INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 5/18/2015 61h3

Consenso 2015 – alto padrão científico nas discussões sobre biomateriais

Evento abordou substitutos ósseos, preservação alveolar, reconstrução de tecidos e terapias celulares.
Participantes da terceira edição do Consenso 2015, que aconteceu de 14 a 16 de maio

 

Promovido pelas revistas ImplantNews e PerioNews, o Consenso 2015 – 3º Simpósio sobre biomateriais em Implantodontia e Periodontia aconteceu de 14 a 16 de maio, no Centro de Exposições Rebouças, em São Paulo.

Com o objetivo de destacar as diversas formas do uso eficiente de biomateriais em situações clínicas variadas, o evento contou com apresentações e mesas-redondas com pesquisadores e professores brasileiros e estrangeiros que são referências na área de Reabilitação Oral.

Primeiro dia

A primeira mesa-redonda abordou o tema “Biomateriais em Periodontia: reconstrução dos tecidos moles e duros”. O primeiro a se apresentar foi Guaracilei Maciel Vidigal Jr., que falou sobre “Substitutos ósseos em defeitos peri-implantares”.

Para Bianchini, presidente da mesa, há muitas marcas comerciais e muitos tipos de enxertos que podem ser utilizados nestes defeitos. No entanto, as indicações são diferentes de um tipo de biomaterial para outro. Já a apresentação de Luiz Alves de Lima, sobre “Membranas e proteína derivada do esmalte”, foi o ponto alto da mesa, na avaliação de Bianchini: “ele mostrou regeneração em dente e de membranas, e proteína derivada do esmalte. Temos bons resultados referendados na literatura, são estudos que mostraram 15 anos de avaliação, na qual é possível regenerar defeitos e manter os dentes na boca”.

Fechando a mesa do período da manhã, Elcio Marcantonio Jr. falou sobre “Biomateriais para tecidos moles”, de diversas várias marcas comerciais e com excelentes resultados.

Já na mesa-redonda da tarde, sobre “Fatores de crescimento e terapia celular: possibilidades e perspectivas”, os debatedores foram: Jamil A. Shibli, que falou sobre “Avaliação longitudinal de áreas regeneradas com rhBMP-2”; Antonio Carlos Alise, que abordou “Metodologias de terapia celular em reconstruções ósseas”; e Ricardo Jahn, que apresentou “Fibrina Rica em Plaquetas (PRF) e Plasma Rico em Plaquetas (PRP)”.

De acordo com Paulo Perri, que presidiu o debate, essa mesa trouxe assuntos como fatores de crescimento e terapia celular, possibilidades e perspectivas, de forma que os apresentadores fizessem uma análise do que existe de mais recente na literatura sobre esses temas. “Ainda não há uma definição, mas a perspectiva de uso para alguns aspectos da reabilitação e reconstrução óssea é grande. Como foi lembrado, para terem sucesso, essas terapias deverão ter suas indicações precisas e realizadas por profissionais com capacitação, para que o benefício seja bastante positivo para o nosso paciente”.

Segundo dia

A primeira mesa-redonda do segundo dia seguiu a temática “Substitutos ósseos em Implantodontia: como são vistos na atualidade?”. Luis Guilherme Macedo foi o primeiro a palestrar, falando sobre “Enxertos com biomateriais xenógenos e sintéticos”. A seguir, Wilson Sendyk mostrou casos clínicos para ilustrar o tema “Estado atual dos enxertos homógenos provenientes de banco de tecidos”. O encerramento da manhã ficou por conta de Marcelo Napimoga, que abordou “Resposta imunológica dos hospedeiros frente aos biomateriais para regeneração óssea”.

Segundo André Antonio Pelegrine, presidente das mesas, foi a primeira vez que houve uma montagem de mesa-redonda para discutir aspectos imunogênicos de biomateriais. “A conclusão é que, apesar dos grandes benefícios vivenciados, alguns representam desafios ao sistema imunológico. E a pesquisa em Imunologia deve esclarecer a possibilidade dos riscos e benefícios associados ao biomateriais”.

Para Marcelo Napimoga, apresentou-se um caráter científico extremamente rico, com diferentes visões e, por vezes, até antagônicas. “Isso é fundamental para a evolução da Odontologia e dos diferentes biomateriais usados. A ciência é a precursora da Odontologia que o Brasil tem hoje”, ressalta.

