe mediana) ou mandibulares. Os tórus mandibulares localizam-se próximos aos pré-molares inferiores, podendo ser uni ou bilaterais. Trata-se de uma exostose, mais frequente em jovens do sexo feminino, com variável incidência (de 9% a 65%) na dependência do grupo étnico considerado.

São assintomáticos, exceto nos casos em que a mucosa de revestimento que os recobre – sendo não ceratinizada – é delgada e sofre ulceração em razão do traumatismo secundário. A etiologia do tórus ainda não está completamente definida, sendo, provavelmente, mendeliana e dominante.

Alguns trabalhos sugerem uma relação com a disfunção temporomandibular (DTM) e bruxismo. Quando há indicação para a sua remoção cirúrgica, em especial na mandíbula, utilizamos cinzéis que facilmente destacam a exostose, visto que a mesma, em vários casos, não representa uma continuidade com o tecido ósseo subjacente, parecendo estar apenas acoplada ao osso.

O objetivo deste trabalho foi mostrar o aspecto histológico do tecido ósseo, em um caso clínico de uma paciente com 46 anos de idade, cuja remoção cirúrgica de tórus bilaterais foi realizada no ano de 1987. O exame microscópico mostra uma massa de osso cortical denso lamelar, com células viáveis que, sendo oportuno, pode ser utilizado como enxerto autógeno. As Figuras 1 e 2 exibem o resultado histológico de tórus mandibular bilateral.

Figura 1 – Observar a densidade do osso maduro e lamelas (setas). HE 40x.

 

Figura 2 – Viabilidade óssea, presença de osteócitos (setas) e endoteliócitos (círculo em azul). HE 40x.

 

 

 

Vitório Campos da Silva

Especialista em Periodontia e Implantodontia; Mestre em Implantodontia; Doutor em Patologia Celular e Molecular; Pós-graduado pela Universidade de Illinois (UIC), Chicago, EUA; Pesquisador no Laboratório de Microscopia Eletrônica na UnB; Pós-doutorando em Medicina.

 

 

Colaboração:

Gustavo Henrique Soares Takano
Médico patologista pela Universidade de Brasília; Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília; Unidade de Anatomia Patológica – HUB/DF 

Brenda de Pina Campos de Medeiros
Esp. em Ortodontia; 2º Ten QOCON-HMAB Exército Brasília-DF.

Bruna Campos de Freitas
Esp. em Radiologia – ABO/DF. Universidade de Brasília

 

 

 

 

 

 



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