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Publicado em: 4/11/2019 50h5

Silas da Cunha Ribeiro e a habilidade de um comandante

Dividindo-se entre o mar e a terra firme, o protesista e professor conseguiu conciliar a paixão pela Odontologia e pela natureza.
O protesista e professor também produziu uma vasta literatura publicada. (Ilustração: Lézio Júnior)


Por Andressa Trindade


A pacata e pequena Iguape, no interior de São Paulo, não é apenas o local de origem do protesista Silas da Cunha Ribeiro, mas também é seu refúgio e porto seguro. Nascido em 12 de outubro de 1928, foi o 13o filho dentre os 14 do casal Evaristo Alfredo Ribeiro e Pedrina da Cunha Ribeiro. Depois de morar alguns anos em Minas Gerais, ele se mudou para São Paulo, onde cursou o ensino médio e ingressou na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp), em 1950 – que naquela época tinha três anos de duração.

Mas, a decisão pela carreira na área odontológica veio muito antes. “Quando ele ainda era menino, definiu que seria cirurgião-dentista ao conhecer um dentista prático, o Sr. Almério Silva, que foi trabalhar em Iguape por volta dos anos 1935 e ficou hospedado na casa dele por alguns meses. Ao acompanhar as atividades desenvolvidas pelo Sr. Almério, meu pai ficou encantado e escolheu a sua futura profissão”, relata Fernando da Cunha Ribeiro, filho de Silas.

Após a conclusão do curso de graduação, em 1952, o protesista permaneceu em São Paulo, onde iniciou sua carreira profissional, abrindo um consultório com foco em clínica geral no bairro da Lapa, zona oeste da cidade. Além da atividade clínica, ele também dividia seu tempo com a vida acadêmica. Por conta de sua habilidade e determinação em todas as atividades que desenvolvia, destacou-se como aluno durante a graduação e foi convidado por Carlos Aldrovandi, professor catedrático da Fousp, a ingressar na carreira docente em 1954.

Nesse mesmo ano, Silas Ribeiro se casou com Ignez Pinto Dias Ribeiro, com quem teve quatro filhos – Marcos, Fernando, Nícia e Sérgio. O amor pela Odontologia parece ser genético: Fernando seguiu os passos do pai e atua na área, com ênfase em Prótese Dentária; Nícia, falecida em 2001, trabalhava em Endodontia; e Sérgio é periodontista e implantodontista; apenas Marcos, o primogênito, escolheu outro caminho, formando-se em Engenharia e Economia, e atuando na carreira executiva da área industrial.

Aos 90 anos, Silas da Cunha Ribeiro
celebra uma importante vida acadêmica
como professor da Fousp.
Ao lado dos filhos Marcos,
Sérgio e Fernando, respectivamente.
(Fotos: acervo pessoal)


 

Dedicação de mestre

Segundo Silas, entre os anos 1950 e 1970, a atividade docente era focada intensamente na formação dos novos cirurgiões-dentistas e, por isso, havia uma enorme dedicação às práticas clínicas e laboratoriais. “O time de docentes da Fousp era notável por possuir um elenco de profissionais de altíssima competência clínica”, afirma. Foi com esse espírito que ele se dedicou profundamente durante muitos anos à carreira, sentando lado a lado com seus alunos, tanto do programa de graduação como dos cursos de aperfeiçoamento e atualização, que já eram comuns nessa época. “O foco na integração da atividade de ensino aos processos clínicos era algo que o destacava. Meu pai sempre foi visto como o professor que se empolgava com a busca pelas soluções clínicas mais adequadas, aplicando e compartilhando seus conhecimentos com todos”, afirma Fernando. De acordo com ele, temas como oclusão, biomecânica, estética e harmonização fisiológica sempre o entusiasmavam.

Silas obteve o título de doutor em Prótese em 1973 e, no início da década de 1980, obteve o título de professor livre-docente, passando ao cargo de professor associado do Departamento de Prótese da Fousp. Sua experiência em organização de programas de pós-graduação também o levou a ser orientador de pesquisas de muitos mestres e doutores titulados pela Fousp. As linhas de pesquisa guiadas por ele, em sua maioria, tinham o foco na investigação e experimentação de processos clínicos e no desempenho de materiais para elaboração e aplicação em trabalhos protéticos.

