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Publicado em: 13/11/2014 09h11

O porquê dos fracassos e complicações estéticas em Implantodontia

Eduardo A. Ayub explica como minimizar as complicações e ter sucesso nas reabilitações.

As altas taxas de sucesso com os implantes, que foram definidas em termos de osseointegração, podem não ser aplicáveis ao resultado estético de próteses implantossuportadas.

Isto porque o sucesso estético em Implantodontia deve contemplar dois aspectos: preencher requisitos protéticos dentogênicos, em termos de perfil de emergência, forma, cor, textura de superfície, translucidez, opalescência; e requisitos de estética peri-implantar, que prevê a prótese em harmonia com os tecidos moles adjacentes, margem de mucosa sem alterações abruptas, presença de papilas e contorno convexo do rebordo. Alcançar tais objetivos significa superar inúmeros desafios: expectativa do paciente, defeitos teciduais pré-existentes, biótipo periodontal, posicionamento do implante, habilidade e conhecimento técnico para o manejo de casos com maior complexidade e, sobretudo, estabelecer antes de qualquer terapia, o projeto protético final.

Quaisquer interferências que impeçam resultados plenos são complicações que, na presença de fatores modificadores como uma linha de sorriso baixa, pode não ter impacto significativo. Entretanto, ao distanciar-se do objetivo, em razão de aspectos que impeçam a realização de uma prótese estética, ou na presença de linha de sorriso alta, pode-se defrontar com fracassos estéticos.

As principais complicações estéticas reportadas na literatura são: recessão gengival; exposição de partes metálicas; defeito na papila interproximal; alterações bruscas da arquitetura gengival; alterações na forma do dente e alteração da cor da mucosa. A maioria de tais complicações está relacionada à posição do implante e/ou associadas à condição anatômica.

Considerando-se, de forma geral, que o clínico é o responsável pela avaliação e seleção do paciente, indicação da abordagem terapêutica com maior previsibilidade e utilização de materiais de comprovada evidência científica, esta premissa permite estabelecer que a maioria das complicações estéticas tenha origem iatrogênica, em razão do mal posicionamento tridimensional (3D) do implante, deficiência em conhecimento técnico para diagnosticar e habilidade limitada para executar casos com envolvimento estético.

Com isso, obedecer aos princípios biológicos relacionados à posição do implante torna-se primordial. Portanto, ao lidar com áreas estéticas deve-se iniciar a terapia pensando na posição dental ótima, com proporção e arranjo dental em harmonia com a macroestética facial. É a relação dental que exigirá o posicionamento ótimo do implante, nas suas três dimensões. E se considerarmos que a estabilidade da margem da mucosa peri-implantar estará relacionada com a presença e volume do osso, inevitavelmente, a maioria dos casos vai exigir procedimentos reconstrutivos dos tecidos duros e/ou moles.

Desta forma, é fundamental transmitir a posição dental ideal, por meio de guias cirúrgicas bem confeccionadas e estáveis, pois esta será a única referência para o cirurgião, sobretudo em casos de múltiplas ausências.

Conhecimento e prática diária de terapias fundamentadas em evidências científicas vão permitir maior previsibilidade, sendo imprescindíveis para minimizar complicações e incorrer em fracassos.

Quando se questiona sobre o porquê dos fracassos e complicações estéticas em Implantodontia, pode-se concluir que:

  • As complicações ou falhas ocorrem frequentemente em razão da qualidade inadequada do tratamento;
  • A complicação mais frequente tem origem iatrogênica, devido ao pobre posicionamento 3D do implante;
  • A melhor estratégia é buscar prevenir que as complicações ocorram, identificando a posição dental ótima;
  • O profissional apenas deveria intervir em regiões estéticas, se possuir conhecimento e habilidade para tratar casos avançados ou complexos. Do contrário, deve trabalhar em equipe para obter melhores resultados.

 

Eduardo A. Ayub
Especialista em Prótese Dental – Profis, FOB/USP; Especialista em Implantodontia – Profis, FOB/USP; Mestre em Implantologia – USC, Bauru; Doutor em Reabilitação Oral – FOB/USP.

 



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