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Publicado em: 8/2/2018 11h12

Algodão peri-implantar e fratura de trefina

Vitório Campos da Silva e equipe relatam um caso clínico com procedimentos inusitados.

Este caso clínico mostra uma situação inusitada da colocação de algodão na região peri-implantar do dente 36. O paciente procurou o nosso curso de aperfeiçoamento em Implantodontia no dia 17 de outubro de 2017, preocupado com um aumento gengival na região peri-implantar do dente 36.

Após o preenchimento do questionário de saúde e exame clínico, solicitamos uma radiografia periapical, que mostrou perda óssea na região peri-implantar (Figura 1). O cliente relatou que, depois de retornar ao cirurgião-dentista para um controle, dois anos após a inserção de um implante na região do dente 36, o implantodontista notou que havia uma perda óssea na região.

Após duas sessões para raspagem no local, o cirurgião-dentista colocou um chumaço de algodão embebido em um medicamento (não revelado) com finalidade curativa. Segundo o paciente, o cirurgião-dentista pediu que ele retornasse após seis meses, para a realização de um controle.

Preocupado com o aumento de volume e a persistente inflamação na área (Figura 2), o paciente nos procurou após dois meses do procedimento. Ele apontava inflamação, presença de exsudato e mobilidade da prótese que, segundo o paciente, vinha ocorrendo há três anos. Desta forma, decidimos pela remoção (explantação) do implante HE e enxerto com um biomaterial aloplástico, para a posterior inserção de um novo implante.

Durante o processo cirúrgico, ao descolar o retalho, ficamos surpresos com a quantidade de algodão encontrado na área (Figura 3). Ele era o responsável pelo aumento volumétrico da gengiva, da inflamação e da consequente perda óssea. Na sequência, procedemos com a remoção/explantação do implante utilizando uma trefina. Durante o procedimento, houve fratura da broca (Figura 4).

Apesar dos cuidados em remover os fragmentos da trefina, observou-se na radiografia pós-operatória (Figura 5) que parte da trefina havia ficado entre os grânulos do biomaterial. Procedemos com a reabertura da área, curetando e retirando o material de enxerto juntamente com o fragmento da trefina. Utilizamos novamente o enxerto com o Nanosynt e solicitamos uma nova radiografia (Figura 6).

Neste procedimento inusitado, concluímos que houve falta de critério ou embasamento científico que justificasse a utilização de algodão embebido em algum medicamento, levando ao quadro inflamatório, à perda óssea e do implante. Após um período de quatro ou cinco meses, procederemos com a inserção de um novo implante.

 

Figura 1 – Radiografia inicial,
realizada em 24 de outubro de 2017.
Figura 2 – Observar o aspecto edematoso
apontado pela seta (11 de novembro de 2017).

 

Figura 3 – Chumaço de
algodão removido da área.
Figura 4 – Trefina fraturada
na explantação.

 

Figura 5 – Radiografia pós-operatória com
fragmentos da trefina (17 de novembro de 2017).
Figura 6 – Radiografia de controle,
realizada em 1 de dezembro de 2017.

 

 

Vitório Campos da Silva

Cirurgião-dentista especialista em Periodontia e Implantodontia; Pós-graduação pela Universidade de Illinois, EUA; Professor convidado do Laboratório de Anatomia Patológica do HUB; Mestre em Implantodontia; Doutor em Patologia Celular e Molecular; Pós-doutorando em Medicina.

 

 

Colaboração:

Brenda de Pina Campos de Medeiros
Cirurgiã-dentista especialista em Ortodontia; 2ª Ten. QOCON-HMAB Exército Brasília/DF.

Bruna Campos de Freitas
Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia pela ABO/DF.

 

 

 

 



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