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Publicado em: 23/08/2012 17h08

Estudo inovador utiliza células-tronco para reconstrução óssea

Geneticistas do Instituto Butantã e cirurgiões-dentistas brasileiros desenvolvem técnica inovadora de reconstrução de tecidos.

Uma estudo pioneiro realizado no Brasil está desenvolvendo um protocolo para o uso de células-tronco retiradas de dentes decíduos, associadas a biomaterial, para a reconstrução óssea. O estudo está sendo conduzido pelos implantodontistas Júlio César Sá Ferreira, Sérgio Jayme e Camila Favero de Oliveira, com a colaboração dos geneticistas Nelson Lizier, Alexandre Kerkis e Irina Kerkis, que é diretora do Laboratório de Genética do Instituto Butantã.

De acordo com Ferreira, a técnica poderá beneficiar a medicina regenerativa e a engenharia de tecidos. "Esse método pode permitir regenerar grandes defeitos ósseos com mais rapidez, custo menor e menos agressividade e sofrimento ao paciente, já que não será necessária a retirada de ossos de outras áreas do corpo para serem enxertados na área da perda óssea", completa.

Confira a entrevista exclusiva concedida por Ferreira ao INPN:

Como surgiu a ideia da pesquisa?
Júlio César Sá Ferreira
- Participei de estudos de regeneração óssea na Universidade da Califórnia, Los Angeles, e desde então tenho acompanhado os avanços nessa área. Quando tomei conhecimento dos estudos pioneiros da Dra. Irina Kerkis e de seu grupo do Laboratório de Genética do Instituto Butantã, no isolamento e utilização das células-tronco de polpa de dentes decíduos, procurei-a para sugerir o uso dessas células associadas a biomateriais na regeneração de grandes perdas ósseas nos maxilares.

Nas perdas ósseas extremas, até o momento, tem-se utilizado osso do próprio paciente a partir de outras áreas doadoras, contudo, nem sempre o resultado é satisfatório, criando muita morbidade, riscos e altos custos. Assim, formamos um grupo multidisciplinar composto pelos pesquisadores Alexandre Kerkis, Nelson Lizier, Camila Favero de Oliveira e Sergio Jayme (além da Dra. Irina e eu), com o intuito de elaborar um projeto de pesquisa que possa trazer avanços significativos à área.

Como o estudo está sendo realizado?
Ferreira
- Tendo como premissa que para se conseguir regeneração óssea, basicamente, necessita-se da tríade: células-tronco, fatores de crescimento (moduladores ou mediadores celulares) e um arcabouço (matriz) que sirva de residência temporária, a ideia foi fazer uma combinação desses três elementos. Entretanto, os estudos estão em fase final de elaboração de protocolo para a futura aplicação.

Quais foram os resultados até o momento?
Ferreira -
Estudos realizados em animais com pequenas e moderadas perdas ósseas demonstram resultados satisfatórios e promissores. Para grandes perdas ósseas em modelo animal, um estudo realizado pela Dra. Irina Kerkis, e seu grupo, demonstrou a formação de um tecido ósseo mais maduro a partir da utilização de células-tronco associadas a uma membrana de colágeno. Atualmente, estamos em fase de aprimoramento protocolar para, em seguida à aprovação do órgão competente, passarmos a aplicar em seres humanos com perdas ósseas de grande porte, pela primeira vez com o uso de células-tronco adicionadas a biomateriais.

Quais os benefícios que esta técnica pode trazer?
Ferreira -
Primeiramente, reduzir os riscos e a morbidade, por deixar de existir a necessidade de buscar-se osso doador em outras partes do corpo, assim como diminuir a inflamação da região pós-enxerto. Ainda, reduzir os custos dos procedimentos e o tempo de reparação.

Quais são as perspectivas futuras?
Ferreira - Os estudos com células-tronco na Medicina têm encantado os cientistas pelo seu fantástico potencial de regeneração de órgãos e tecidos acometidos por enfermidades degenerativas ou traumas. As células-tronco derivadas de polpa de dente de leite têm demonstrado, em estudos pré-clínicos, serem altamente plásticas, podendo se transformar em células ósseas, neurais, cardíacas, entre outras. Elas ainda podem atrair outras células-tronco do próprio organismo, assim como colaborar para a diminuição da inflamação.

Com o advento da Genômica, o subsequente aparecimento da Proteômica e da Metabolômica, tudo isso associado às células-tronco, podemos visualizar uma revolução na Medicina sem precedentes - que já se iniciou e que, em dez anos ou pouco mais, transformará o diagnóstico e a terapêutica de tal modo que os benefícios à humanidade serão monumentais.



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