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Publicado em: 12/15/2015 85h5

Uma visão internacional da Prótese no IN 2015

Neste ano, o evento também apresentou aos congressistas as mais variadas experiências clínicas no campo da prótese sobre dentes e implantes. Confira a seguir a participação e as reflexões dos convidados internacionais.
 
Luigi Galasso

O professor Luigi Galasso mostrou a evolução da prótese implantossuportada, passando pelas overdentures, próteses fixas e, mais recentemente, pelas unitárias. O uso do acrílico nestas próteses foi bastante discutido. Em uma breve entrevista à PróteseNews, ele fez questão de frisar que cada vez mais o ensino da Prótese (para dentes e implantes) precisa de elementos didáticos, motivo pelo qual seu livro recente – Atlas de Complicações e Falhas na Implantodontia – apresenta as imagens em escala real. Ainda, ele ressaltou que este é o primeiro livro da história mundial da Implantodontia com casos de retratamento por falha funcional ou estética, onde as opiniões dos pacientes (positivas ou não) são ouvidas e publicadas na íntegra.


Markus Blatz

O professor Markus Blatz se concentrou nas “Opções de material restaurador para o sucesso estético e funcional em Implantodontia”, mostrando diversos sistemas de comunicação digital para confecção de restaurações provisórias e definitivas com polímeros e cerâmicas, inclusive como o cirurgião-dentista pode aliar os aplicativos de celulares (por exemplo, o Oldfy: age your face iOs; e o Smile Line) para avaliar a estética facial e a escolha da cor, respectivamente.

Na segunda parte da aula, também foi discutido como fica a ciência dos materiais nos sistemas estéticos. Assim, aspectos biológicos (por exemplo, a adesão bacteriana), mecânicos (trincas e delaminações) e os protocolos adesivos para cerâmicas (silanos e adesivos) foram abordados. Depois, o papel da zircônia na estética (com a inclusão recente de modificação da fluorescência) foi literalmente dissecado. Em uma rápida entrevista à PróteseNews, Blatz demonstrou ser um professor versátil e antenado com o mundo a sua volta.

PróteseNews Aqueles desenhos de cicatrizadores no livro Evolução são geniais. Como surgiu a ideia?

Markus Blatz Quando eu fui para os Estados Unidos, o chefe do departamento me disse: “Daqui para frente, apenas prótese”. Pensei comigo: está bem, vamos ver no que dá. Já fazíamos aquilo na clínica, pegava os cicatrizadores, desgastava, afinava e polia caprichosamente.
(Nota do editor: Pela aula, quem não conhece o Blatz poderia jurar que ele é protesista, mas na verdade sua formação é de periodontista).

PróteseNews O livro Evolução, que você escreveu com o Iñaki Gamborena, tem uma sequência de leitura diferente. Sinal dos novos tempos?

Thomas Eu falei que não queria escrever um livro, sou meio avesso a isto. Fizemos algumas exigências e uma delas é bem perceptível: o livro tem pouco texto e as referências se encontram logo na sequência. Sejamos francos: ninguém gosta de ficar em um vai e vem interminável procurando o artigo. Outra coisa interessante é poder ver todo o caso clínico apenas acompanhando as setas laterais, mesmo quando troca de seção, e isso não “quebra” o raciocínio.

PróteseNews E sobre o futuro das próteses em zircônia, quais são as suas considerações?

Thomas Pessoalmente, acho que deve haver uma mudança de comportamento. Sou chefe do departamento e duas coisas sempre estão no foco: 1) fazer a prótese de forma que um reparo seja possível (não usamos infraestruturas, mesoestruturas e parafusos porque gostamos de brincar de Lego); e 2) se a prótese está totalmente em zircônia e quebra depois de dois anos, o paciente volta e fazemos uma novinha. Este é o preço dos novos tempos. Entretanto, reconheço que a zircônia ainda possui limitações. Veja o caso das tentativas de confecção com implantes dentários: o módulo de elasticidade da zircônia é maior que o do osso, e a tenacidade à fratura é dez vezes menor que a do metal. Então, há perda óssea ou o implante fratura.


