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Publicado em: 29/09/2014 09h52

Estética máxima em Implantodontia

Fernando Almeida discute os aspectos contemporâneos que norteiam a obtenção de estética nos tratamentos com implantes.

O cenário atual da Implantodontia apresenta nuances bastante distintas. Se por um lado temos maior controle e previsibilidade de resultados, por outro temos pacientes com acesso praticamente ilimitado à informação pertinente, tanto no que diz respeito aos seus prováveis problemas quanto às soluções disponíveis.

Considerando as exigências contemporâneas frente aos resultados possíveis de serem alcançados, o paciente não obtém satisfação e nem mesmo o profissional com o próprio trabalho, apenas no reestabelecimento funcional, mesmo que com longevidade, com uma prótese osseointegrada que não reproduza de forma harmônica e natural a estrutura anatômica perdida. (Figura 1)

Figura 1 – Prótese osseointegrada substituindo o elemento 13 e reproduzindo a forma e a estética do “periodonto de proteção”, com ganho vertical em gengiva marginal e especialmente em papila. Controle de cinco anos.

 

O conceito da interdisciplinaridade nunca esteve tão em voga. Diversas situações de comprometimento da estética do sorriso têm causas multifatoriais. Haja vista os casos que envolvem anodontia congênita e, por conseguinte, obrigam a interação entre especialidades como Ortodontia, Implantodontia e prótese. (Figura 2)

 

Figura 2 – Correção da plástica do sorriso: Ausência congênita dos incisivos laterais superiores. O tratamento incluiu ortodontia para organização dos espaços, implantes osseointegrados e laminados cerâmicos (facetas).

 

A associação da cirurgia ortognática com implantes dentários é outro exemplo taxativo. Em algumas situações específicas, como no excesso vertical de maxila (EVM) combinado com a reabsorção radicular dos incisivos centrais, a correção da deformidade dentofacial se traduz em efeito sinérgico no tratamento frente à complexidade da substituição dentária em um cenário de exposição gengival exagerada. (Figura 3)

 

Figura 3 – A correção do sorriso gengival obtida com o reposicionamento superior da maxila, em conjunto com a substituição dos incisivos centrais por próteses osseointegradas unitárias, transforma situações onde a estética estava extremamente comprometida.

 

O sucesso estético na substituição dentária unitária depende muito menos da porção coronária da prótese (porcelana) do que da reconstituição da arquitetura do tecido de revestimento peri-implantar. O sucesso nesta reconstituição é estritamente dependente de técnica cirúrgica específica e escolha adequada do sistema de implantes. (Figura 4)

 

Figura 4 – A criação e/ou preservação das papilas e o contorno do tecido peri-implantar (estética rosa) predomina sobre a prótese coronária na percepção do sucesso do tratamento.

 

O desenho dos abutments também desempenha papel de relevância na manutenção da saúde peri-implantar. Nas regiões estéticas, onde a plataforma do implante fica localizada em torno de 2 a 3 mm abaixo da margem gengival vestibular, a profundidade do sulco marginal nas regiões interproximais pode variar de 5 a 8 mm. Esta profundidade proximal torna difícil o acesso à área intrassulcular, o que pode trazer dificuldades na remoção do excesso de cimento quando se utiliza próteses cimentadas sobre pilares convencionais (standard). É relatado na literatura1 que o excesso de cimento pode causar reabsorção óssea peri-implantar. A utilização de pilares personalizados (anatômicos) propicia uma linha de cimentação equidistante da margem gengival. (Figura 5)

 

Figura 5 – A utilização de pilares personalizados (anatômicos) propicia uma linha de cimentação equidistante da margem gengival.

 

Com a redução, ou quase eliminação do microgap, o sistema cone-morse garante estabilidade ao tecido ósseo também pela ausência de micromovimentação, que é conseguida pela retenção friccional da conexão2. A micromovimentação é um fator deletério e pode ser comprovado através do estudo3 no qual avaliou-se as mudanças na crista óssea ao redor de implantes tradicionais de duas peças com três diferentes dimensões de microgap (< 10 μm, 50 μm e 100 μm).

 

Podemos dizer que a Implantodontia atingiu novos patamares de segurança e de previsibilidade após a compreensão da mudança de paradigma trazida pela plataforma cone-morse e sua inter-relação com as distâncias biológicas. A utilização sistemática desta interface tem demonstrado a redução ou eliminação da perda óssea marginal. Todos nós fomos forçados a aceitar mudanças em diversos conceitos relacionados às distâncias entre implantes e entre um implante e um dente natural, assim como a possibilidade até então pouco previsível da obtenção de papila satisfatória entre dois implantes contíguos4-5.

 

Referências:

  1. Wilson Jr TG. The Positive Relationship Between Excess Cement and Peri-Implant Disease: A Prospective Clinical Endoscopic Study. J Periodontol. 2009;80(9):1388-92.
  2. Nentwig GH. Ankylos implant system: concept and clinical application. J Oral Implantol. 2004;30(3):171-7.
  3. Hermann JS, Schoolfield JD, Schenk RK, Buser D, Cochran DL. Influence of the size of the microgap on crestal bone changes around titanium implants. A histometric evaluation of unloaded non-submerged implants in the canine mandible. J Periodontol. 2001;72(10):1372-83.
  4. Canullo L, Rasperini G. Preservation of peri-implant soft and hard tissues using platform switching of implants placed in immediate extraction sockets: a proof-of-concept study with 12- to 36-month follow-up. Int J Oral Maxillofac Implants. 2007;22(6):995-1000.
  5. Novaes AB, Jr., Papalexiou V, Muglia V, Taba M, Jr. Influence of interimplant distance on gingival papilla formation and bone resorption: clinical-radiographic study in dogs. Int J Oral Maxillofac Implants. 2006;21(1):45-51.

 

Fernando Almeida
Especialista (UERJ), mestre e doutor (UFRJ); Coordenador da Pós-Graduação em Implantodontia – Universidade Veiga de Almeida.

 



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