No período da tarde, a mesa-redonda “Reparo e preservação alveolar: macro versus micro” teve o comando de Cléverson de Oliveira e Silva. A atividade começou com Márcio Casati falando sobre “Alvéolos pós-extração – é preciso utilizar biomaterial?” e seguiu com Waldemar Polido abordando “Evidências e técnicas para preservação alveolar”, sendo encerrada por Robert Carvalho, que fechou o dia com a apresentação “Preservação alveolar: instalação imediata ou tardia?”.

Para Waldemar Polido, hoje existe o conceito de que o cirurgião-dentista tem que fazer implantes menos invasivos e com previsibilidade, e uma das formas de fazer isso é com a preservação alveolar. “Isso tem influenciado na escolha de materiais e técnicas seguras, e ainda na seleção de pacientes que receberão esses materiais e essas técnicas. Implantodontistas devem pesquisar bem os materiais, para avaliar a segurança e a qualidade deles”.

 

Terceiro dia

No último dia aconteceu o curso de imersão com o sueco Karl-Erik Kahnberg, com a abordagem “Implantes e enxertos ósseos – experiências em pacientes com suporte ósseo comprometido”, cuja discussão teve como foco principal a escolha entre enxertos ósseos autólogos e biomateriais.

 

Apresentações corporativas

Nos dois primeiros dias, os participantes também puderam conferir oito apresentações corporativas com temáticas variadas. A primeira delas foi “Resultados previsíveis utilizando biomateriais de enxertos ósseos sintéticos”, seguida por “Aumento de potencial ostogênico em Shed, quando comparadas a hASCs, associado a maior expressão IGF2”, ministradas, respectivamente, por Márcio Baltazar Conz e Roberto Fanganiello. Após a pauta do almoço, Márcio José Pitteli e Marcelo Calderero falaram sobre “Enxerto ósseo osteocondutor” e “Como obter alta previsibilidade e segurança com os biomateriais na Odontologia regenerativa: novas soluções, base científica e aplicabilidade clínica”.

No segundo dia, a abertura foi feita com a apresentação de Aziz Constantino sobre “O papel da reabsorção dos biomateriais nos mecanismos de osseocondução” e por Sonja Ellen Lobo, que falou a respeito de “Biocerâmicas de fosfatos de cálcio micro e nanoestruturados na bioengenharia do tecido ósseo”. A finalização aconteceu com as observações de Leonel de Oliveira sobre “Bases biológicas dos biomateriais de fibrina aplicados à prática clínica: uma abordagem desafiadora” e Eduardo Mukai, que abordou “Desmistificando a utilização dos diversos tipos de enxertos”.

 

Homenagem

Durante o 3º Simpósio sobre Biomateriais em Implantodontia e Periodontia, Antonio Wilson Sallum, patrono do evento, foi homenageado pelos 50 anos de vida dedicada à Odontologia, como cirurgião-dentista, doutor e especialista em Periodontia e Endodontia, professor e pesquisador.

De acordo com Paulo Rossetti, coordenador científico do Consenso, a homenagem é bastante propícia por coincidir com outras comemorações, como os 50 anos da Osseointegração e da BMP. “A história do professor Sallum começa em uma época de evolução científica, nos anos de 1960, favorecendo sua opção pelo ensino e pesquisa científica. Ele é um ícone na Periodontia brasileira e faz jus a essa homenagem”, declara Rossetti.

Sallum diz se sentir honrado com a homenagem, afirmando estar feliz por encontrar-se na plenitude e por contribuir com a revista PerioNews como editor científico. “Tenho certeza de colaborar na melhoria das inter-relações multidisciplinares que se processam no conhecimento da prática odontológica. E isso, de alguma forma, me deixa satisfeito por esse momento que estamos passando”.

O professor ressaltou ainda a colocação do Brasil entre os três países do mundo com maior produção científica na área da Odontologia. “Para se ter uma ideia, recentemente foi publicado pelo QS – órgão que estabelece um índice das melhores Faculdades de Odontologia do mundo – que a USP, a Unesp e a Unicamp estão entre as 50 primeiras, e isso é muito importante para a Odontologia brasileira”.

 
André Antonio Pelegrine, presidente do Consenso
     
 
Paulo Rossetti, coordenador científico   Karl-Erik Kahnberg fechou o evento
com o curso de imersão
Mesa-redonda sobre o uso de biomateriais
na reconstrução de tecidos moles e duros
     

Preservação alveolar foi tema de apresentação de Robert Carvalho

 
Jamil A. Shibli, que falou sobre áreas regeneradas com rhBMP-2

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters