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Publicado em: 18/09/2017 10h58

Centro geométrico e centro de força dos primeiros molares inferiores

Vitório Campos e equipe discutem a localização e o posicionamento de implantes em próteses unitárias na região dos dentes 36 e 46.

A absorção e a dissipação das forças mastigatórias e dos contatos oclusais incidentes nas coroas ocorrem de maneiras diferentes em próteses unitárias sobre dentes e parafusadas e/ou cimentadas sobre implantes. Entretanto, é desejável que a resultante destas forças seja direcionada ao longo eixo do implante e/ou dente, pois forças não axiais ou oblíquas são prejudiciais durante o carregamento.

Se considerarmos os dentes 36 e 46, ou seja, os primeiros molares inferiores, a força incidente sobre as suas coroas é cerca de sete vezes maior, se comparado ao canino do mesmo lado. Partindo deste princípio, o centro geométrico das coroas sobre implantes nos primeiros molares inferiores não coincide com o centro de forças, estando este ligeiramente mesializado. Portanto, se considerarmos o sentido mesiodistal, a força incidente nas coroas dos molares aumenta progressivamente na direção distal, conforme já mencionado. Por esta razão, em situação ideal, o posicionamento dos implantes deve coincidir com o centro de forças, localizado distalmente em relação ao centro geométrico da coroa.

As Figuras 1 e 2 ilustram o posicionamento de implantes/próteses em casos clínicos com mais 25 anos, quando já idealizávamos e considerávamos esta proposta. Para finalizar, durante o ajuste oclusal, a obtenção do tripodismo deve basear-se no centro de forças, e não no centro geométrico, erroneamente considerado nas próteses sobre implantes ou dentes. Deve-se ainda ter em mente que a utilização de implantes HE e de conectores inadequados pode comprometer a estabilidade destas coroas e trazer situações constrangedoras para clientes e profissionais. Conectores do tipo cone-morse e/ou HI parecem ser uma opção mais segura quanto ao afrouxamento de parafusos nestas próteses unitárias, cujos centros geométricos e de forças são dissimilares. Há algum tempo, estudos apontam uma possível vantagem dos implantes cone-morse e a possibilidade de centralização das tensões ao longo do seu eixo, reduzindo a magnitude de tensões na cortical óssea.
 

Figuras 1 e 2 – Antigos casos ilustrativos do posicionamento excêntrico de implantes.

 

As Figuras 3 a 5 mostram o caso clínico de uma paciente do sexo feminino, no qual foram realizados implante imediato no alvéolo distal e enxerto de dentina autógena em uma cirurgia (27/8/2002). Este caso está sendo proservado há 17 anos.
 

 

Figura 3 – Inserção do implante no alvéolo distal em 27/08/2002.

 

Figura 4 – Controle radiográfico em 14/06/2013.

 

Figura 5 – Controle radiográfico em 06/06/2017.

 

As Figuras 6 e 7 exibem o caso de uma paciente cujo implante foi inserido em 10/7/1990, no qual se utilizou enxerto autógeno de dentina previamente à inserção do implante. Naquele tempo, o implante imediato não era uma opção. Observe, ainda na Figura 6, o centro geométrico da coroa, evidenciado pela interseção das linhas.

 

Figura 6 – Implante em posição distal.

 

Figura 7 – Raio x. Cirurgia em 10/07/1990

 

 

 

Vitório Campos da Silva

Cirurgião-dentista especialista em Periodontia e Implantodontia; Pós-graduação pela Universidade de Illinois, EUA; Professor convidado do Laboratório de Anatomia Patológica do HUB; Mestre em Implantodontia; Doutor em Patologia Celular e Molecular; e Pós-doutorando em Medicina.

 

 

Colaboração:

Brenda de Pina Campos de Medeiros
Cirurgiã-dentista especialista em Ortodontia; 2º Tem. QOCON-HMAB Exército Brasília/DF.

Bruna Campos de Freitas
Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia pela ABO/DF.

 

 



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