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Publicado em: 5/8/2015 94h8

Forp-USP cria banco de dados para análise facial do brasileiro

Disponível para profissionais de saúde, o banco ajudará no monitoramento de tratamentos odontológicos.

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, da Universidade São Paulo (Forp-USP), criaram um banco de dados com imagens faciais de brasileiros, que deverá estar à disposição dos profissionais de saúde em breve. O projeto utiliza tecnologia 3D para captar imagens fidedignas sem utilizar metodologia invasiva. Essa será uma ferramenta importante para auxiliar nos tratamentos odontológicos estéticos e bucomaxilofaciais.

Liderada pelo professor doutor Marco Antônio Rodrigues da Silva, a equipe trabalha no projeto piloto desde 2011, mas os experimentos e a coleta de dados ocorreram a partir de 2012 com a chegada dos equipamentos necessários para o desenvolvimento do estudo.

Segundo Rodrigues da Silva, a face humana apresenta características próprias de acordo com a oclusão dentária, harmonia facial, dentre outros fatores. “Na Odontologia, a análise facial é essencial para a elaboração de um plano para diferentes tipos de tratamento, como o ortodôntico e a cirurgia ortognática. Além disso, a identificação de assimetrias faciais pode ser indício de mastigação unilateral e até de certas síndromes”.

Utilizando a estereofotogrametria, foram capturadas, simultaneamente, imagens digitais em 3D de vários ângulos de 30 homens e 30 mulheres saudáveis, com idade entre 18 e 30 anos – escolhidos aleatoriamente, independentemente da região de origem, pois o catalogamento será realizado em uma próxima etapa.

O método utiliza um grupo de seis câmeras que conseguem captar imagens faciais muito rapidamente, o que reduz o efeito de movimentos do paciente, sem necessidade de contato com a superfície da pele.

Dessa forma, eles conseguiram obter marcações de medidas cranianas em tecido mole, técnica inédita no Brasil. Para começar a traçar o perfil facial do brasileiro, foram utilizados 31 pontos de referência (landmarks), posteriormente utilizados para as medidas, em milímetros, de 42 distâncias. Segundo o professor, através da imagem 3D, são determinadas diferenças na morfologia facial de diferentes populações; e a média das medidas da imagem 3D da face representa a morfologia facial de tecido mole de adultos. “Isso pode ser usado para assessorar o diagnóstico e o tratamento em pacientes de diferentes países, mostrando as singularidades de cada população quanto as suas estruturas de tecido mole, e pela tradicional normativa pode ser alterada e usada por grupos específicos”, afirma.

Os pesquisadores asseguram que, em longo prazo, o método poderia ser usado para monitorar longitudinalmente a evolução de tratamentos ortodônticos ou ortopédicos, sem manobras invasivas e exposição ao raio X, por exemplo. Além de os cirurgiões-dentistas terem acesso a informações em tempo real.

Os resultados apresentados até o momento pela equipe da Forp-USP são apenas o início das pesquisas. O objetivo é ampliar o banco de dados, inclusive, trabalhando a miscigenação brasileira, com grupos de diferentes origens.

O professor finaliza dizendo que o propósito de ampliar a amostra deve se estender a informações de pessoas submetidas a procedimentos na área de cirurgia ortognática, ortodôntica e reabilitações orais, coletando dados antes e após os diversos tratamentos.



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