Silas ministrou inúmeros cursos de aperfeiçoamento e atualização em congressos de todo o Brasil.


O protesista e professor também produziu uma vasta literatura publicada – entre teses, artigos e capítulos de livros – que visavam difundir e auxiliar as boas práticas clínicas e o ensino da ciência odontológica. Isso foi resultado de sua atividade acadêmica orientando, principalmente, teses de mestrado e doutorado, coordenando cursos de especialização em Prótese pela Fousp e Fundação Faculdade de Odontologia (Fundecto), e ministrando inúmeros cursos de aperfeiçoamento e atualização em associações e congressos de todo o Brasil.

Apesar de ter se aposentado na Fousp no início da década de 1990, continuou atuando no curso de especialização da Fundecto por vários anos, convivendo com o ambiente universitário, o que lhe trazia muita motivação e energia no dia a dia da vida profissional. Já na prática clínica, ele começou como clínico geral e depois foi aprofundando sua atividade em Prótese Dentária, impulsionado pelo seu desempenho como docente na área. Seu consultório funcionou na Lapa até 2006, quando foi transferido para o bairro da Pompeia, também na zona oeste de São Paulo. Após a graduação, todos os filhos foram trabalhar com o pai, porém, cada um com seus próprios clientes. Silas esteve à frente da clínica até 2008, quando se aposentou.

Por ser de família cristã que praticava a religião na igreja presbiteriana, Silas, como sempre fez em sua vida, envolveu-se com muita dedicação nos estudos bíblicos e na participação efetiva em todas as atividades da igreja, onde foi diácono, presbítero, professor, membro dos corais etc. Esse é um aspecto interessante que conecta sua trajetória pessoal e profissional, já que durante muitos anos ele foi chamado de pastor na comunidade da Fousp, pois frequentemente era solicitado para participar de atividades ou eventos ecumênicos.

 

Em 2003, em seu consultório
no bairro da Lapa, em São Paulo.
Corpo docente da Fousp nos anos 1950.
(Fotos: acervo pessoal)


Além do trabalho

Apesar de ter saído muito cedo da sua cidade natal, Silas sempre cultivou uma enorme paixão e carinho por Iguape. Assim, construiu uma residência lá, considerada sua segunda moradia e destino preferido nas férias, feriados e em qualquer data para fugir da intensidade de São Paulo.

Por ter em seu DNA o sangue caiçara, as pescarias e as atividades náuticas são seus hobbies preferidos. “A pesca do robalo, as pescarias na praia com as redes de arrasto (picaré), as manhãs esquiando no Mar Pequeno e as tardes com o vento soprando e navegando com o seu veleiro Batuíra eram atividades que sempre o encantaram e o reenergizavam para a vida em São Paulo”, destaca Fernando.

Hoje, Silas da Cunha Ribeiro está com 90 anos. Depois de um processo gradual de diminuição das atividades profissionais, encerrou definitivamente a carreira em 2008, optando por se dedicar à vida pessoal e usufruir do convívio em família – que cresce cada vez mais: os quatro filhos lhe deram nove netos e, neste ano, nasceram seus dois primeiros bisnetos. “A rotina dele se divide entre períodos em São Paulo e outros em Iguape, onde faz caminhadas diárias de 5 km a 8 km, usufruindo do cheiro do mar, da vista do Valo Grande com biguás e garças, e do cântico dos sabiás, canários da terra e sanhaços que frequentam seu quintal”, descreve o filho Fernando.

Após tantos anos de vida e de realizações pessoais e profissionais, Silas demonstra grande alegria em viver e verbaliza a todos os que o cercam: “Viver em família e entre amigos é uma bênção que todos deveriam ter. Sem eles, não somos nada”, finaliza.

Momentos ao lado de familiares e amigos são considerados abençoados para Silas da Cunha Ribeiro. Sua outra paixão é navegar nas águas de Iguape com o veleiro Batuíra.

 


Assuntos Relacionados:
Silas da Cunha Ribeiro; biografia; Prótese Dentária; protesista


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