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Publicado em: 23/08/2012 17h37

Estudo avalia eficiência dos agregados plaquetários

Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos (L-PRF) tem sido considerada uma nova geração de concentrados de plaquetas.

O artigo "Características dos agregados plaquetários e indicações da L-PRF na cirurgia oral", publicado na edição de julho/agosto da ImplantNews, faz uma revisão de diversos artigos sobre as características, indicações e diferenciais dos concentrados de plaquetas disponíveis no mercado.

Os pesquisadores responsáveis pelos estudo, André Lins C. Corrêa da Costa, Antonio da Silva Ramos Neto, Daniel Marques das Neves, Frederico Goulart de O. Silva e Guilherme Morum de Lima Simão, são integrantes da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas do Distrito Federal (ABCD-DF).

Foram avaliados quatro grupos distintos: Puro Plasma Rico em Plaquetas (P-PRP), Plasma Rico em Plaquetas e em Leucócitos (L-PRP), Fibrina Rica em Plaquetas e Pobre em Leucócitos (P-PRF), Fibrina Rica em Plaquetas e em Leucócitos (L-PRF). Por existirem vários protocolos e produtos, que se diferem tanto no aspecto biológico como na aplicação, há controvérsias sobre sua eficácia no dia a dia clínico.

Confira a entrevista.

Como se interessou pelo tema da pesquisa?
André Lins C. Corrêa da Costa - Desde 2001, a partir dos trabalhos do professor Joseph Choukroun no desenvolvimento de um novo protocolo de preparação, a Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos (L-PRF) tem sido considerada uma nova geração de agregado plaquetário, com características biológicas e de obtenção que podem mudar alguns paradigmas dos procedimentos de enxertia.

Fiquei atento aos artigos deste biomaterial desde a brilhante apresentação do Dr. Robert Miller no IN 2011. No mesmo ano, meu grupo e eu, além de outros cirurgiões brasileiros, fizemos o credenciamento na técnica com o Dr. Joseph Choukroun, durante o Congresso da Academia Americana de Periodontia. Desde então, temos um grupo de estudo acompanhando e discutindo os primeiros resultados clínicos.

No entanto, a literatura mostra trabalhos com até seis anos de acompanhamento, como o do Dr. Alain Simonpieri, para seio maxilar, e trabalhos de autores renomados, como os do Dr. Sascha Jovanovic, para aumento de tecido mole.

Estamos diante de mais uma terapia para nos auxiliar na melhora da qualidade de vida dos pacientes e, como qualquer técnica, precisa ser mais pesquisada.

Se há vários protocolos e produtos que diferem nos aspectos biológicos, por que o uso dos concentrados de plaquetas ainda é tratado como se fosse uma única modalidade de tratamento?
Costa
- Os agregados plaquetários são tratados como uma única modalidade de tratamento pela falta de entendimento dos diferentes processamentos que são realizados e suas consequências ao conteúdo biológico final do concentrado. Três fatores são fundamentais para entender os agregados:

  • Protocolos de preparação: praticidade, custo, tamanho da centrífuga, equipe técnica envolvida no processo, utilização de substâncias bioquímicas tóxicas às células.
  • Conteúdo do concentrado: volume final de concentrado que será utilizado, concentração de plaquetas, concentração de leucócitos, preservação das células.
  • Rede de Fibrina: junções bilaterais e solúveis que se rompem com facilidade, não favorecendo a deposição celular e a angiogênese; ou junções tipo equilátero (mais resistente e insolúvel), similar ao coágulo natural, que serve como arcabouço para deposição e proliferação celular.

Não é correto chamar todos os tipos de concentrados de Plasma Rico em Plaquetas (PRP). É preciso entender estes fatores chaves para realizar comparações e, principalmente, determinar sua utilização clínica.

O que o estudo pôde concluir?
Costa
- Nosso trabalho de revisão de literatura pôde concluir que o L-PRF é uma nova geração de agregado, rico em plaquetas e em leucócitos, dentro de uma rede de fibrina muito similar ao coágulo natural. Este biomaterial fornece importantes fatores de crescimento e células mesenquimais indiferenciadas (células tronco do adulto, também conhecidas como Stem Cells).

Além disso, tem ação importante sobre as proteínas facilitadoras das funções dos osteoblastos. O L-PRF favorece a angiogênese, atua na formação da matriz extracelular, serve como guia para migração epitelial e tem ação imunológica que diminui o risco de infecção. Os trabalhos mostram que pode ser utilizado para aumento de tecido mole, levantamento de seio maxilar, manutenção de rebordo pós-exodontia, regeneração óssea guiada e preenchimentos de gaps em implantes imediatos.

Quais as principais diferenças entre um concentrado de plaqueta e outro? Como essas características influenciam no desempenho final?
Costa
- Os agregados plaquetários podem ser divididos em quatro grupos distintos: Puro Plasma Rico em Plaquetas (P-PRP), Plasma Rico em Plaquetas e em Leucócitos (L-PRP), Fibrina Rica em Plaquetas e Pobre em Leucócitos (P-PRF), Fibrina Rica em Plaquetas e em Leucócitos (L-PRF).

Com relação ao processamento, a principal mudança do L-PRF para os demais é que, com este tipo, não existe adição de substâncias bioquímicas, como o cloreto de cálcio e a trombina bovina. Sendo assim, o conteúdo biológico é puramente autógeno e as células viáveis não sofrem ação de substâncias tóxicas. Além disso, o processamento é prático e a obtenção do L-PRF se dá a partir de uma única centrifugação.

As diferenças com relação ao conteúdo biológico são essenciais para determinar as indicações clínicas. O P-PRP é rico em plaquetas e pobre em leucócitos, o L-PRP é rico em plaquetas e em leucócitos. No entanto, os dois tipos de agregados possuem uma rede de fibrina pouco instável que, após ser colocado em um leito cirúrgico, se dissolve rapidamente e não favorece os mecanismos de reparo e regeneração. Sendo assim, irão ajudar na fase de hemostasia e funcionam muito bem como um aglutinante para outros biomateriais.

O P-PRF e o L-PRF já apresentam uma rede de fibrina com arquitetura tridimensional complexa, forte e elástica, servindo como arcabouço para a reparação. A diferença entre os últimos é que a fibrina do L-PRF é rica em plaquetas e em leucócitos, enquanto o P-PRF é pobre em leucócitos.

O L-PRF, em algumas indicações clínicas, funciona como único material de enxerto, não necessitando de área doadora ou outros biomateriais. E quando é utilizado associado a outros biomateriais potencializa o efeito destes.

Como funcionou a participação do grupo? Quem foi o coordenador da pesquisa? E foi feito em qual faculdade?
Costa
- Nós fizemos um trabalho de revisão de literatura, colocamos apenas resultados e conclusões dos artigos pesquisados. Atualmente, estamos utilizando o L-PRF em nosso curso na ABCD-DF e em nossa clínica particular. Estamos fazendo acompanhamento dos casos com tomografia computadorizada e histologia. Já temos alguns casos com prótese em função em áreas enxertadas com o L-PRF, no entanto, estamos aguardando um maior tempo de acompanhamento para publicações clínicas. Recentemente, demos um curso de credenciamento na técnica para 18 profissionais aqui em Brasília e tivemos a presença de profissionais de Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia. Em outubro, um novo curso será ministrado.



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