Mauro Fradeani

O professor Mauro Fradeani discutiu o correto planejamento multidisciplinar para o sucesso longitudinal das próteses e previsibilidade estética, que inclui fotografias para análise da face e do sorriso, forma, posição e cor dos dentes.

O grande destaque ficou para a confecção do mock-up, os problemas de um registro incorreto com o arco facial e os modelos montados no articulador, que muitas vezes não ajudam o técnico no laboratório. Fradeani foi um dos pioneiros no uso das cerâmicas estéticas mais contemporâneas (por exemplo, no artigo clínico clássico sobre o In-Ceram Spinell) e ainda continua mostrando as novas porcelanas e suas indicações CAD/CAM para sistemas injetados, muitas vezes com preparos laminados altamente conservadores. Muitos dos detalhes comentados por Fradeani podem ser vistos nos seus dois livros, que já se tornaram as novas bíblias da reabilitação oral no Brasil.


Peter S. Wöhrle

Já o professor Peter S. Wöhrle ressaltou como, no fluxo de trabalho digital, o cirurgião-dentista pode “pensar antes de realizar”. Desta forma, as altas expectativas dos pacientes são alcançadas. Hoje é praticamente impensável colocar um implante errado na zona estética. Se existe a ferramenta, por que não usá-la? A ferramenta aqui é o casamento entre a tomografia computadorizada feixe cônico e o software de planejamento digital, onde existe uma vasta biblioteca com formatos diferentes de implantes e pilares. Outro aspecto importante é a documentação comprovada e a chance do paciente entender o tratamento. Finalmente, e talvez mais importante, é a minimização dos erros cirúrgicos.


Luigi Canullo

O professor Luigi Canullo abordou o tema “Restaurações estéticas implantossuportadas altamente exigentes”. O conteúdo foi rico em evidências científicas atuais e em casos clínicos. Luigi é um dos professores que mais usam a técnica de platform switching e tem se dedicado nos últimos anos aos fatores biológicos e mecânicos que podem provocar peri-implantite. Desta forma, estão surgindo novas propostas para o desenho das restaurações implantossuportadas (uma junção do conceito “one abutment-one time” com o perfil intramucoso alongado do pilar protético e a coroa terminando ao nível gengival) e novos protocolos de limpeza para pilares (isto é, com spray de jato de plasma), que prometem reduzir signifi cativamente a contaminação bacteriana na interface com a prótese. Ainda, Canullo apresentou um protocolo em que a prótese sobre implante deve ser periodicamente limpa, e tanto a parte interna dos componentes como a dos implantes devem ser higienizadas, pelo fato da contaminação bacteriana ser variável ao longo do tempo.


Thomas Taylor

E quando todos pensavam que o IN 2015 estava acabando, tivemos uma apresentação simplesmente inesquecível do professor Thomas Taylor: “Considerações oclusais para o sucesso do implante em longo prazo”. No que você apostaria suas fichas? Guia anterior? Função em grupo? Oclusão mutuamente protegida ou implanto-protegida? Simplesmente não existe consenso. Dono de uma sagacidade e vivência interessante, acumuladas nos anos como ex-editor do IJOMI e professor em Connecticut, nos Estados Unidos, Taylor mostrou que muitos artigos publicados sobre oclusão simplesmente estão citando trabalhos sem referência científica sólida! E o reflexo disso é traduzido na clínica. Ele falou também sobre a transmissão das forças oclusais nos implantes, revelando que não existe algum tipo de material (acrílico, resina ou cerâmica) capaz de dissipar estas cargas: tudo vai diretamente para a porção coronal das fixações. Para os pacientes com bruxismo, a medida mais segura ainda é a placa miorrelaxante. Entretanto, os pacientes com apertamento serão os menos afortunados, já que este tipo de parafunção destruirá, ao longo do tempo, qualquer material restaurador. Com certeza, “lavou a alma” de muitos veteranos que não encontravam mais respostas aos seus problemas clínicos diários.


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