INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe   Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 2/12/2018 91h4

Subutilização do cimento Coe-Pak na Implantodontia

Vitório Campos da Silva e equipe discutem a utilização dos cimentos cirúrgicos.

Os benefícios da utilização dos cimentos cirúrgicos estão sendo ignorados ou, por desconhecimento, preteridos na Implantodontia. Na Periodontia, entretanto, continuam sendo largamente utilizados na estabilização de retalhos e proteção de áreas cirúrgicas. Alguns colegas que migraram da clínica geral ou de especialidades não cirúrgicas para a Implantodontia, via de regra, desconhecem as indicações, os benefícios, a técnica e os conceitos básicos para a utilização de tais cimentos.

Nos procedimentos básicos de raspagem (tecidos duros) ou curetagem (tecidos moles) e, principalmente, nas cirurgias como gengivoplastia, gengivectomia, enxertos gengivais e conjuntivos, cirurgias mucogengivais, retalhos, osteotomia, osteoplastia e enxertos de biomateriais osteocondutores ou osteoindutores, a utilização dos cimentos protetores (periodontal dressing) é, muitas vezes, indispensável. Vários desses procedimentos cirúrgicos são rotineiramente utilizados na Implantodontia, na primeira ou segunda fase, nos procedimentos para a inserção e/ou exposição dos implantes.

Neste caso clínico, um biomaterial osteocondutor, fosfato de cálcio bifásico-60% Ha e 30% β fosfato tricálcico (Nanosynt-FGM, Dentscare, Joinville SC-Brasil), foi utilizado após a inserção de um implante cone-morse friccional Arcsys, produzido pela referida empresa, ressaltando-se a importância da utilização de um cimento cirúrgico regular, sem eugenol, (Coe-Pak GC-America Inc. Illinois-EUA – Figura 7). Esse foi um dentre os vários casos em que utilizamos, com sucesso, o referido cimento na proteção da ferida cirúrgica e coadjuvante manutenção das partículas do biomaterial no gap, localizado na vestibular do implante inserido na região do dente 21.  

O resultado mostra a condição esteticamente favorável e o ganho inicial de tecido mole (Figuras 9 a 11). Note que o periodonto de proteção representado pelo tecido ceratinizado da gengiva mastigatória deve estabilizar biologicamente a região, até que haja neoformação do tecido ósseo. Dessa forma, o tecido ósseo subjacente proverá suporte e nutrição, conferindo estabilidade, estética e funcionalidade em longo prazo, além de um biotipo gengival adequado. Embora nossos resultados representem evidências científicas favoráveis, é necessário maior casuística, além de estudos randomizados e longitudinais que corroborem os dados obtidos.
 

Caso clínico

A senhora AFPBS, sexo feminino, vinte anos de idade, nos procurou em 10/08/2017 para a extração e inserção de um implante na região do dente 21 (Figura 1). Após exame clínico e preenchimento do questionário de saúde (QS), solicitamos radiografias panorâmicas e periapicais, além dos exames laboratoriais de rotina (Figura 2), raio X de 21/08. No dia 28/09/2017, foi feita a extração e inserção imediata de um implante Arcsys-Dentscare, FGM, Joinville, SC-Brasil, de 3.8 mm x11mm (Figuras 3 a 6).

Note, na Figura 3, o detalhe das setas indicativas da tábua óssea vestibular, bem como da porção vestibular da raiz, mantida com o objetivo da preservação estrutural e do gap. A seguir, colocou-se um biomaterial osteocondutor (Nanosynt-FGM) e, após as suturas, o local foi protegido com o cimento cirúrgico Coe-Pak (Figura 7). A radiografia periapical da área (Figura 8), raio X com data de 10/10, bem como a remoção das suturas e a troca do cimento ocorreu nos períodos legendados nas Figuras 9 e 10, com respectivas datas de 5/10 e 12/10/17.

As Figuras 5 e 6 mostram, ainda, a utilização de um cicatrizador preparável, do sistema Arcsys e aproveitamento da própria coroa, mantida em infraoclusão. Não basta que a coroa seja mantida em infraoclusão, conferindo-se apenas os contatos na relação cêntrica e habitual ou funcional. É necessário que se considere os movimentos excursivos da mandíbula e, principalmente, a desoclusão, que pode ser ainda mais prejudicial que a oclusão, podendo sobrecarregar o implante de maneira prejudicial e precoce. É comum, mesmo em artigos publicados em conceituadas revistas, autores erroneamente afirmarem utilizar “carga imediata”, mantendo a prótese em infraoclusão. Se o implante está em infraoclusão, subentende-se que não recebe carga. Sugere-se que se revejam os conceitos sobre “progressive loading” ou carga progressiva, introduzidos no início dos anos 90.  

Observe que a coroa mais encurtada no aspecto gengival (Figura 10) favorece e direciona o crescimento ou o aumento gengival. Sugere-se uma revista nos conceitos sobre inibição por contato, contact guidance e creeping attachment. Finalmente, a Figura 11 exibe detalhes da coroa provisória, um mês após a cirurgia.


 

Figura 1 – notar escurecimento do 21. Figura 2 – raio X inicial, de 21/08/2017.
Observar o dente 21 com reabsorções.

 

Figura 3 – preservação da tábua óssea
e porção vestibular da raiz – setas.
Figura 4 – inserção do implante Arsys-FGM,
aprouch” palatino.
 

 

Figura 5 – utilização do cicatrizador preparável. Figura 6 – preenchimento do gap vestibular
com Nanosynt-FGM.

 

Figura 7 – periodontal dressing – Coe-Pak. Figura 8 – raio X pós-cirúrgico.
Data: 10/10/2017. 

 

Figura 9 – aspecto da coroa do 21, utilizada
como provisório e reparação gengival após 6 dias.
Figura 10 – reparação gengival após 12 dias.

 

Figura 11 – prótese provisória (um mês - data: 27/10/2017).

 

 

Vitório Campos da Silva

Cirurgião-dentista especialista em Periodontia e Implantodontia; Pós-graduação pela Universidade de Illinois, EUA; Professor convidado do Laboratório de Anatomia Patológica do HUB; Mestre em Implantodontia; Doutor em Patologia Celular e Molecular; e Pós-doutorando em Medicina.

 

 

Colaboração:

Brenda de Pina Campos de Medeiros
Cirurgiã-dentista especialista em Ortodontia; 2º Tem. QOCON-HMAB Exército Brasília/DF.

Bruna Campos de Freitas
Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia pela ABO/DF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters