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Publicado em: 5/29/2015 91h2

Tabaco fará 8 milhões de vítimas por ano, segundo OMS

Na luta contra o tabagismo, pesquisadores descobriram que exame de sangue pode indicar o melhor tratamento para parar de fumar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou, em 1987, o Dia Mundial Sem Tabaco – celebrado em 31 de maio – para alertar sobre as doenças e mortes relacionados ao fumo. Segundo um estudo da entidade, a principal delas é o câncer de boca, já que 90% dos pacientes diagnosticados com esse mal são tabagistas.

O uso de tabaco é considerado uma epidemia mundial, com 6 milhões de vítimas por ano, das quais 600 mil são fumantes passivos. Se o cenário não for revertido, a estimativa é que a partir de 2030, serão 8 milhões de morte por ano.

Desde 2005, o Brasil integra a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), idealizada pela OMS para estabelecer padrões de controle e soluções de longo prazo para esse problema global. De lá para cá, foram aprovadas leis mais rigorosas para reduzir o consumo de tabaco no País.

O efeito das medidas já foi percebido: os brasileiros estão abandonando o hábito de fumar. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o índice de pessoas que consomem cigarros e outros produtos derivados do tabaco é 30,7% menor que o registrado nove anos atrás. Do total de adultos entrevistados, 10,8% disseram que fumam atualmente, conforme a Pesquisa Especial de Tabagismo do IBGE (PETab).

Mas, as campanhas de conscientização continuam, já que a facilidade de se tornar fumante é muito alta: a cada três pessoas que experimentam tabaco, uma acaba dependente. Índice bem maior se comparado com drogas ilícitas como cocaína e maconha: de cada nove pessoas que experimentam, uma se torna dependente.
 

Ajuda da ciência

Não existe receita de bolo para parar de fumar. Cada pessoa tenta um método; e o que dá resultado para uma, não dá para outra. E a frustração de não obter êxito nas tentativas de abandonar esse hábito, leva muitas pessoas a desistir do tratamento.

Mas, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, apontaram um aliado nessa luta. Eles descobriram que testes de sangue podem ajudar na escolha da melhor estratégia para largar o cigarro, pois perceberam que o tratamento deve levar em conta a velocidade em que a nicotina é metabolizada pelo organismo. “Quase 65% dos fumantes que tentam largar o cigarro retomam o vício na primeira semana. Nossos resultados mostram que fazer o tratamento baseado na velocidade de metabolização da nicotina pode levar à escolha de um tratamento mais adequado”, afirma Caryn Lerman, professora na Universidade da Pensilvânia e coautora do estudo.

Participaram da pesquisa 1.246 fumantes, que desejavam abandonar o hábito. Os pesquisadores mediram a taxa de metabolização da nicotina de cada um por meio de exame de sangue, e dividiram os participantes em dois grupos. Um grupo tomou uma pílula de placebo e usou adesivos com nicotina e o outro ingeriu a droga varenicilina e usou um adesivo placebo. Em ambos os casos, o tratamento durou 11 semanas, houve atendimento psicológico – porque a varenicilina pode causar depressão – e os voluntários foram monitorados por um ano após o fim do estudo.

A pesquisa identificou que aqueles que tinham um metabolismo de nicotina normal, cerca de 60% dos indivíduos, fumavam mais e apresentavam maiores dificuldades para deixar o vício. Para eles, a droga vareniclina foi duas vezes mais eficiente que o adesivo. Já os que apresentaram uma baixa taxa de metabolização da substância, exibiram melhores resultados com o uso de adesivos com nicotina.

Diante do resultado, os pesquisadores acreditam que os testes preventivos de sangue poderão indicar no futuro o melhor caminho para parar de fumar. “Se nossos testes forem disseminados, pacientes em todo o mundo poderiam elevar suas chances de sucesso”, pontua Caryn Lerman.



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